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Ser critico de algo ligado ao mundo do
entretenimento nunca é uma tarefa
fácil. Basta algum jornalista que
se atrever a falar mal de uma novela, filme
ou até de ator para ouvir críticas
pesadas dos amigos e fãs dos mesmos.
Ser um crítico de dublagem no Brasil,
nem se fala. Basta uma crítica negativa
ou discordar do trabalho de um dublador
para você se taxado de “anti-dublagem”.
Mesmo que a pessoa que esteja criticando
seja um defensor da dublagem brasileira.
Graças a Deus, meu papel hoje não
é ser o advogado do diabo. O motivo?
Eu AMEI a dublagem de Os Incríveis.
Realmente eu considero o trabalho feito
no novo filme da Disney/Pixar, como um dos
melhores dos últimos tempos e provavelmente
o melhor do ano. Uma verdadeira aula de
adaptação de texto e direção
de atores.

A dublagem de Os Incríveis (com
perdão do péssimo trocadilho)
é realmente incrível. O trabalho
do diretor e tradutor Garcia Júnior,
ajudado pelo também dublador Guilherme
Briggs é espetacular e nos faz perdoar
a Disney Brasil por ter assassinado nossa
infância transformando nos últimos
anos Puff em Pooh e deixado de traduzir
algumas músicas em suas recentes
produções.
A adaptação faz as crianças
(hoje adultas) lembrarem os tempos de ouro
das animações em que os nomes
eram traduzidos para o português e
sabíamos que Sleeping Beauty era
Bela Adormecida e Belle era Bela. Os meninos
e meninas que hoje forem aos cinemas não
precisaram ouvir nomes estranhos como Frozone,
Dash e Elastigirl, ficando na lembrança
deles o Gelado, Flecha e a Mulher-Elástica,
indo contra a ridícula moda da dublagem
brasileira de manter sempre os nomes no
original.
E funcionou, pois o público em sua
maioria (tanto pais, quanto filhos) foi
bem receptivo ao resultado. Mas a crítica
especializada em cinema em geral, não
viu com bons olhos a iniciativa da Disney.
“Assisti ao filme mais uma vez, desta
vez em versão dublada. O sujeito
responsável pela adaptação/tradução
deveria ser sumariamente demitido. Além
da versão ridícula dos nomes
dos personagens (Beto Pêra?! Francamente!),
o sotaque 'surfista' dos Incríveis
é lamentável, tornando-se
ainda pior graças aos modismos dispensáveis,
como 'Comédia!' e 'Ninguém
merece!'.”, escreveu Pablo Villaça,
editor e critico do site “Cinema em
cena”.
No caso adaptar as falas e os nomes deste
filme, combinou com o espírito dos
heróis, bastando lembrar que os nomes
dos mutantes de X-men são traduzidos.
Diferente, por exemplo, seria fazer a mesma
coisa em um longa de uma animação
japonesa como Yu-Gi-Oh!, Pokémon
ou Beyblade, em que os fãs já
conhecem os personagem pelos nomes originais
ou americanos e não caberia a mudança
de estilo.
Espero realmente que a Disney continue com
este trabalho de adaptação
(que pode ser visto também em Mulan
2, recém lançado em vídeo)
e não ligue para as criticas negativas
que vem recebendo, pelo bem da dublagem
brasileira. Afinal, precisávamos
de um produto a altura do texto original
e dos atores originais de Os Incríveis,
que conseguiram ao todo 16 indicações
p/ o Annie Wards.

Aliás, em se tratando de elenco
é importante destacar o trabalho
de pelo menos dois atores desta constelação
de astros: Alexandre Moreno (o Kaká
de Johnny Bravo) com o grande vilão
Síndrome e Márcio Seixas como
o Senhor Incrível. É impossível
imaginar outra voz para o herói do
filme pois Márcio criou uma mistura
perfeita de dois dos seus maiores trabalhos:
o atrapalhado e barrigudo Tick (mera coincidência?)
com Batman, o maior defensor mascarado dos
desenhos. Afinal esta é a mistura
perfeita da família Incrível,
o poder dos super-heróis com o humor,
em uma homenagem aos desenhos japoneses
atuais como InuYasha e Dragon Ball Z.
Para os que amam e para os que odeiam,
eu deixo minhas apostas por Os Incríveis
no III Prêmio Yamato, o Oscar da Dublagem
Brasileira. Espero encontrar toda a família
reunida na premiação pelo
menos como finalistas, pois eles merecem.
Para os fã de dublagem, eles conseguiram
algo praticamente impossível se igualar
a Procurando Nemo no topo da lista das melhores
dublagens de todos os tempos.

Os dubladores brasileiros:
SR. INCRÍVEL - Márcio
Seixas
MULHER-ELÁSTICA
- Márcia Coutinho
FLECHA - Bernardo Coutinho
VIOLETA - Lina Mendes
SÍNDROME - Alexandre
Moreno
GELADO - Luiz Carlos Persy
Parte
1 (História) | Parte 2 (Dublagem)
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