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O cosplayer do mês: Representante do nordeste e do tokusatsu!
08/06/2006
Escrito por: David Denis Lobão
Editado por: David Denis Lobão
Ryoma, ou melhor Humberto Meireles, é o primeiro cosplayer de Tokusatsu (seriados japoneses) a aparecer na capa do Portal OhaYO!. Moderador do fórum Tokusatsu.com.br ele foi um dos destaques do último Anime Friends com seu cosplay de DekaBlue e graças a ele venceu a promoção que elege o nosso cosplayer do mês. Morador de Fortaleza, ele nos conta um pouco na Conexão OhaYO! como é ser um cosplayer no nordestes brasileiro, então com vocês Ryoma.

O nosso cosplayer do mês

Os fãs de tokusatsus ajudaram a lotar o flog Maggie Cosplays de comentários para que Ryoma pudesse seguir para a próxima fase do concurso que elege todo mês o cosplayer brasileiro que será a capa do mês do OhaYO! e ainda ganhará uma vaga como palestrante no Anime Friends 2006, o que inclui um ingresso grátis para o evento.

Na segunda fase, onde quem ganha mais votos na comunidade do flog Maggie Cosplay no Orkut é declarado vencedor, o cosplayer ganhou com uma pequena diferença do segundo colocado, mas é o grande vencedor do mês (os números da votação você confere no final da matéria). Na entrevista a seguir você confere um pouco mais sobre a vida do nosso “Cosplayer do mês”. Ou seria “Rei do mês”?


Entrevista exclusiva com Humberto Meireles, o Ryoma

OhaYO! - Como você virou um cosplayer? Quando teve a idéia de fazer o primeiro cosplay?

Ryoma - Tudo começou num evento em 2001, quando eu vi uma Sailor Urano ao vivo. E todo mundo aplaudindo as pernas da moça enquanto ela se apresentava. Daí eu pensei, por que não? Mas fiquei só no pensamento mesmo, não sabia nada desse mundo, não sabia nem como sair do lugar. Até que em julho de 2002 um grupo de amigos fãs de J-rock me chamou pra fazer visual. Nesse mesmo dia abriram uma loja de perucas num shopping perto da minha casa. Na mesma hora, corri atrás de uma peruca azul e sobretudo preto, óculos azuis e peguei minhas velhas luvas de ciclista. E fiz meu “primeiro” cosplay. Na verdade não era um cosplay de verdade, apenas um visual genérico sem sentido. Mas fez sucesso e chamou atenção. Eu morria de rir com a reação dos amigos ao saberem que era eu atrás da peruca. Ou quando uma dona perguntou de que anime eu era e eu respondi que era um personagem genérico clonado em laboratório. Já o primeiro cosplay propriamente dito foi em dezembro de 2002. Nessa época eu já era muito apaixonado por “Prince of Tennis” e meu amigo, que já havia feito cosplay de Setsuna de “The Last Blade” e estava planejando fazer o Sol Badguy perguntou se eu não gostaria de fazer o uniforme do Seishun Gakuen. Não pensei duas vezes e aceitei na hora. Formamos um grupo completo de “Prince of Tennis” no evento. Porém ninguém se preocupou em assumir um personagem propriamente dito. Foi mais como “somos membros do clube de tennis Seigaku” E pimba. Esse foi meu primeiro cosplay de verdade. Só que depois eu resolvi assumir um personagem mesmo, fiz uma bandana e transformei um simples jogador de Seigaku em Kaoru Kaido.

OhaYO! - É complicado ser um cosplayer no nordeste? Como é montar o cosplay na sua região?

Ryoma - Mais ou menos, o que complica mesmo é a mentalidade das pessoas. O pessoal daqui não investe muito, alias até ano passado, não investiam quase nada. E com exceção minha e de mais alguns, sempre faziam cosplays porcos. Todos achavam que gastar mais de 50 reais em cosplay era um absurdo. Felizmente isso está mudando, e cada vez mais aparecem cosplayers de respeito por aqui. E vira e mexe aparece um cosplay mais que perfeito por aqui. Eu já vi uma May de “Guilty Gear” e uma Misuzu de “Air” que mais parecem terem vindo do Japão para fazer cosplay aqui. E eu gosto tanto de “Air” e me empolguei tanto que acabei assustando a moça quando pedi uma foto. (risos) É verdade que aqui é um pouco mais complicado achar material sim. Mas é tudo uma questão de procurar um pouco mais. Quem procura acha. Agora quando realmente não tem como achar aquela peruca ou tecido por aqui, é só comprar de outro estado. Não chega a ser um problema. Pelo menos não comigo. E sem falar que temos ótimos talentos por aqui. Muita gente se impressionou com meu capacete do DekaBlue e com umas camisas pintadas a mão que meu amigo Adriano fez, como podem ver numa das fotos. Eles perguntaram em que bairro de São Paulo eu consegui essas coisas e eu respondi: “Foi mal tio, é matéria-prima cearense.”

