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Selo do Leitor: As Tribos Urbanas Japonesas - 3ª Parte
05/04/2006
Escrito por: Caio de Souza Paula
Editado por: David Denis Lobão

A Rebeldia pela Extravagância – Parte 3

Como falamos em nossas matérias anteriores são muitas as tribos urbanas do Japão atualmente, cada uma com sua respectiva maneira de se vestir, atitude e estilo musical. Mas quase todos os jovens buscam o mesmo objetivo: desfilar, chamar a atenção da sociedade e, principalmente, ser fotografado por uma das inúmeras revistas japonesas já especializadas em publicar e divulgar a moda extravagante da juventude nipônica.

O Portal OhaYO! já apresentou para vocês alguns desses estilos, como o Gothic Lolita, e hoje trás um pouco mais sobre um que cativou os cosplayers brasileiros: o Visual Kei. Cosplayers experientes como a desenhista Bárbara Linhares (Suu Hideto) aderiram a novidade, junto com novatas como Tatiane Nikitin Conheça então a mais nova tribo urbana japonesa, ou melhor, brasileira.

A Lei do Exagero 3 – Visual Kei

Assim que as bandas de Visual Kei começaram a fazer sucesso pelo Japão, elas reduziram, por um certo período de tempo, os fãs de outros tipos de músicas e estilos entre os jovens japoneses a quase zero. Visual Kei é um estilo de bandas que dão valor tanto ao conteúdo e capacidade expressiva de sua música quanto à mega-expressividade de suas roupas, maquiagens, cabelos e apresentações. O estilo compreende bandas com as mais diversas influências – do rock pesado ao pop clássico, do techno e synth pop, ao punk rock. No entanto, as bandas mais originais são aquelas que conseguem, com sucesso, mixar estilos completamente diferentes em um mesmo impulso musical, e que deram origem ao J-rock e ao J-Pop.

Aline Kami e Bárbara Babu [www.fotolog.com/stillhet/] são duas fãs irremediáveis de Visual Kei. Ao serem indagadas sobre o quê há de tão especial em seu estilo musical, elas respondem: "A diferença do J-rock para as bandas mais tradicionais de Glam Rock dos anos 70, como o Kiss, por exemplo? Bem, para começar é muito mais... extremo! E é muito mais experimental... tem uma variação na música que não se encontra no rock tradicional. Não é apenas a música, é toda uma declaração de que se tem personalidade o suficiente para se poder ser quem quiser, do modo que quiser! E a música consegue fazer um misto entre diversos estilos diferentes sem se deixar rotular facilmente!"

O mundo Visual Kei, nos eventos brasileiros de animação, no entanto, vêm se confundindo um pouco com o mundo do cosplay. Cada vez mais surgem cosplayers de grandes músicos do J-Rock e J-Pop. Perguntamos à Aline e Babu se consideram isso um certo tipo de divulgação proveitosa para o gênero: "Eu sempre encaro divulgação com um misto de felicidade por as coisas se tornarem mais fáceis de achar e de temor que se tornem apenas mais cultura pop descartável" - responde Babu. "E a divulgação aqui é mais pelo visual e a vontade de aparecer e dizer 'eu sou melhor do que você porque escuto isso', e não por realmente gostar do estilo. Acho isso um pouco deprimente, quando dizem que você é só uma modinha só por gostar de ‘Malice Mizer’, por exemplo", completa Aline.

"De certo modo eu não vejo nada contra você usar um visual só porque você achou interessante. Valor estético é perfeitamente aceitável como motivo para você gostar de uma coisa... contanto que você diga isso ao invés de fingir que tem todo um interesse maior por detrás! O que incomoda é que nem ao menos tenta levar na brincadeira... faz porque quer aparecer e depois fala mal dos músicos porque eles fazem isso também!”.

"Tem gente que eu conheço e que faz cosplay de Visual Kei porque gosta mesmo! Mas só por você não fazer cosplay também, te olham com aquela cara de ‘você é inferior a mim’! Mas também tem gente que é um pouco mais simpático e que fala que gosta, usa o visual, mas não conhece nada a respeito", completa, mais uma vez, Aline.

"Uma coisa muito comum no mundo da música é essa competição adolescente de quem é fã de verdade e quem não é, quem conhece as coisas realmente obscuras ou não, quem é poser ou não... Mas isso tudo é bobagem. o que define uma pessoa não é esse tipo de gosto, mas suas atitudes e pensamentos. As pessoas não deveriam ter que sentir-se pressionadas para gostarem exatamente de um modo ou de outro para serem aceitas" - conclui Bárbara.

É isso aí, definitivamente o Nihon (Japão) é aqui. Nas próximas partes do nosso especial você vai conhecer os Fruits, os Uruhara e muito mais! E ainda vai descobrir sobre pessoas e ateliês que estão trabalhando e criando coisas exclusivamente para esse segmento dos jovens que cresce cada vez mais no Brasil exclusivamente aqui no Portal OhaYO!, até mais.

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Sobre o autor:
Caio de Souza Paula venceu os concursos de ilustração e roteiro Yaoi do Anime Dreams, é membro do grupo Cosparódia, coordenador da atração Teatro Cosplay no Anime Friends e adepto do estilo Visual Kei.

Fotos:
Arquivo Pessoal / Divulgação / Arquivo OhaYO!

Duvidas: ohayo@yamatocorp.com.br


A estrela dos fotologs Keis:
A desenhista Bárbara Linhares

A cosplayer Tatiana Nikitin

A estudante Aline de Osasco (SP)

Vinil é um dos materiais utilizados

As fotos são fundamentais na tribo

A maquiagem acompanha o visual

Eventos adotam o Visual Key: Anime Paradise (Rio de Janeiro)
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