| Polêmico, talentoso, extravagante, popular... Amem ou odeiem, Jefferson Melo, com seus 22 anos, é o apresentador de eventos de animes e mangás mais conhecido do país e junto com a apresentadora Mariama Monteiro (Plu) é quem possui mais fãs no momento.
No Cosplaycon de 2005, o rapaz teve a difícil tarefa de substituir a apresentadora Sandra Akemi (que tinha viajado pro Japão) no concurso tradicional de cosplay do evento. O sucesso foi imediato e Jefferson garantiu sua vaga para o palco do Anime Friends 2006.
Na entrevista abaixo, o virginiano Jeff (ou Pen Pen como também é conhecido) fala tudo sobre seus cosplays, seus prêmios, sua vida e principalmente, seus planos. Sejam bem vindos a uma Conexão OhaYO! Especial – Nos Bastidores do Anime Friends.
Nos bastidores do Anime Friends - Cosplay sem censura
OhaYO! - Como você começou a freqüentar eventos de anime e mangá?
Jefferson Melo - Eu comecei a freqüentar eventos de anime e manga desde MangaCon II em 1997. Acho que como várias pessoas naquela época, nosso principal meio de conseguir informações sobre animes, mangas e eventos era com revistas especializadas. Por elas que conheci diversos títulos de anime e manga e por elas também que conheci o que era cosplay.
OhaYO! - E fazer cosplays?
Jefferson Melo - De quando eu vi a primeira vez a imagem de um cosplayer até o primeiro cosplay foi um pulo. Comecei em 1998 com um personagem simples, mas que eu gostava muito – o Koenma adulto de “Yu Yu Hakusho”.
Naquela época (já estou falando que nem velho) o hobbie não era ainda muito conhecido ou divulgado, então, comparado com hoje, ainda haviam poucos cosplayers. Aliás, muitos dos cosplayers daqueles tempos já se “aposentaram”.
OhaYO! - Qual foi o cosplay mais complicado que você já fez? E o mais fácil?
Jefferson Melo - Todos os meus cosplays foram quase como um parto. Uns devido ao tempo escasso, outros por causa de detalhes, outros pela pesquisa em si... Acho que um dos que mais deu trabalho foi o Kokkyou do manga “Wish” do Clamp. Ele é um personagem secundário e eu lembro que pouquíssimas pessoas o reconheceram, mas ainda assim eu gostei muito. Ele tinha asas e um dos olhos era branco, na verdade ele não tinha uma as pupilas. Houveram outros bem complicados, mas acho que não teve nenhum muito fácil não. Alguns foram mais simples. O Hiro-kun do jogo “Bust a Move” foi talvez o menos complexo porque algumas peças eram meio de armário, mas ainda assim o cabelo e alguns detalhes complicaram a vida.
OhaYO! - O que você considera ser um bom e mal cosplayer atualmente?
Jefferson Melo - Pois é... Depois do boom de grandes eventos no Brasil inteiro o número de cosplayers aumentou muito. Eu ainda sou dos tradicionalistas... Pra mim, cosplayer bom é aquele que faz cosplay para se divertir. Que faz o personagem que gosta, que é criativo, que incorpora o personagem. Grandes produções, muito dinheiro envolvido, prêmios... Tudo isso pode encher os olhos dos novatos, mas essa não é a essência de fazer cosplay. Eu mesmo não sou muito a favor de premiação. Concursos são legais para incentivar mais pessoas, mas acho que no final acaba acontecendo o contrário: Os iniciantes ficam inibidos e acham que cosplay é apenas para uns poucos escolhidos. O que não é verdade.
Mal cosplayer? Justamente o oposto. Aquele que faz cosplay pensando em ganhar prêmios ou concursos.
OhaYO! - Como foi à experiência de vencer o Anime Friends 2004? Como lidou com as criticas na época do tipo "não mereceu" ou “ganhou porque é amigo da coordenadora”?
Jefferson Melo - Tudo relacionado a essa premiação foi muito engraçado. Primeiro porque meu personagem, o Gogo de “Final Fantasy VI” foi feito em dois dias e só com retalhos e coisas que eu tinha em casa. No final das contas eu gastei só R$3 com umas peninhas para ele. Outra coisa marcante foi o grupo inteiro de “Final Fantasy VI” que eu acabei entrando de gaiato porque adoro esse jogo.
No final das contas eu nem ia me apresentar individual, só em grupo. Mas como havia um limite de pessoas no palco e digamos que meu personagem é o mais secundário de todos do jogo, eu acabei ficando de lado. Então, já que tinha feito cosplay, resolvi por brincadeira me apresentar sozinho. Tudo foi bolado na hora e até a rosa que eu usei na minha apresentação foi emprestada de um cosplayer de Vega que estava na fila. Só a música do Gogo eu tinha, ‘just in case’. Eu gostei muito da apresentação, mas logo depois tirei o cosplay e fui embora. Nem fui no outro dia no evento.
No domingo, me ligam falando que eu tinha ganhado o primeiro lugar e levado em Playstation 2. Eu achei que era brincadeira, que estavam zoando com a minha cara.
