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Parabéns “Chiquinha”: Aniversário da dubladora Cecília Lemes
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Escrito por: David Denis Lobão
Editado por: David Denis Lobão (fotos: Odair Stefoni e Daniela Giovanniello)

Ontem foi aniversário da dubladora Cecília Lemes, eternizada no Brasil como a voz da Chiquinha do seriado “Chaves”. Para desejar parabéns para esta atriz em nome de todos os seus fãs, o Portal OhaYO! republica hoje uma entrevista que fizemos com esta grande atriz.

Cecília ficou conhecida ainda por trabalhos como Mãe da Bulma (“Dragon Ball Z”), Fran (“Nanny”), Grace (“Will & Grace”), Coração Rosa (“Ursinhos Carinhosos”), Lucy (“Guerreiras Mágicas de Reyarth”) e Ritsuko (“Evangelion”).

Flashback OhaYO! – Entrevista com Cecília Lemes

OhaYO! - Cecília como você começou a dublar o seriado “Chaves”?

Cecília Lemes - Na TVS, que hoje é o SBT, nós éramos contratados e escalados conforme a necessidade e infelizmente não comecei a Chiquinha, mas depois ganhei este presentão quando a Sandra Mara (a dubladora original da personagem) foi pra Itália. Estava no corredor quando o Marcleo Gastaldi (dublador do Chaves e diretor artístico) me pegou e falou “Cecília vem dublar uma coisa aqui” e era a Paty. Pra falar a verdade eu achei muito estranha a série e falei “nossa ninguém vai assistir”. Era uma produção muito pobre, era tudo no estúdio, aqueles sapatos deles batendo ali no chão, era tudo muito falso, muito estranho. Mas depois você vai se encantando com a meiguice do Chaves, o amorzinho da Paty por ele, a Chiquinha morrendo de ciúmes e aquilo tudo me cativou e eu falei “poxa, tomara que as pessoas gostem” e realmente foi um sucesso, gostaram até demais. Bom, mas fui dublando a Paty, quando o Marcelo me falou “Cecília a Sandra foi pra Itália, agora você vai dublar a Chiquinha” e eu ainda contra argumentei “Marcelo, eu já faço a Paty, gosto da personagem” e ele me falou que a Chiquinha era maior, que eu ia gostar e realmente ele estava certo, na época eu fiquei meio chateada, mas hoje em dia eu gosto muito mais da Chiquinha e a Leda Figueiró também fez uma ótima Paty no meu lugar.

OhaYO! - E pra você foi complicado substitui a Sandra? O público as vezes chega a confundir o trabalho das duas na televisão...

Cecília Lemes - Às vezes eu me confundia na televisão de casa e me perguntava “perai esta é da Sandra Mara ou é minha”. Mas quando fizemos juntas a novela Betty, a feia da Rede TV! dava pra perceber bem a diferença. Cada uma faz seu estilo, pois quando você dubla você escuta o original, então você vai muito pelo som original. Os dubladores não gostam muito que use esta palavra, mas a gente tem que imitar, chegar o mais próximo, o mais parecido possível, o mesmo quando você substitui alguém. Então você vai ouvir e tentar chegar o mais próximo, então eu ouvia a vovó falando e tentava chegar próximo possível daquilo que a atriz tinha feito na tela. Você pega o jeitinho, as entonações, vai muito pela carinha, então o segredo da dublagem é isso, respeitar o trabalho original.

OhaYO! - E como era o choro da Chiquinha? Muitos observam ai sua diferença para a Sandra. Foi difícil de dublar?

Cecília Lemes - Bom, no original ela falava todas as vogais. Era muito difícil e ficava tão forçada, que apesar dela falar as vogais eu ficava na vogal A, era mais fácil. E no choro alguns observam algumas diferenças entre eu e a Sandra Mara, uma voz era mais aguda. Acho que o da Sandra era um pouquinho mais pro agudinho. Era mais esta diferença. Mas eu lembro que o diretor, que na época era o Marcelo Gastaldi, foi quem me falou pra não fazer as vogais e ir mais só na repetição da letra A.