OhaYO! - Em que eventos locais costuma usar suas roupas? Viaja a eventos nacionais em outros estados? Se sim, como é esta viagem?

Ryoma - Nos eventos de grande porte que tem por aqui. No caso são o Pero, o Sana e o Tac. O visual de J-Rock eu fiz na segunda edição do Sana e o primeiro cosplay foi na quarta edição do Pero. E até 2001 eu não tinha o menor interesse em viajar para outros estados nem conhecer outros eventos. Nenhum interesse mesmo. É mole? E vou ser sincero. O que me atraiu pros eventos de foras foram... As mulheres. Sabe como é, o lado tarado apitou na hora. (risos) Então... Alguns amigos foram no Animecon 2002 e eu só conseguia babar pelas fotos das cosplayers que eles trouxeram, incluindo um grupo de “Zillion”, meu anime favorito, sem falar dos inúmeros comentários e elogios do evento e da simpatia do pessoal de Sampa. Isso foi despertando meu interesse aos poucos e no ano seguinte.... Me taquei daqui pra São Paulo. Sozinho. De ônibus. Os 3 dias mais empolgantes que eu já tive, exceto pelo banheiro do ônibus lá pelo segundo dia de viagem. Em 2004 fui de ônibus novamente, mas dessa vez acompanhado. E nada melhor que fazer bagunça em 3 dias de viagem, ainda mais quando o ônibus quebra no meio do caminho e passamos a noite no meio do mato. Em 2005 fui de avião... Eu ainda acho bem mais divertido viajar de ônibus, o problema é perder 6 dias das férias na estrada. Nem vale tanto a pena assim.

OhaYO! - Quais cosplays você mais gostou de fazer? Também são os que deram mais trabalho?

Ryoma - O uniforme de Seigaku é especial porque alem de ser meu primeiro cosplay, ele foi muito bem elogiado. O DekaBlue porque passei por um momento muito engraçado com ele. Em um evento, uma criancinha acompanhada do pai puxou minha bota e quando eu abaixei pra ver, ele falou “Você é meu herói, ‘Power Ranger’”. Ok, a vontade que eu tive foi de chutar o moleque por ele ter me xingado mas... Estava emocionado demais pra pensar nisso. E o coitadinho não tem culpa se as emissoras brasileiras preferem exibir porcaria de plágios que as séries originais. E o Takuto porque foi o cosplay mais paparicado pelas garotas. Me senti um galã nessa hora. “Yeah baby Yeah”. Até uma garota que eu não conhecia postou uma foto do meu cosplay de Takuto no fotolog dela dizendo o quanto gostava do personagem. Muito gratificante. E de todos, apenas o DekaBlue deu realmente trabalho, tanto que demorei mais de 1 ano para termina-lo.

OhaYO! - Você ganhou a promoção com um cosplay de tokusatsu (DekaBlue). É raro ver cosplays de Tokusatsu bons. Como você resolveu fazer um?

