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Entrevista com o Andre Fischer, o mestre do yaoi no Brasil!
18/11/2005
Escrito por: David Denis Lobão
Editado por: David Denis Lobão

Como parte da nossa série de matérias “OhaYO! sem preconceito” apresentamos hoje uma entrevista com o jornalista Andre Fischer falando sobre o fenômeno Yaoi no Brasil. Confira.

O mestre do Yaoi - Andre Fischer

Andre Fischer é o exemplo de homem performático e multimidiático. Exercendo o jornalismo como colunista da Revista da Folha (Folha de São Paulo) e de editor do portal Mix Brasil no UOL. Conquistou ao longo de sua carreira muitos fãs e admiradores que chegam a ir em casas noturnas paulistas como A Lôca, nos dias em que ele é DJ (sim ele também entende de música) especialmente para ver o jovem tocar.

Andre atingia o auge de sua carreira com o Festival Mix Brasil de Diversidade Sexual. Com 13 anos de vida, a mostra é um sucesso quase tão grande quanto sua maior atração o Show do Gongo de Marisa Orth, que é realizado há sete anos.

Realmente Fischer é um sucesso e mais que isso um patrimônio histórico para a luta contra o preconceito na mídia brasileira. O OhaYO! conversou com o jornalista sobre a situação do homossexualismo no país e sobre o fenômeno Yaoi (animes e mangás gays), cada vez mais crescente em nossa sociedade e presença constante nas crônicas e colunas do autor. Veja nas linhas a seguir o que pensa André sobre o tema e os conselhos que ele da aos pais que pegam o filho vendo este tipo de conteúdo.

Para os que ficaram interessados e querem saber mais o Festival vai até domingo em São Paulo com exibições no Centro Cultural Banco do Brasil, baladas e outras atividades. Depois a mostra de cinema e vídeo segue para o Rio de Janeiro e Brasília.

Entrevista Exclusiva

OhaYO! - Você sempre ilustra suas colunas no MIX Brasil com figuras de animes e mangás yaois. Você gosta? Acompanha? Tem contato com este mundo "otaku"?
André Fischer - Tenho alguns mangás e freqüento sites de na internet. Acho a estética yaoi a mais moderna e adoro a maneira poética como abordam a homossexualidade de seus personagens.

OhaYO! - Você sabia que existem grupos organizados de fãs gays de animes e mangás como o Otaku Yaoi e o Yaoi Connection e não param de surgir comunidades de
jovens sobre o assunto no Orkut e de se organizar encontros e exibições? Você acha isto bom ou ruim? Pode ocorrer uma precocidade nos jovens ao falarem tão cedo sobre este assunto?
AF - Acho excelente. Nunca é cedo para começar a falar de sexualidade francamente e de uma maneira tão sutil como nos animes e mangás.

OhaYO! - Nos eventos de anime, é raro encontrar pessoas com preconceitos para casais de gays e lesbicas. Como você vê esta liberdade maior? A que você atribuiria isto?
AF - Acho que essas pessoas estão conectadas com uma liberdade maior de expressão e por isso já se libertaram de seus preconceitos.

OhaYO! - Sakura Card Captors, foi à série japonesa com maior incidência de Yaoi (gay) e Yuri (lesbica) já exibido integralmente no país. A série foi ao ar sem cortes na dublagem e nas cenas no Cartoon Network. Mas na Rede Globo o anime passou redublado e com apenas 12 dos 20 minutos de cada episódio. O que você pensa sobre censuras como esta, que não atinge somente animes, mas novelas como America?
AF - A censura é um retrocesso. Infelizmente estamos vivendo um momento complicado. Os veículos de comunicação temem polêmicas e preferem tesourar o trabalho criativo com medo de processos ou de se indisporem com grupos conservadores, estes cada vez mais articulados.

OhaYO! - A Censura também atingiu Sailor Moon que teve um personagem gay transformado em mulher pela dublagem e outras séries. Mas o anime Utena, será lançado agora em DVD sem cortes. Acha que a abertura para estas produções esta aumentando? Qual seria a solução (o DVD, cinemas
alternativos, etc)?

AF - A solução está justamente no mercado dito alternativo se organizar - e isso felizmente está acontecendo. Não adianta querer contar com gigantes da mídia, eles tendem a ser mais conservadores mesmo .

OhaYO! - Como os pais reagem ao ver o filho ou a filha vendo uma produção destas? Qual seria a melhor atitude neste caso?
AF - Acho que eles devem reagir tranqüilamente. Proibir não me parece ser a alternativa mais inteligente. Se eles não concordam com o conteúdo destas produções devem deixar claro aos filhos o que acham delas. Mas deixar para os filhos a decisão do que devem ou não consumir em termos de arte.

OhaYO! - A que se atribui o fato de tantas meninas heterossexuais freqüentarem estes encontros gays e gostarem de desenhos com amor entre dois homens? Este assunto mexer com a mente das mulheres é novo ou já existia antes com outras
mídias como filmes e quadrinhos adultos gays?

AF - Até onde sei o fenômeno do yaoi ser consumido por meninas adolescentes heterossexuais é algo da cultura japonesa. Por lá também são elas, e não os marmajos, que lotam estádios em jogos de futebol. Talvez tenha a ver com o
fato dos rapazes mostrados nas histórias serem mais sensíveis e elas se identificarem com este tipo masculino, ainda que eles gostem de rapazes.

OhaYO! - Sobre filmes orientais com atores (live action). Como é a recepção deles no ocidente? Filmes como Tabu tem espaço na mostra?
AF - Os filmes japoneses são sempre muito bem recebidos no Festival, pois possuem uma narrativa diferente da ocidental. Esse ano estamos apresentando uma programação de filmes chineses, a maior de filmes gays já apresentada
fora da China.

Saiba mais sobre o projeto “OhaYO! sem preconceito”.


DJ e colunista: Andre Fischer

Logotipo da atual edição do Festival Mix Brasil

O jornalista Andre Fischer

Touya e Yukito, sucesso yaoi na televisão brasileira

Marisa Orth, a estrela do Show do Gongo no Festival
(Fotos: Divulgação)
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