Fiquei muito feliz. O prêmio foi legal, mas o melhor foi a satisfação de ter um cosplay reconhecido. Especialmente um que foi tão barato. Acho que foi um começo pra provar que mais importante que roupa é uma apresentação legal, diferente e relacionada com o personagem. Muita gente esquece que cosplay não é só fantasia e sim interpretação também. Pra mim, gente que só usa roupa e não está nem aí pra apresentação ou para confecção não é cosplayer, é cabide.
Agora, quanto às críticas, bem... Isso é bem comum, não? Todos os concursos acabam gerando alguma dúvida. As críticas quanto a meu cosplay e a premiação foram poucas comparadas a casos mais recentes. Aliás, uma ou outra pessoa contestou o resultado. Acusar de ser protegido de coordenador foi realmente leviano... Afinal, eu conheço muita gente nesse meio e não é por isso que eu sou favorecido. Aceitei as críticas, mas descordei porque sabia que não tinham fundamento nenhum. O fato é que, infelizmente, nesse meio existe muita inveja.
OhaYO! - Como você se tornou apresentador destes eventos?
Jefferson Melo - Eu fui staff do Animecon desde sua segunda edição, aquela com a Kira do “Band Kids”, lembra? Inicialmente eu ficaria na portaria, que estava uma loucura, gente usando megafone pra tentar acalmar as pessoas, Kira mandando beijinhos, uma coisa de louco. Não passou nem quinze minutos a Karina Ceoni, a eterna ‘San Raposa’ pra mim, me convidou pra ajudar na parte dos cosplayers. De ajudante a assistente de palco foi um pulinho. E de assistente de palco a apresentador foi mais um dia só. Poxa, faz tempo isso não? Deixa eu pensar... Desde 2000. Ok, não é tanto tempo assim.
Bom, com o AnimeCon comecei a ser convidado para apresentar diversos eventos. Olha, posso dizer que já dei uma apresentadinha na maioria dos eventos de São Paulo. (risos)
Em 2001 fui para Campinas por causa da faculdade e acabei apresentando diversos eventos no interior também. Ou seja, desde o começo sempre apresentei o AnimeCon e diversos eventos paralelos (um dos únicos eventos de São Paulo que Jeff ainda não apresentou é o Anime Friends, que ele estréia em julho).
OhaYO! - Quais boas e más experiências ganhou com isso?
Jefferson Melo - Todas as experiências foram enriquecedoras. Sabe, nos tempos antigos da MangaCon e Anime Summer Fest, apresentador era só o cara que chamava as pessoas no palco. Faltava interação entre ele e a platéia. Acho que posso dizer que ajudei a mudar um pouco disso, não? Temos diversos apresentadores talentosos agora e diversos bons eventos para serem apresentados.
Dei várias palestras, cursos, preparei atividades, fui coordenador... Nesses 6 ou 7 anos eu fiz muito coisa nessa área. E muitos cosplays também.
Já apresentei com muita gente legal também. Com a Plu em alguns eventos, com a Karen no primeiro FanmixCon, com o Nettão e a San Raposa no AnimeCon, como Leonardo Veloso no AnimeFestival BH, com a Rachel Baptista no AVEX. Todas pessoas competentes e que rolou uma química legal no palco. O que é muito importante. E claro que não posso esquecer de falar que apresentei com a digníssima Sabrina Sato. (risos) Foi uma experiência... diferente. Ela não manjava nada de anime, mas improvisar com ela foi divertido. Aparecer no TV Fama usando vinil, penas e com o umbigo de fora que foi meio estranho.
Me meti numas barcas furadas também. Evento sem palco, evento sem público interessado, evento sem evento. (risos) Mas gostei da maioria. Aliás, adoro eventos pequenos. Neles você tem um contato ainda maior com o público, com o pessoal que gosta do meu trabalho. É muito bacana também.
Mas acho que as piores experiências que tive são mesmo com organizadores... Apesar dos eventos terem crescidos em boa parte por causa dos cosplayers e apresentações, muitos organizadores ainda vêem o palco e principalmente os apresentadores com desdém, sem importância. Apresentar não é fácil e apresentadores não são substituídos com facilidade. Um bom evento e um bom concurso de cosplay depende muito dos apresentadores também. Acho que é hora dos organizadores darem o devido valor a nossa categoria.
OhaYO! - Você foi o primeiro homem a apresentar concursos de cosplay no Brasil e o único que continua firme e forte até hoje na função. Como é ser o único em uma área dominada por mulheres? Qual o segredo?
Jefferson Melo - Eu fui o único durante um tempo, acho que não sou mais. (risos) Bom, numa platéia onde a maioria do público é homem é mais fácil ser uma apresentadora do que apresentador. Nem precisa falar os motivos né? Acho que sou apresentador até hoje porque, além de gostar do que faço, eu sempre vejo os eventos como um trabalho, recebendo ou não. Eu sou muito profissional quando sou chamado para apresentar. Em cima do palco posso estar falando besteira e brincando com o pessoal, mas no ‘backstage’ o apresentador tem de dar opiniões, colaborar, saber o que está acontecendo em volta do palco, na fila, nas inscrições. Se o palco está ruim o público cobra de quem está lá em cima em primeiro lugar. Acho que nisso sou muito preocupado. E também tem aquela coisa... No palco eu sou uma pessoa totalmente diferente do que sou fora dele. Lá eu sou um animador. Tenho que deixar a galera animada para uma ou duas horas de concurso. Estou lá pra ser zoado mesmo. Sou balcão de informações, vítima pra ficar morrendo nas apresentações... Ás vezes tenho que sair correndo com o cosplayer pelo palco segurando o microfone ou dando cambalhota. Acho que o segredo é ser versátil, gostar muito do que faz e estar sempre consciente de que aquilo é, sobretudo, um trabalho. Profissionalismo é sempre o mais importante.