Ryoma - É muito simples. Eu amo tokusatsu. Mais do que animes. Coloque um Tokusatsu mal feito e um anime (pode ser até erótico) na minha frente que mesmo assim vou me interessar mais pelo Toku. Minha infância foi totalmente a base de Tokusatsu (e eu digo tudo, até de “Patrine” eu gosto), e um pouquinho de animes como “Zillion”, “Saber Rider” e “Honey Honey”. Quando pivete, eu sempre usava aquelas fantasias de “Jaspion”, “Jiban” e “Changeman” nos carnavais. E essa vontade não parou depois que cresci. Logo, eu sempre quis fazer uma roupa do meu gênero favorito que é o Super Sentai. Mas por onde começar, quem fazer? Eu planejava fazer um ChangePegasus ou BlueFlash mas na época, estava ficando cada vez mais fácil ter acesso a episódios de Sentai originais pela internet. E graças a isso eu pude, finalmente depois de anos, acompanhar uma série original do começo ao fim (“Dekaranger”). Desde “Google Five” eu não via um sentai original. E de cara me identifiquei com o personagem Hoji, o DekaBlue. E decidi, iria fazer cosplay dele nem que tivesse que me prostituir. Mas foi muito trabalhoso. Comecei a fazê-lo sem planejamento... No final, eu tinha a roupa pronta, mas não tinha, nem sabia, como fazer os acessórios, principalmente o capacete. Fiquei praticamente 10 meses com o cosplay parado até conhecer quem pudesse me ajudar a terminá-lo. Ufa... Quando eu finalmente usei o cosplay pela primeira vez fui aplaudido assim que sai do banheiro. E fui considerado o melhor cosplay do evento duas vezes. No Sana e no Tac. E olha que eu nem achava isso, tinha um cosplay de “Kamen Rider Black” que eu achava bem melhor que o meu.

OhaYO! - Não é complicado usar uma roupa assim em um evento lotado como o Anime Friends? Não passa muito calor na armadura?

Ryoma - Na verdade não. Eu sou um hot cool guy. Ta, brincadeira.... Eu sou cearense, calor aqui é a coisa mais natural do mundo. Já estou acostumado. E com o clima de São Paulo, usar o cosplay era como usar um casaco. Tranqüilo demais. Só ficava com o rosto suado. Até para me vestir era moleza, não precisava de ajuda para isso. Mas caminhar com o cosplay era bastante complicado. Porque o campo de visão do capacete é muito limitado, e eu tinha que andar bem devagar pra não pisar no pé de alguém nem tropeçar. E também por isso, eu acabava ignorando algumas pessoas que gritavam por mim, só conseguia que alguém estava me chamando quando me puxavam. Complicado mesmo foi usar o Takuto, pq ele usa asas e rabo, e não tinha como circular sem que minhas asas acabassem dobradas e amassadas...Ou tivesse o rabo pisado... Isto me desanimou muito. Acho que não vou repeti-lo esse ano por esse motivo. Ou até conseguir fazer uma franja melhor, a que eu usava parecia mais o M de McDonalds.

OhaYO! - E como é fazer cosplays de produções menos conhecidas como “Prince of Tennis”? A sensação de ser menos conhecido é melhor ou pior?

Ryoma - Xii... Complicado responder isso. Porque a primeira vez que fui a um evento em Sampa, com o cosplay de “Prince of Tennis”, fui reconhecido assim que pisei fora do metro. Tente imaginar você usando seu primeiro cosplay em uma cidade onde ninguém te conhece e você é reconhecido antes mesmo de chegar ao evento. E bem, nenhum dos cosplays que eu fiz é famoso. Mesmo assim as pessoas me paravam, tiravam foto, e até pediam autógrafos, coisa que até hoje não entendi. Enfim, a sensação de ser menos conhecido praticamente não existia. E pelo contrario, isso era uma vantagem. Pois muitas vezes os elogios que eu recebia tinham haver com a falta de popularidade: “Parabéns pela originalidade”, “Que legal, você não é daqueles que só fazem cosplays famosos”, “Ai que bom, um fã de ‘Full Moon’, não sabia que existiam por aqui”, “Que bom que você não faz cosplay por modinha” e por ai vai... A única sensação ruim e ter seu cosplay de sentai chamado de “Power Ranger”. É chato ver o seu personagem de um cara sério, orgulhoso e que coloca profissionalismo e paixão acima de tudo ser confundido com um personagem emo, que se acha melhor que os outros, mas é revoltado porque não é o líder. Mas paciência. Agora ano que vem quando eu fizer meu primeiro cosplay “famoso” ai sim vou poder saber se a sensação é diferente. Até lá, vamos curtindo né? “Suppa Cool! Parfect!”

O número de votos de cada finalistas deste mês foi:

Vingador: 16
Yomi Mizuhara: 4
Desespero: 64
Kurama: 8
Dekablue: 77
Arashi: 33
Kakyuu: 4

Participe da votação do mês que vem em:

www.fotolog.com/maggie_cosplays


Para conhecer melhor o cosplayer visite o seu Fotolog, AQUI!
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