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Ney Matogrosso comemora 30 anos de carreira mergulhando no universo musical de um dos nossos maiores compositores: Agenor de Oliveira, o Cartola. A admiração pelo sambista carioca veio muito antes do inicio da sua carreira. Ney chegou a cantar composições de Cartola em discos anteriores como Pescador de Pérolas e À Flor da Pele, mas desta vez resolveu dedicar uma obra inteira ao mestre. O desejo de fazer uma antologia veio atrelado a outro projeto antigo: a publicação de um livro que compilasse em fotografias momentos da sua carreira. “Ousar Ser”, lançado em 2002 (272 páginas), do compositor e escritor Bené Fonteles, contém 135 fotos de autoria de Luiz Fernando Borges da Fonseca durante 20 anos da carreira de Ney, as quais retratam inúmeras perfomances em shows e revelam várias mudanças no visual do artista, traçando assim um perfil de sua atitude e ousadia, além de depoimentos do cantor. O disco, no qual Ney interpreta composições de Cartola, a princípio, seria apenas um complemento do livro, mas acabou ganhando vida própria. Teve registro ao vivo (com mais músicas que a versão em estúdio) e um DVD. No repertório há clássicos como “O Sol Nascerá”, “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas não Falam”, “Basta de Clamares Inocência”, entre outras preciosidades.
Participam do projeto os músicos Zé Nogueira (Sax), Jorge Helder (baixo), Celsinho Silva e Zero (percussão), Ricardo Silveira (guitarra) e Marcelo Gonçalves (violão). Este show percorre todo o Brasil e Europa, completando um total de 100 apresentações em Portugal, sendo sucesso de publico e critica por onde passa.
Em 1997, Ney Matogrosso grava Caramujo Jah no CD “Astronauta Tupy” de Pedro Luís e A Parede, ano em que conhece o trabalho da banda e gosta muito. Em 1999, Ney inclui músicas de Pedro Luís no CD “Olhos de Farol” (Miséria no Japão e Fazê o Quê), e participa de vários shows da banda. Surge a idéia de trabalharem juntos num mesmo projeto um dia. O fruto desta idéia é “Vagabundo”, O CD com desdobramento em dois DVD´s: um da etapa de ensaios e gravações e outro do show registrado ao vivo no Olympia em junho de 2005 (ainda a ser lançado).
Com músicas variadas, “Vagabundo” é composto de 14 faixas, passeia desde a época do Secos&Molhados com “Assim Assado”, passando por “Disritmia” (Martinho da Vila), A Ordem é Samba (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos), Napoleão (Luhli e Lucina), entre outras.
O cenário é baseado em desenhos do artista plástico Rodrigo Cabelo, que viram animação nas mãos do fotografo Cafi. A luz é de Ney Matogrosso e Juarez Farion. Ney veste figurinos de Ocimar Versolato enquanto a Parede e os músicos convidados são vestidos por Helena Gastal.
Depois da estréia no Rio de Janeiro, o show percorreu as principais capitais brasileiras e várias cidades do interior do Brasil, foi apresentando algumas vezes em Portugal, e a turnê se estende até o final do ano. Sucesso de público e critica, “Vagabundo” ganhou alguns prêmios: foi eleito pelos críticos da APCA como um dos melhores discos de 2004 e de melhor grupo em 2005.
Comportado ou transgressor, Ney mantém alta a qualidade de suas interpretações.
Seria apenas um especial de final de ano do Canal Brasil, mas passou a ser um show de carreira. “Tudo foi feito de forma descompromissada, porque não era para ser isso. Era só um especial de TV. Como me deram liberdade, assumi como único compromisso o prazer de cantar", conta Ney. A idéia era de que ele fosse acompanhado de um só violão, mas ele apresentou a contra-proposta de serem quatro, e foi atendido prontamente.
Lançado em CD e DVD ao vivo, gravados no SESC Pinheiros (SP – Capital) em dezembro de 2004, Canto em Qualquer Canto, conta com um quarteto de cordas: Pedro Jóia (violão e alaúde), Ricardo Silveira (guitarra e violão de aço), Marcelo Gonçalves (violão de sete cordas) e Zé Paulo Becker (violão e viola caipira). Neste projeto, Ney Matogrosso retoma o formato de recital, deixando um pouco de lado suas apresentações performáticas e se concentrando na sua interpretação. Um padrão parecido com o criado em 1987 com o Pescador de Pérolas só que dessa vez num formato inovador. O CD e é composto por 14 faixas, alguns clássicos de seu repertório que voltam recriados, com arranjos belíssimos e originais, dentre eles: “Dos Cruces” (Carmelo Larrea), “Ardente” (Joyce), “Tanto Amar” (Chico Buarque), e musicas inéditas como “Canto em Qualquer Canto” (Ná Ozzetti e Itamar Assumpção), “Uma Canção por Acaso” (Pedro Jóia e Tiago Torres da Silva), Oriente” (Gilberto Gil), ”Duas Nuvens” (Pedro Jóia e Tiago Torres da Silva) e “Já Te Falei” (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Davi Carvalho).
O show estreou no Bareto (Bar do Hotel Fasano em SP), em maio de 2005 para um público seleto, apenas 64 lugares, quando Ney, sempre inovador, cantou para o menor público da sua carreira. Houve mais apresentações em agosto, quando novas músicas que não constam do CD e DVD foram incluídas no show, dentre as quais “Ela e EU”, de Caetano Veloso.
A estréia de Canto Em Qualquer Canto ocorreu antes mesmo de terminada a turnê do show anterior (Vagabundo, com Pedro Luís e A Parede), outra inovação na carreira de Ney: oferecendo ao seu público dois shows completamente diferentes no mesmo ano.
Prêmio Bravo! Prime de Cultura.
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