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A versão japonesa do Homem-Aranha
08/05/2007
Escrito por: Silvio Dória ( http://www.animesongs.com.br )
Editado por: David Denis Lobão e Cezar Jr.

Você sabia que o “Homem-Aranha” já teve uma versão japonesa? Para comemorar o lançamento do terceiro filme nos cinemas, o OhaYO! trás uma matéria especial sobre o aracnídeo oriental.

Toei & Marvel

Há muitos anos atrás, a Marvel Comics (empresa de quadrinhos) licenciou alguns de seus personagens para empresas japonesas adaptarem a sua própria versão.

Em 1976, o mangá japonês “Spider-Man” surgiu pela primeira vez na revista Shonen Magazine, da Shueisha Publishing Company. Desenhado por Ryouichi Ikegami - de “Aieno Boy“, a história no inicio seguiu fielmente a original de Stan Lee e Jack Kirby, mas depois Ryouichi foi introduzindo novos temas a história como romance, violência e chegando a alcançar um certo sucesso no Japão.

No final da década de 1970, novamente a empresa americana Marvel Comics investiu no mercado Japonês, e fez um contrato de quatro anos com a Toei Company, nesse tempo a produtora japonesa poderia usar qualquer personagem da Marvel para transformar em uma série no estilo Tokusatsu (seriado com efeitos especiais) como “Himitsu Sentai Goranger” (de Shotaro Ishinomori), o responsável pelas produções na época: Tooru Hirayama, decidiu então usar o personagem Spiderman, o Homem-Aranha.

A idéia principal da produção era usar a história original de Stan Lee, mas como a patrocinadora da Toei, a Bandai, queria faturar nesse seriado, o roteirista "Saburo Hatte" (pseudônimo usado por vários escritores) decidiu mudar o tema da história, introduzindo um robô gigante lutando junto com o herói. Até então uma idéia inédita e inovadora, a principio Susumu Yoshikawa achou que os executivos da Toei estavam loucos quando lhe disseram para por um robô gigante em “Spiderman”.

Mas ao contrário do que Yoshikawa achava essa idéia de usar um robô gigante ao lodo dos heróis foi um sucesso, (principalmente para a Bandai, que ganha ao vender os brinquedos da série) tanto que os robôs gigantes hoje em dia são obrigação de qualquer Super Sentai.

No ano seguinte, o novo projeto da Marvel/Toei seria chamado Capitão Japan (inspirado no Capitão América), mas depois de algumas reuniões decidiram trocar o título para Battle Feve J, com a "intromissão" da Bandai nos planos da equipe de Tooru Hirayama, ele decidiu abandonar as produções de super-heróis, (trabalhando apenas em algumas séries infantis e depois os Kamen Riders), a partir daí a Bandai teve mais controle nas seriados de Super Sentai.

E em 1979 foi ao ar na TV NET (atual TV-Asahi) a série Battle Fever J, sendo o primeiro Super Sentai a usar um robô gigante - fórmula que deu certo em Spiderman, e terminou após 51 episódios.

As séries seguintes dessa parceria foram “Denziman” e “Sun Vulcan”, 1980 e 81, respectivamente, nessas séries mesmo a Marvel tendo seu nome nos créditos ela não contribuiu ativamente na produção. As mudanças nessas series em relação à “Battle Fever” foram poucas (com exceção dos uniformes, que foram totalmente mudados) não alterando o conceito do gênero, essas foram os últimos seriados feito em co-produção com a Marvel Comics.

A história do seriado (live-action) japonês de “Spiderman” (“Homem-Aranha”)

A história começa com o grupo maligno Tetsu-jyuujigun (ou Grupo Cruz de Metal) assassinando Hiroshi Yamashiro, e tentando eliminar também seu filho; Takuya Yamashiro, que é salvo por um alienígena chamado Garia, vindo do planeta Spider-man (destruído milhares de anos atrás) através da nave Marvler, para salvar a vida de Takuya, Garia injeta nele um liquido e cura seus ferimentos e ainda lhe da super-poderes (o sentido-aranha e a habilidade de subir em paredes, etc).

Os acessórios de combate de Takuya são: um bracelete que solta teias (o fluido de teia), além de guardar a "roupa de aranha" de Takuya quando ele não está transformado, e serve também para chamar a ajuda da nave Marvler (na verdade esse nome é uma referencia a Marvel Comics a criadora original de Spiderman).

