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20 anos sem os traços de Henfil
07/02/2008
Escrito por: Túlipe Helena
Editado por: David Denis Lobão

Henrique de Souza Filho, o Henfil, nasceu em cinco de fevereiro de 1944, na Cidade de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, e faleceu em quatro de janeiro de 1988, no Rio de Janeiro, aos 43 anos.

Na última sexta-feira foram completados exatos 20 anos da sua morte e os seus traços continuam sintéticos, atuais e extremamente expressivos.

Ele foi o criador da expressão “Diretas Já”, usada durante a campanha pelo voto direito à Presidência da República nos anos 80, e de gírias como “top top” e “putz”, criadas para driblar a censura aos palavrões no período da ditadura militar.

Henfil começou a publicar seus primeiros trabalhos na revista "Alterosa", de Minas Gerais, no início da década de 60. Em 1967, mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou fazendo cartuns esportivos para o "Jornal dos Sports".

Dois anos depois, ainda no Rio, foi convidado a integrar a equipe do jornal alternativo "Pasquim", que se tornou a principal janela de suas críticas ao regime militar. Nesta fase ele também publicou revistas em quadrinhos com seus personagens. 

Os desenhos eram feitos rapidamente devido às dores nos joelhos do desenhista que o impediam de ficar muito tempo sentado. Henfil e os dois irmãos eram hemofílicos, doença genética que causa hemorragias e problemas de coagulação. Todos contraíram Aids em transfusões de sangue. A doença levou o cartunista à morte.

Mesmo com a censura do regime militar, Henfil conseguiu dar voz a uma geração.

Desenhos de sucesso

Os desenhos de "Ubaldo, o Paranóico" foram feitos em 1975, época em que os amigos de Henfil eram levados para interrogatórios no DOI-Codi. Juntamente com o personagem Ubaldo surgiram três coadjuvantes: o irmão Ufaldo, o tio Sam e Fonaldo. O personagem vivia com medo de ser pego pelos militares e os via em qualquer situação. A história juntava humor e crítica.

Henfil também teve personagens que fizeram sucesso nas páginas de esporte, como o “Urubu, Bacalhau”, “Pó de Arroz”, “Cri-cri”, “Cabôco Mamado”, “O Preto que Ri”, “Delegado Flores”, “Zilda-Lib”, “Ovídio”, “Tamanduá” e o “Gato pingado”.

Outros desenhos como “Baixim e Cumprido”, o trio da “Caatinga Graúna”, “Bode Orelana e Zeferino” e “Orelhão” também emplacaram.

Livro marca 20 anos da morte do desenhista

O livro "Henfil - O Humor Subversivo" está com o lançamento marcado para este ano. Ele mostrará a trajetória do desenhista Henrique de Souza Filho, o Henfil.

Escrito pelo sociólogo e cartunista carioca Márcio Malta, o Nico, o livro deve ser publicado pela editora Expressão Popular e integrará a coleção "Viva o Povo Brasileiro", de biografias de personalidades brasileiras. A coleção é destinada ao público jovem e tem linguagem e preço mais acessíveis. A obra que deverá ter 80 páginas tem o custo estipulado, conforme o planejamento, de três reais.

O enfoque principal da obra será a atuação política de Henfil, que fez parte de uma geração marcada pela ditadura.

Sua atuação política teve influência dos frades dominicanos, que inspiraram os personagens ‘fradins’, e do irmão, Herbert José de Souza, o Betinho.

O autor Márcio Malta, que tem 25 anos, é um interessado pela obra do desenhista. Além da influência em sua escolha profissional, o jovem coleciona revistas, desenhos, estudos e entrevistas de Henfil que serviram de base para a pesquisa do livro.

A mostra "20 anos sem Henfil", que também homenageará o artista, deve ser lançada em agosto.


Desenho do mestre Henfil

Traço do desenhista Márcio Malta
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