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As Dublagens de Tokusatsus no Brasil (Parte 2)
13/03/2008
Escrito por: Yuri Calandrino (do portal www.tokusatsu.com.br)
Editado por: Felipe Marcos

Em São Paulo, a dublagem de tokusatsus se proliferou, pois foi onde quase todas as séries foram dubladas. Quatro nomes se destacam entre esse time: Líbero Miguel, Nair Silva, Gilberto Baroli e Carlos Alberto. Esses quatro foram os principais diretores das séries exibidas na TV Manchete.

Antes de falar dessa turma, é preciso citar “Spectreman” e sua clássica dublagem da ComArte. Trazendo João Ângelo no protagonista, a dublagem chamou atenção pela dupla de vilões (que eram dublados por dubladores clássicos e queridos do seriado “Chaves”). O Dr Gori e o Macaco Karas eram interpretados por Carlos Seidl e Osmiro Campos (também conhecidos por Seu Madruga e Professor Girafalles), com certeza esta dublagem dos dois garantiu momentos hilários para a geração do “Programa do Bozo” do SBT.

Clássicos inesquecíveis da TV Manchete

Líbero Miguel, ator/dublador/diretor era também na época o coordenador de dublagem da Álamo. Em meados de 1987, Toshihiko Egashihara estava precisando dublar dois seriados japoneses que ele havia acabado de adquirir: “Jaspion” e “Changeman”. E ele levou essas duas séries para o famoso estúdio da Vila Madalena, que já tem quase 40 anos de existência.

Nessa ocasião, Gilberto Baroli (que protagonizou papéis de destaque em Tokusatsu, como Sargento Ibuki de “Changeman”, Chefe Sugata de “Maskman”, Dokussai de “Jiraiya”) não estava trabalhando na Álamo. Mas graças a sua amizade de longa data com Líbero Miguel, ele acabou sendo trazido de volta pelo amigo não só para dublar, mas também para dirigir. Com dois produtos novos em mãos, Líbero deu uma das séries para que Baroli dirigisse. Essa série era “Jaspion”. Já a outra, “Changeman”, ficou por conta da direção dele mesmo.

Para muitos fãs, essas duas dublagens foram às melhores entre todas as dublagens de tokusatsu, por reunir um verdadeiro time que seria impossível reunir nos dias atuais para redublar esses clássicos.

“Jaspion” – O eterno herói japonês

Em “Jaspion”, Baroli escalou o oriental Carlos Takeshi, ator de novelas da Rede Globo e do canal de compras da Globosat Shop Time, para protagonizar o herói. A parceira andróide do herói, Anri, teve duas vozes: a primeira foi de Denise Simonetto, que participou até o episódio 16 e que segundo ela mesma, no meio da série, precisou fazer uma viagem e não aguardaram seu retorno e acabaram substituindo-a por Cecília Lemes, que foi até o final.

O grande vilão da série, MacGaren, também teve duas vozes. Até o episódio 16, foi dublado por Francisco Borges, também narrador da série. Mas do episódio 17 em diante, passou a ser feito pelo finado Ricardo Medrado, dublador que encontrou a personalidade do personagem, imortalizando os gritos de “Maldito Jaspion” na mente de todas as crianças da época.

O vilão Satan Goss, que só começa a falar a partir do episódio 29, teve a voz grave e marcante de Líbero Miguel. O profeta Edin foi brilhantemente feito por Borges de Barros, o Professor Nambara foi Armando Tiraboschi e as assistentes Purima e Goryu foram Neuza Azevedo e Nair Silva. E como deixar de citar a fantástica atuação de Maximira Figueiredo na Bruxa Kilza, interpretando com 100% de perfeição a ponto de sua voz causar medo em algumas crianças.

