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A voz dos negros: Túlipe Helena
24/11/2005
Escrito por: David Denis Lobão
Editado por: David Denis Lobão

Conexão OhaYO!: “OhaYO! Sem Preconceitos” - Parte 5 e final

Com quatro anos de carreira, a jornalista Túlipe Helena representou uma novidade no universo dos assim chamado “otakus”, quando foi à primeira supervisora negra do Anime Friends, um ambiente a principio “dominado” por japoneses. Depois foi um das primeiras afros-descendentes a escrever sobre anime e dublagem para a revista do OhaYO!, fato que acabou virando tema até do seu trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Túlipe agora muda de lado e é a entrevistada, falando francamente com o site sobre a situação dos negros nos animes e nos eventos. Confira!

Entrevista Exclusiva

OhaYO! - Como você enxerga o crescimento dos fãs de animes negros presentes em eventos atualmente? Qual o motivo da assimilação da cultura? Seriam as variantes dos eventos como o Pump e os games ou os próprios animes com personagens negros?

Tulipe Helena - Eu enxergo como algo positivo. Quando comecei a freqüentar eventos desse tema e me interessar achei que não encontraria negros. Ao meu ver a presença dos negros é reflexo do momento que vive a nossa sociedade. Posso até fazer uma alusão a "cota para negros", no caso do mundo dos animes e mangas nós já estamos atingindo a nossa meta! Não posso deixar de ressaltar que nós estamos sendo lembrados através de
atrações que nos remetem a nossa cultural e isso é muito importante também. A variedade diferencia esses eventos.

OhaYO! - Como você observa o fenômeno inverso, dos japoneses invadindo o hip hop através do Pump, uma área originalmente "dominada" por afros-descendentes?

TH - Essa é a parte mais brilhante da história! Os japoneses tão tradicionais se rendendo ao HIP HOP, fruto do movimento negro! Mas isso também é Brasil. O Brasil tem essa capacidade de universalizar culturas.

OhaYO! - O que você pensa dos personagens negros em animes. Melhor ser retratado como coadjuvante ou não ser retratado?

TH- Os personagens refletem bem a postura do negro perante a sociedade e vice e versa. Posso ter uma visão um pouco comodista, mas acho melhor ter personagens negros como coadjuvantes do que não ter. Penso dessa forma por que a raça negra vive esta eterna conquista. Estamos chegando aos poucos e atingindo os nossos objetivos.

OhaYO! - Em casos como a personagem do anime Utena em que a personagem é negra e homossexual, você acredita que o preconceito é maior?

TH- A Utena levanta duas questões polêmicas, mesmo assim ela é importantíssima! Eu penso que nós gostamos do que nos identificamos. Com certeza a Utena causa esse sentimento nos negros e nos homossexuais e também nas pessoas que se encontram nessas duas situações. Creio que ela passa bem a sua mensagem!

OhaYO! - Acredita que a criação de grupos de fãs só com negros é algo bom ou seria a criação de guetos que servem mais para separar do que para unir?

TH- Eu acho bom, mas não gosto muito da idéia de "gueto". Sou contra qualquer tipo de exclusão. É importante que os participantes dos diversos grupos possam interagir e contribuir para o todo.

OhaYO! - Com o nascimento de apresentadoras infantis negras na TV Globinho (Globo) e na TV da Gente, você acha que a identificação das crianças afro-brasileiras com a raça vai aumentar?

TH- Sim, aos poucos está aumentando. Até mesmo os negros estranham essa novidades e demoram um pouco para aceitar. É difícil se acostumar com o que vemos raramente.

OhaYO! - No mercado editorial você acredita que ainda existam preconceitos contra negros a ponto de gerar uma TV só de negros ou existe um certo exagero da mídia no tema?

TH- Olha, há um certo exagero de diversas partes. O que falta realmente é o acesso a informações verdadeiras. A TV da Gente é uma TV que tem como ideologia empregar e passar informações para as minorias raciais. Nessa minoria podemos acrescentar os orientais também. Quanto aos negros faltam muitas coisas além de ter seu espaço na TV. Poderia ficar aqui com você e listar vários problemas. Aos negros falta principalmente oportunidade de capacitação, mas isso é um problema histórico.

OhaYO! - Onde você acha o preconceito maior, no Japão por existirem poucos negros ou no Brasil pelo preconceito ser algo mais "camuflado"?

TH- Eu não tenho acesso a informações sobre a situação dos negros no Japão, o que sei é que no Brasil esse preconceito "mascarado" é uma realidade.

Fotos: Arquivo Pessoal

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