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Como parte da nossa série de matérias “OhaYO!
sem preconceito” apresentamos hoje uma entrevista com o jornalista Andre
Fischer falando sobre o fenômeno Yaoi no Brasil. Confira.
O mestre do Yaoi - Andre Fischer
Andre Fischer é o exemplo de homem performático e multimidiático.
Exercendo o jornalismo como colunista da Revista da Folha (Folha de São
Paulo) e de editor do portal Mix Brasil no UOL. Conquistou ao longo de sua carreira
muitos fãs e admiradores que chegam a ir em casas noturnas paulistas como
A Lôca, nos dias em que ele é DJ (sim ele também entende de
música) especialmente para ver o jovem tocar.
Andre atingia o auge de sua carreira com o Festival Mix Brasil de Diversidade
Sexual. Com 13 anos de vida, a mostra é um sucesso quase tão grande
quanto sua maior atração o Show do Gongo de Marisa Orth, que é
realizado há sete anos.
Realmente Fischer é um sucesso e mais que isso um patrimônio histórico
para a luta contra o preconceito na mídia brasileira. O OhaYO! conversou
com o jornalista sobre a situação do homossexualismo no país
e sobre o fenômeno Yaoi (animes e mangás gays), cada vez mais crescente
em nossa sociedade e presença constante nas crônicas e colunas do
autor. Veja nas linhas a seguir o que pensa André sobre o tema e os conselhos
que ele da aos pais que pegam o filho vendo este tipo de conteúdo.
Para os que ficaram interessados e querem saber mais o Festival vai até
domingo em São Paulo com exibições no Centro Cultural Banco
do Brasil, baladas e outras atividades. Depois a mostra de cinema e vídeo
segue para o Rio de Janeiro e Brasília.
Entrevista Exclusiva
OhaYO! - Você sempre ilustra suas colunas no MIX Brasil com figuras
de animes e mangás yaois. Você gosta? Acompanha? Tem contato com
este mundo "otaku"?
André Fischer - Tenho alguns mangás e freqüento sites de na
internet. Acho a estética yaoi a mais moderna e adoro a maneira poética
como abordam a homossexualidade de seus personagens.
OhaYO! - Você sabia que existem grupos organizados de fãs gays
de animes e mangás como o Otaku Yaoi e o Yaoi Connection e não param
de surgir comunidades de
jovens sobre o assunto no Orkut e de se organizar encontros e exibições?
Você acha isto bom ou ruim? Pode ocorrer uma precocidade nos jovens ao falarem
tão cedo sobre este assunto?
AF - Acho excelente. Nunca é cedo para começar a falar de sexualidade
francamente e de uma maneira tão sutil como nos animes e mangás.
OhaYO! - Nos eventos de anime, é raro encontrar pessoas com preconceitos
para casais de gays e lesbicas. Como você vê esta liberdade maior?
A que você atribuiria isto?
AF - Acho que essas pessoas estão conectadas com uma liberdade maior
de expressão e por isso já se libertaram de seus preconceitos.
OhaYO! - Sakura Card Captors, foi à série japonesa com maior
incidência de Yaoi (gay) e Yuri (lesbica) já exibido integralmente
no país. A série foi ao ar sem cortes na dublagem e nas cenas no
Cartoon Network. Mas na Rede Globo o anime passou redublado e com apenas 12 dos
20 minutos de cada episódio. O que você pensa sobre censuras como
esta, que não atinge somente animes, mas novelas como America?
AF - A censura é um retrocesso. Infelizmente estamos vivendo um momento
complicado. Os veículos de comunicação temem polêmicas
e preferem tesourar o trabalho criativo com medo de processos ou de se indisporem
com grupos conservadores, estes cada vez mais articulados.
OhaYO! - A Censura também atingiu Sailor Moon que teve um personagem
gay transformado em mulher pela dublagem e outras séries. Mas o anime Utena,
será lançado agora em DVD sem cortes. Acha que a abertura para estas
produções esta aumentando? Qual seria a solução (o
DVD, cinemas
alternativos, etc)?
AF - A solução está justamente no mercado dito alternativo
se organizar - e isso felizmente está acontecendo. Não adianta querer
contar com gigantes da mídia, eles tendem a ser mais conservadores mesmo
.
OhaYO! - Como os pais reagem ao ver o filho ou a filha vendo uma produção
destas? Qual seria a melhor atitude neste caso?
AF - Acho que eles devem reagir tranqüilamente. Proibir não me parece
ser a alternativa mais inteligente. Se eles não concordam com o conteúdo
destas produções devem deixar claro aos filhos o que acham delas.
Mas deixar para os filhos a decisão do que devem ou não consumir
em termos de arte.
OhaYO! - A que se atribui o fato de tantas meninas heterossexuais freqüentarem
estes encontros gays e gostarem de desenhos com amor entre dois homens? Este assunto
mexer com a mente das mulheres é novo ou já existia antes com outras
mídias como filmes e quadrinhos adultos gays?
AF - Até onde sei o fenômeno do yaoi ser consumido por meninas adolescentes
heterossexuais é algo da cultura japonesa. Por lá também
são elas, e não os marmajos, que lotam estádios em jogos
de futebol. Talvez tenha a ver com o
fato dos rapazes mostrados nas histórias serem mais sensíveis e
elas se identificarem com este tipo masculino, ainda que eles gostem de rapazes.
OhaYO! - Sobre filmes orientais com atores (live action). Como é
a recepção deles no ocidente? Filmes como Tabu tem espaço
na mostra?
AF - Os filmes japoneses são sempre muito bem recebidos no Festival, pois
possuem uma narrativa diferente da ocidental. Esse ano estamos apresentando uma
programação de filmes chineses, a maior de filmes gays já
apresentada
fora da China.
Saiba mais sobre o projeto “OhaYO! sem
preconceito”.
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