“Changeman” – Um elenco perfeito de heróis e vilões

Já em “Changeman”, o cast era o mesmo, apenas se alternava entre os personagens. O protagonista Change Dragon, também teve duas vozes. A primeira foi de Paulo Ivo e a segunda, de Ricardo Medrado, que muitos fãs adoram levantar o contraste do herói protagonista em “Changeman” e do vilão protagonista de Jaspion, os personagens mais queridos da carreira de Medrado.  Change Griffon era Carlos Takeshi, o Jaspion. Change Pegasus era Armando Tiraboschi, Change Mermeid era Neuza Azevedo, Change Fênix era Márcia Gomes e o Sargento Ibuki era Gilberto Baroli.

Um time de primeira, assim como o time de vilões, encabeçado do grande e saudoso Marcos Lander no papel de Giluke, que alternou as vozes nas três fases do personagem: o comandante de voz engraçada (como se fosse um bêbado), o fantasma e o Super Giluke (voz bem onipotente). A Rainha Ahames foi brilhantemente interpretada pela esposa de Líbero Miguel, Nair Silva. Ninguém jamais alcançaria a personalidade dessa vilã da forma que Nair alcançou! Buba e Gyodai tiveram a voz de Mário Vilela. Pra quem assiste “Chaves”, é possível notar que o dublador é o mesmo dos personagens Sr Barriga e Nhonho e que as vozes que ele usa em Buba e Gyodai respectivamente, são as mesmas, no mesmo tom.

A vilã Shima, que tinha voz masculina, também teve três dubladores. Mário Jorge Montini (até o episódio 16), Líbero Miguel (até o capítulo 25) e Borges de Barros (até o final), que foi o que alcançou e interpretou com mais perfeição uma mulher sem fazer tipo caricato. Borges também deu voz ao navegador Gata. E o todo poderoso Sr Bazoo ficou por conta de Waldir de Oliveira.

Tanto em “Jaspion”, quanto em “Changeman”, dois dubladores famosos começaram a dublar, ainda com seus 10, 11 anos. Estamos falando de Hermes Baroli e Wendell Bezerra, que volta e meia faziam os garotos que protagonizavam os episódios do dia.

A vez de “Flashman” – A melhor dublagem de um tokusatsu

Após o sucesso de “Jaspion” e “Changeman”, veio “Comando Estelar Flashman”, que ficou a cargo da direção de Líbero Miguel e é sem dúvida a melhor dublagem de tokusatsu já feita! Um ‘cast’ único e de primeira, com direito a revelações e tudo mais!

Para o papel de Red Flash, o estreante em dublagem na época, Francisco Brêtas (famoso por ser o Hyoga de “Cavaleiros do Zodíaco”) foi revelado por Líbero e Nair e colocado na ‘fogueira’ para assumir o protagonista da série. Eduardo Camarão foi o Green Flash, o saudoso Carlos Laranjeira foi Blue Flash, Lucia Helena foi Yellow Flash e Christina Rodrigues foi Pink Flash. A mentora dos heróis, a simática robô Mag ficou por conta de Nair Silva.

Mas sem dúvidas, o que mais impressiona em Flashman é a dublagem dos vilões. Um time de peso: No vilão principal, Dr Keflen, o saudoso Gastão Malta. No líder do Cruzador Imperial Mess, o diretor Líbero Miguel. No implacável Caçador Kaura, Muybo Cury. No alucinante Wandar, o brilhante Marcos Lander. Na frieza e calculismo de Nefer, a rouca voz de Deisy Celeste vestiu como uma luva. Nas assistentes Urk e Kirt, Denise Moreno e Yvette Jaime. E no mercenário Galdan, o saudoso Ezio Ramos.

Um time como esses não se veria novamente nem mesmo por milagre! Se a série tivesse que ser redublada, seria um problema sério, pois do time de vilões, cinco morreram e um parou de dublar. Dos heróis, um morreu e um não dubla mais. Quem tem essa série no acervo, com a dublagem original, deve sempre guardá-la com carinho, pois está pra ser feita outra dublagem tão perfeita como esta!

(Editado originalmente por: Eugênio Furbeta "Genninhu" / Reeditado por: David Denis Lobão)

fotos: divulgação

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