OhaYO! - Você hoje em dia tem fãs e comunidade no Orkut. Sua popularidade cresceu tanto que você não tem censuras e nem restrições no palco. Como é lidar com a “fama” no meio do anime e manga brasileiro?
Jefferson Melo - Eu não sou tão famoso assim. Eu devo ser mais conhecido por organizadores do que público. Eu estou sempre mudando de cosplay, usando maquiagem, máscara... Às vezes nem sabem que eu que estou lá em cima, mas é bem legal ser reconhecido. Ter o trabalho reconhecido é sempre muito legal. Ganho meu dia com um ‘scrap’ bacana no orkut ou um e-mail elogiando as apresentações.
Acho que eu nunca tive censura porque eu sempre soube dosar. Eu vivo no limite no palco. Falo bobagem, mas na medida. Ninguém quer ver um cara certinho no palco, mas também não dá pra ficar xingando a avó do ‘mané’ da platéia. Sou brincalhão mesmo, sempre fui.
Já organizei ginástica no palco, gincanas, já lavei até roupa. Toda forma de mico é pouca. (risos).
Claro que sempre tem aquele cara ou garota que passa do limite. Seja com palavrão ou fora do palco, mas o negócio é relevar. Acima de um ou dois está uma ou duas mil pessoas pra prestigiar o evento.
Mas fama é sempre bom! (risos) Na verdade tudo isso é meio relativo né? Afinal, eventos são uns cinco ou seis por ano. O outros 360 dias eu sou uma pessoa normal. Meu segredo obscuro fica só para os finais de semana de Julho e Janeiro. (risos)
OhaYO! - Como é sua vida fora dos eventos? Como é seu dia a dia?
Jefferson Melo - Por incrível que pareça eu tenho uma vida fora de eventos e cosplays. Sabia que muita gente acha que eu vivo de evento? Se soubessem... Eu trabalho e muito.
Eu sou professor de inglês aqui em Campinas no CNA Jardim Aurélia. Além disso, eu dou algumas aulas no Anglo, além de algumas aulas particulares. Meu dia a dia começa bem cedo, lá pelas 5h e só acaba lá pelas 23h, quando eu chego em casa. Vida de professor não é fácil não. É como estar no palco. Você sempre tem uma platéia exigente ali, te cobrando, querendo um professor palhaço, mas que ensine o conteúdo. Em ambos é aquela coisa: Ganha-se mal, mas a diversão é garantida.
Eu fazia letras na Unicamp. Sempre li muito e ainda leio. Aliás, qualquer dia vou ter que sair de casa para os livros ficarem. Eu escrevo bastante também. Quero ser escritor quando crescer.
OhaYO! - Quais são seus planos para 2006. Que eventos vai apresentar pelo país? Quais suas expectativas?
Jefferson Melo - Esse ano muita coisa deve mudar. Infelizmente eu fui demitido do AnimeCon recentemente. Vai ser o primeiro ano desde que comecei a apresentar eventos que não participarei do AnimeCon... Vou ficar com saudades. Aprendi muito lá, fiz muito por lá também. Sempre via todo mundo meio como uma família distante, que se vê uma ou duas vezes por ano, mas, fui dispensado. È uma pena.
Felizmente recebi um convite da Yamato para continuar apresentando seus eventos. Bom, acho que só de saber disso vai ser um ano animado, não? Logo chega a bateria de eventos em julho: O Anime Family no Rio e o Anime Friends em São Paulo. Vou estar em ambos e cheio de projetos.
No sábado do Anime Friends eu estou organizando o teatro cosplay de “Bateman” (versão zoada do personagem “Batman”). Vai ser uma adaptação do “Feira da Fruta”, mas um pouco mais light e com mais vilões, eu adoro vilões!
Além disso devo estar em outros eventos... FanmixCon, Ressaca Friends, CosplayCon. Quem sabe em Belo Horizonte e pelo interior de São Paulo? Onde pintar um convite a gente conversa. Espero também finalizar diversos cosplays esse ano. Em 2005 não pude fazer muitos, mas esse ano a coisa muda.
Pra mim será um ano de mudanças. Deixo, meio triste, um passado que me rendeu muito e espero construir um futuro ainda melhor em eventos a partir desse ano.
Conto com o apoio de todos vocês que freqüentam eventos. Sugestões e críticas são e sempre serão bem vindas. Abração a todos vocês. Até a próxima. Nos vemos no Anime Friends!
-----------------------------------------------------------------------
Fotolog: www.fotolog.com/tinhaumapedra
Comunidade no Orkut: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8034057
CosplayLab: www.cosplaylab.com/cosplayers/detail.asp?memberid=15024
Cosplay.com (incompleto): http://members.cosplay.com/24605/
|