O carro Spider Machine GP-7 que o leva a nave Marvler, antes de se transformar no robô gigante Leopardon. O robo Leopardon, foi inspirado em "Nyago King" do anime Cats Toninden Teyande (da Tatsunoko), que era um robô da forma "sphinx" para Kyago King (em Spiderman = Marvler para Leopardon), idéia criada pelos patrocinadores da série, a Bandai.

Apesar de a série não contar com um orçamento grande, foram chamados bons atores para interpretarem os personagens principais, com; Kousuke Kayama o pai de Takuya, que depois dessa série viveu o general Hedler em “Denjiman”, Rika Miura como Hitomi Sakuma (a Mary Jane de olhos puxados), Hiroshi Miyauchi como o detetive Ken Hakayama (conhecido por nós brasileiros como o chefe Masaki de “Winspector”), Mitsuo Andou como o professor Monstro (Leider em “Sharivan”, Prof. Gill em “Kikaider”, além de participar de outras séries como “Inazuman”, “Giant Robo”, “Goranger”...).  

O mangá de “Spiderman”

Na década de 1970 a Marvel, querendo popularizar seus personagens no mundo todo tentou levar os quadrinhos do aracnídeo para o outro lado do mundo, o Japão. Mas as histórias desse super-herói americano não fez sucesso esperado.

Então a Marvel licenciou alguns de seus quadrinhos para a empresa Shueisha (para passá-los para o mangá), e a história escolhida para ser pública foi... “Spiderman”. "Uma revista em quadrinhos é produto de uma cultura. O Homem-Aranha e o Capitão América são super-heróis americanos. Eles têm raízes no povo. Já os heróis japoneses se baseiam nas experiências dos japoneses. São totalmente diferentes.

No Japão, o Eu Individual não é a coisa mais importante. A soma das pessoas conta muito mais do que as partes individuais." Declarou em uma entrevista Gene Pelc, o principal representante da Marvel Comics no Oriente.

Segundo Gene, a história deveria ser adaptada a uma versão própria, para poder fazer sucesso no mercado Japonês. Peter Paker deveria tornar-se um herói japonês. E o encarregado de passar os quadrinhos americanos de Homem-Aranha para uma versão Japonesa foi o desenhista Ryouichi Ikegami.

A história inicial é a mesma de Stan Lee, Peter Paker é Yu Komori, um jovem cientista japonês, que é picado por uma aranha radioativa que lhe da super poderes, após esses acontecimentos Yu passa a desenvolver a sua roupa de aranha e o fluido de teia.

Rumiko Shiraishi (Mary Jane) pede a Yu que ajude a encontrar seu irmão que desapareceu em Tóquio, ai que surge Electro, o primeiro de muitos vilões que Yu Komori teria que enfrentar (o Lagarto, Dr. Mistério, Kangaroo...). Esse mangá de Ikegami chegou aos Estados Unidos em 1997, em uma versão traduzida para o inglês (edições em preto e branco com 32 paginas) pelo preço de quatro dólares.

Ryouchi Ikegami, o autor

Ryoichi Ikegami, nasceu no dia 29 de maio em Fukui, Japão. Aos 17 anos iniciou sua carreira como desenhista profissional, seu primeiro mangá foi pública em 1961, intitulado: Mayako.

Quatro anos depois teve sua história; Sense of Guilt publicada na conceituada revista de mangás Garo, com esse trabalho Ikegami foi chamado para ser assistente de Shigeru Mizuki (de Ge Ge Ge no Kitaro), nesse período Ikegami teve contato com outro famoso artista, Yoshiharu Tsuge, que influenciou bastante em seus traços.

Em 69 Ikegami é chamado para desenhar a versão Japonesa dos quadrinhos americanos de “Homen-Aranha”, em uma parceria da Shueisha com a Marvel Comics. De 1974 a 79 Ikegami junto com Tetsu Kariya (criador de “Megaloman”, da Toho) fez sua primeira grande obra: “Otoko Gumi”, publicado na Shonen Sunday, nessa época chegou a ser feito um ‘Live-Action’ da série.

Nos anos seguintes seus principais trabalhos foram “Crying Freeman” (escrito por Kazuo Koike), “Nagareboshi Sakon” (pela Shogakukan), “Offered” (também da Shogakukan) e “Sanctuary”, “Ouritsuin Kumomaru no Shogai”, “Heat”...

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