OhaYO! - Você não dublou Chespirito para a CNT, onde a Sandra voltou a fazer a personagem, mas redublou na versão para o SBT, como foi isso?

Cecília Lemes - O Silvio Santos quando comprou a série ele exigiu as vozes originais e no caso da Chiquinha teve este problema porque a Sandra tinha começado, ai eu fiz todo o resto e ela depois fez pra CNT e ele falou “não, eu quero quem fez mais tempo, quero a Cecília”. Mas eu não sabia disso, só soube depois que comecei a fazer e claro fiquei muito feliz.

OhaYO! - Muitos dubladores falam muita coisa sobre a dublagem da série como direitos autorais não recebidos e um problema que ocorreu na época entre o Gastaldi e o SBT, onde alguns episódios seriam dublados mais de uma vez para dobrar os custos de produção, isso é verdade?

Cecília Lemes - Sim eu também ouvi esta história, é comentado no meio da dublagem que por isso as novelas foram pro Rio e tudo mais, mas independente de tudo isso vale destacar que o Marcelo Gastando continua sendo pra mim uma excelente pessoa e um maravilhoso profissional. Um cara que foi para a família dele um ótimo pai, um excelente marido e para todos nós um amigo fora de série. Uma vez ele levou meu marido e eu para passar um tempo no sitio dele e foi um final de semana tão gostoso que nós compramos o terreno do lado da propriedade dele. Marcelo era um gênio e isso nada vai tirar dele e da carreira dele. Quanto aos direitos autorais é uma coisa que se briga há tantos anos no meio da dublagem, independente de ser o “Chaves”.

OhaYO! - Teve algum momento da dublagem que te marcou mais?

Cecília Lemes - Teve claro, eu não vou saber fazer agora, mas foi quando ela canta pro cãozinho dela o Peludinho, desse episódio eu lembro muito, não lembro a letra porque seria exigir muito da minha cabeça. Mas eu lembro muito desse amor dela pelo animalzinho que é algo que eu também tenho pelo meu cachorrinho, que alias esta hora deve estar lá morrendo de frio sozinho em casa tadinho (risos).

OhaYO! - E o que marcou sua carreira além da Chiquinha?

Cecília Lemes - Eu lembro de um que foram “Os Ursinhos Carinhosos”, será que foi antes da Chiquinha? Não lembro a data, mas é um desenho que eu gostei muito de fazer. Eu não vi mais desenhos para crianças igual ao desenho dos Ursinhos Carinhosos. Eu fazia a bebê coração, eu era cor de rosinha, eu ia pela cor, eu via a rosinha e sabia que era a minha. Em uma série da Record, “Super Vick”, eu era a vizinha a Herriet, e eu não sei se era pelo jeitinho dela de intrometida, de safadinha, isso me marcou muito também. E claro a babá Fran de The Nanny, que era apaixonada pro aquele chefe dela e tinha aquela voz fanha, foi muito divertido também. Recentemente fiz a Grace, que era uma maluca muito legal do seriado “Will & Grace” na Sigma e foi maravilhoso também, inclusive foi com a direção do Nelson Machado (o Kiko, um dos diretores de “Chaves”).

OhaYO! - E os desenhos japoneses Cecília?

Cecília Lemes - A também foram ótimos de fazer. A Lucy e a irmã gêmea malvada dela de "Guerreiras Mágicas de Reyarth "foi a que mais marcou, todo evento que vou eu tenho que gritar os “Raios de fogo” da personagem. Infelizmente eu não fiz mais na época por uns problemas com o estúdio que fazia este anime. Mas depois eu fiz a Ritsuko de "Evangelion" e a mãe da Bulma de "Dragon Ball", que era uma redublagem e eu não sabia disso, então eu fiz. Mas fiquei feliz que o público gostou do resultado e que a dubladora anterior foi escalada pra outro papel na série.

OhaYO! - E quanto aos eventos de anime? Você gosta?

Cecília Lemes - Eu gosto muito de ir, de encontrar o público, de ter este retorno, este carinho. Gosto bastante, todos que me convidam eu vou com o maior prazer.

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