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Gilmara Sanches - A melhor diretora do ano é dubladora da Mulher-Gato
05/09/05
Escrito por: David Denis Lobão e Odair Stefoni
Editado por: Danilo Saraiva

Irmã da atriz Elaine Cristina (Conceição de O Direito de Nascer), a dubladora Gilmara Sanches nasceu em São Paulo e tem em seu currículo importantes novelas, sejam elas de rádio, fotográficas ou de televisão.

O sucesso da atriz é tanto que seu nome encontra-se na "Calçada da Fama Virtual" do Globo.com e no site IMDB de banco de dados internacional de atores. Entre seus principais trabalhos na tv, destaca-se Meu Rico Português (Loreta) , Betão Ronca Ferro, A Menina do Veleiro Azul (Denise), Sangue do Meu Sangue (Solange), Os Diabólicos e Turbilhão (Simone). "Ela marcou época na televisão, era admirada pelas meninas e fascinava os rapazes", explica a publicitária Ida Telhada, 62 anos.

Hoje, Gilmara Sanches está afastada do vídeo, mas não da carreira artística. Diretora de dublagem, passou por suas mãos obras como Sakura Wars, Cãezinhos de sorte, Kaleidostar, Tartarugas Ninjas e Kirby. Como dubladora destacam-se trabalhos como Sailor Mercúrio (Sailor Moon), Vidente (Kirby), Marin de Águia (Cavaleiros do Zodíaco - Gota Mágica), Li Kouran (Sakura Wars) e Lois Lane (Superman - A série animada).

Gilmara tem inúmeros fãs atualmente, fãs de animes e mangás que não esquecem seu trabalho e valorizam sua atuação como Marin e Sailor Mercúrio. Tal fato já lhe rendeu prêmios. Em 2004 foi indicada e finalista ao segundo Prêmio Yamato como atriz coadjuvante. Depois ganhou um prêmio especial pela sua atuação em Cavaleiros do Zodíaco durante o primeiro Anime Fantasy. E neste ano foi consagrada a melhor diretora do ano, levando o Oscar da Dublagem.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva do OhaYO!, com a diretora de dublagem da Centauro e uma mensagem especial dela para os fãs agradecendo o prêmio.

Entrevista exclusiva com Gilmara Sanches

Oscar da Dublagem - Você já está no ramo da dublagem há bastante tempo. Você se sabe quantos personagens você fez? Você se lembra de algum? Fale um pouco sobre sua carreira.
Gilmara Sanches - Eu comecei a dublar com onze anos de idade. Comecei fazendo um seriado para televisão que chamava "Papai Sabe Tudo". Eu fazia uma das crianças. Junto com isso, eu também fazia as novelas da TV Record e seriados como "A Turma do Sete", "Fiorela" e "Mandraque". Sempre fazendo crianças. E fui crescendo fazendo novelas na rádio São Paulo e na TV Record e dublando. Tenho no total de 40 a 42 anos de dublagem. Comecei com as crianças e depois comecei estrelando os filmes. Aqui em São Paulo, eu que dublo a Mulher Gato. Fiz muitos longas-metragens e muitos desenhos. Nem me recordo mais dos personagens, porque cada dia a gente tem um trabalho diferente em mãos. Então, a gente acaba esquecendo muita coisa. Na época que as séries japonesas surgiram, eu era garota. Adorava o "Nacional Kid". Cresci gostando de "Nacional Kid", meu irmão também e meu filho também. E até hoje se fala do "Nacional Kid ". Com o tempo, as séries japonesas foram tomando conta. O nosso meio de trabalho atualmente é sustentado em boa parte pelas séries japonesas. Elas são muito bem feitas. E além delas serem muito bem desenhadas e dirigidas, elas tem uma legião de fãs que são muito fiéis. Eu acho isso muito bom. E estes fãs adorando o nosso trabalho. Somos muito reconhecidos por isso. Os fãs de séries japonesas foram os primeiros a reconhecer nosso trabalho. Até então era como se nós não existíssemos. Me sinto muito grata com este reconhecimento.

OD - Todo este reconhecimento começou com a série "Cavaleiros do Zodíaco". É correto afirmar isso?
GS - Sim. Tudo isso começou com os "Cavaleiros do Zodíaco". Inclusive, um dos primeiros trabalhos que eu fiz foi a Marin, dos "Cavaleiros do Zodíaco". Depois eu fiz a Sailor Mercury, da "Sailor Moon".
E agora estou fazendo no "Sakura Wars" a Koran Lin, um personagem que eu tenho certeza que todos vão adorar. Também tenho três personagens no "Kirby": A Vidente; o Tougle, que é o menininho e a mulher do prefeito. Tem também os "Cãezinhos de Sorte", as "Tartarugas Ninja", e muitas outras produções. Eu particularmente gosto muito das produções japonesas. O meu estúdio é um dos privilegiados, porque eu estou com três animes em estúdio. Estou começando o "Kaleidostar", além do "Kirby" e do "Sakura Wars".

OD - Fale um pouco sobre a dublagem de "Sakura Wars"
GS - A Sakura é uma menina muito meiga. Mas ela é uma guerreira; ela é muito forte. E atrás dela, vem outras guerreiras, lutando sempre contra o mal para que predomine o bem. Cada vez que entra uma série japonesa no meu estúdio, eu fico muito feliz. Principalmente desta legião de fãs. Eu sou muito grata ao Anime Friends e aos fãs.

