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Conexão OhaYO!: “OhaYO! Sem
Preconceitos” - Parte 5 e final
Com quatro anos de carreira, a jornalista Túlipe Helena representou
uma novidade no universo dos assim chamado “otakus”, quando foi à
primeira supervisora negra do Anime Friends, um ambiente a principio “dominado”
por japoneses. Depois foi um das primeiras afros-descendentes a escrever sobre
anime e dublagem para a revista do OhaYO!, fato que acabou virando tema até
do seu trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Túlipe agora
muda de lado e é a entrevistada, falando francamente com o site sobre a
situação dos negros nos animes e nos eventos. Confira!
Entrevista Exclusiva
OhaYO! - Como você enxerga o crescimento dos fãs de animes negros
presentes em eventos atualmente? Qual o motivo da assimilação da
cultura? Seriam as variantes dos eventos como o Pump e os games ou os próprios
animes com personagens negros?
Tulipe Helena - Eu enxergo como algo positivo. Quando comecei a freqüentar
eventos desse tema e me interessar achei que não encontraria negros. Ao
meu ver a presença dos negros é reflexo do momento que vive a nossa
sociedade. Posso até fazer uma alusão a "cota para negros",
no caso do mundo dos animes e mangas nós já estamos atingindo a
nossa meta! Não posso deixar de ressaltar que nós estamos sendo
lembrados através de
atrações que nos remetem a nossa cultural e isso é muito
importante também. A variedade diferencia esses eventos.
OhaYO! - Como você observa o fenômeno inverso, dos japoneses
invadindo o hip hop através do Pump, uma área originalmente "dominada"
por afros-descendentes?
TH - Essa é a parte mais brilhante da história! Os japoneses
tão tradicionais se rendendo ao HIP HOP, fruto do movimento negro! Mas
isso também é Brasil. O Brasil tem essa capacidade de universalizar
culturas.
OhaYO! - O que você pensa dos personagens negros em animes. Melhor
ser retratado como coadjuvante ou não ser retratado?
TH- Os personagens refletem bem a postura do negro perante a sociedade e vice
e versa. Posso ter uma visão um pouco comodista, mas acho melhor ter personagens
negros como coadjuvantes do que não ter. Penso dessa forma por que a raça
negra vive esta eterna conquista. Estamos chegando aos poucos e atingindo os nossos
objetivos.
OhaYO! - Em casos como a personagem do anime Utena em que a personagem é
negra e homossexual, você acredita que o preconceito é maior?
TH- A Utena levanta duas questões polêmicas, mesmo assim ela é
importantíssima! Eu penso que nós gostamos do que nos identificamos.
Com certeza a Utena causa esse sentimento nos negros e nos homossexuais e também
nas pessoas que se encontram nessas duas situações. Creio que ela
passa bem a sua mensagem!
OhaYO! - Acredita que a criação de grupos de fãs só
com negros é algo bom ou seria a criação de guetos que servem
mais para separar do que para unir?
TH- Eu acho bom, mas não gosto muito da idéia de "gueto".
Sou contra qualquer tipo de exclusão. É importante que os participantes
dos diversos grupos possam interagir e contribuir para o todo.
OhaYO! - Com o nascimento de apresentadoras infantis negras na TV Globinho
(Globo) e na TV da Gente, você acha que a identificação das
crianças afro-brasileiras com a raça vai aumentar?
TH- Sim, aos poucos está aumentando. Até mesmo os negros estranham
essa novidades e demoram um pouco para aceitar. É difícil se acostumar
com o que vemos raramente.
OhaYO! - No mercado editorial você acredita que ainda existam preconceitos
contra negros a ponto de gerar uma TV só de negros ou existe um certo exagero
da mídia no tema?
TH- Olha, há um certo exagero de diversas partes. O que falta realmente
é o acesso a informações verdadeiras. A TV da Gente é
uma TV que tem como ideologia empregar e passar informações para
as minorias raciais. Nessa minoria podemos acrescentar os orientais também.
Quanto aos negros faltam muitas coisas além de ter seu espaço na
TV. Poderia ficar aqui com você e listar vários problemas. Aos negros
falta principalmente oportunidade de capacitação, mas isso é
um problema histórico.
OhaYO! - Onde você acha o preconceito maior, no Japão por existirem
poucos negros ou no Brasil pelo preconceito ser algo mais "camuflado"?
TH- Eu não tenho acesso a informações sobre a situação
dos negros no Japão, o que sei é que no Brasil esse preconceito
"mascarado" é uma realidade.
Fotos: Arquivo Pessoal
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