Entrevista Exclusiva com
Jefferson Melo
por:
David Denis Lobão |
 |

"De quando eu vi a primeira vez a imagem de um cosplayer até o primeiro cosplay foi um pulo" |
 |

"Mal cosplayer? Aquele que faz cosplay pensando em ganhar prêmios ou concursos" |
 |

"A Karina Ceoni, me convidou pra ajudar na parte dos cosplayers... de assistente a apresentador" |
 |

"E claro... Apresentei com a digníssima Sabrina Sato. Foi uma experiência... diferente" |
 |

"Desde o começo sempre apresentei o AnimeCon e diversos eventos paralelos" |
 |

"Olha, posso dizer que já dei uma apresentadinha na maioria dos eventos de São Paulo" |
 |

"Se o palco está ruim o público cobra de quem está lá em cima em primeiro lugar" |
 |

"Nos tempos antigos apresentador era só o cara que chamava as pessoas... Faltava interação" |
 |

" Esse ano muita coisa deve mudar... Eu fui demitido do AnimeCon recentemente" |
 |

"Já organizei ginástica no palco... Já lavei até roupa. Toda forma de mico é pouca" |
 |

"Ganho meu dia com um ‘scrap’ bacana no orkut ou um e-mail elogiando as apresentações." |
 |

"Por incrível que pareça eu tenho uma vida fora de eventos e cosplays..." |
 |

"Já apresentei com muita gente legal também... Com a Plu em alguns eventos..."
Fotos: Divulgação / Arquivo Pessoal |
 |
|