OD - Apesar de ser a dubladora original da Marin, você acabou não participando da redublagem e muita gente tirou conclusões precipitadas. Você não teve uma boa oportunidade de se expressar ainda. Fale o que aconteceu com a segunda Dublagem dos Cavaleiros.
GS - Aconteceu assim: eu recebi o convite através de um colega de trabalho. Ele veio e perguntou se eu queria refazer a Marin, e eu respondi que certamente faria, contanto que houvesse uma disponibilidade de horários, porque eu sou diretora, e trabalho os três períodos; manhã, tarde e noite. Pedi para que fosse feito então de final de semana, porque chegou uma época que eu não podia parar. Era justamente a época que esta redublagem estava entrando na Álamo. Eu estava com os Cãezinhos, com o Kirby, com as Tartarugas. Tudo dentro do meu estúdio. Por isso não dava para eu sair daqui [da Centauro] para ir na Álamo dublar. A Álamo me telefonou e eles foram muito pacientes, muito legais comigo, mas eu acabei não podendo fazer, porque eu não poderia estar ali presente. Eu achei melhor dizer o que realmente estava acontecendo, do que pegar a responsabilidade e não poder cumprir depois. Mas eu fique muito triste de não poder fazer. Carreguei o sucesso da Marin desde o começo até terminar de dublar a série. A Sailor Mercury, da "Sailor Moon", já foi diferente. Nesta oportunidade, eu poderia ter feito a personagens nas novas fases. Mas eu não fui convidada. Fui substituída e fiquei muito chateada. Colocaram uma outra pessoa no meu lugar, e eu só vim a saber depois, e fiquei muito chateada com a pessoa que me substituiu. Ela deveria ter me avisado que estava fazendo este papel. Mas acabou ficando por isso mesmo. É uma falta de ética profissional. A Marin e a Sailor Mercury foram papéis maravilhosos.

OD - O que você acha destes eventos de Animes e Mangás?
GS - Eu acho maravilhoso. Dentro da dublagem, nós não temos muito reconhecimento. Se não fosse o Anime Friends fazendo isso [o Oscar da Dublagem], nós seriamos totalmente esquecidos, porque a dublagem é posta de lado. E nós, dubladores, muitas vezes temos condições para melhorar os trabalhos, porque senão, muita gente não ia entender o que se passa nas produções. Eu fico muito triste em dizer isso, mas nosso país tem um grande número de analfabetos. Se deixar legenda, essas pessoas não têm como ler. E as pessoas mais velhas não têm mais reflexo para ler legenda. E os cegos? Como eles fazem? Já imaginou um desenho japonês com toda a ação que tem, você ter que ler legenda? Não dá para acompanhar tudo. Nós não só preservamos nossa cultura, como também permitimos que muita gente que não tenha condições de ler legenda consiga entender. É um trabalho muito difícil. Mas nós não temos reconhecimento. Eu acho que este evento é muito positivo. Torço para que realmente vá para frente. Acho sensacional este movimento para premiar os diretores, dubladores e técnicos. Acho isso muito bom, porque nós somos lembrados. E com muito gosto nós vamos. Só não fui à primeira vez que fui convidada. Inclusive, se não me engano, foi para receber um prêmio pela Marin, porque nesta época tinha uma pessoa doente na minha família. Não pude ir, mas pedi para que trouxessem meu prêmio, e até agora ninguém me entregou nada. Não sei nem com quem ficou.

Outras vezes eu procurei saber, mas me disseram que não tinha nada, aí depois eu soube que teve e que a pessoa que me disse que não tinha, havia ido. Fiquei muito chateada com isso também. Tem muitas coisas estranhas entre algumas pessoas.

OD - Tem alguma curiosidade que tenha acontecido durante sua carreira? Você já foi reconhecida pela sua voz?
GS - Tem uma coisa engraçada... (risos) Na minha secretária eletrônica tinha a mensagem "no momento não posso atender. Deixe seu recado que retorno assim que possível". E a minha filha (risos) foi dizer no colégio que eu fazia a Marin. Meu telefone não parava de tocar. Todos os colegas dela ligavam só para ouvir minha voz na secretária. (risos) Era uma coisa incrível. O telefone não parava de tocar.

OD - Fala um pouco sobre o Oscar da Dublagem e o prêmio de melhor diretora do ano
GS - Eu, Gilmara Sanchez, quero ter o prazer de poder dividir o meu prêmio deste ano, com o grande ator Orlando Drummond, um dos maiores dubladores brasileiros, pela sua generosidade, educação, respeito e dedicação com os dubladores paulistas. Suas palavras sinceras e reconhecidas com relação ao ator paulista muito me emocionaram.

Um ator como você, Orlando, vencedor no teatro, TV, cinema e na dublagem, jamais poderia agir diferente. Diferentes em atitudes e falta de educação, são aqueles que jamais se viram frente a uma câmera, falando e interpretando ao vivo, jamais se viram perante uma platéia sendo aplaudido e reconhecido pelo seu trabalho, e que injustamente, só aprenderem a falar meu da vida dos outros, criticar trabalhos e "sincronizar". E isso infelizmente tem acontecido muito dentro da nossa profissão. Não quero entrar mais no assunto porque, na verdade, isso nos dói muito, a nós paulistas. Temos sido alvo de alguns comentários nada agradáveis, mas gostaríamos de esquecer.

Pedi que meu técnico de som fosse portador destas palavras a grande atriz Mônica Rossi, para que ela fizesse a gentileza de lhe transmitir, mas parece que ele fez uma tremenda confusão!

De coração, peço que aceite esta minha homenagem, e muito obrigado por tudo. Te amo muito!

 

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