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Especial Centenário – Parte 3: Os desenhos japoneses no Brasil
19/06/2008
Escrito por: Danilo Saraiva (Arquivo OhaYO!)
Editado por: Felipe Marcos

Na semana oficial do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil o Portal OhaYO! relembra os desenhos animados orientais que foram ao ar na TV brasileiras nos anos 60 e abriram o espaço para que sucessos como “Os Cavaleiros do Zodíaco” e “Pokémon” entrassem de vez para a nossa cultura pop e ficassem para sempre no imaginário popular.

Orientalização dos meios

A televisão se popularizou no Brasil em meados dos anos 60. Antes disso, apenas pontos estratégicos como o jóquei clube paulistano e grandes estabelecimentos possuíam seus aparelhos televisores, o que atraia uma grande multidão de espectadores loucos para saciar a curiosidade diante da novidade trazida do exterior. Já em 1963, o investimento estrangeiro de grandes indústrias cresceu e graças ao apoio do governo militar (talvez uma das poucas coisas boas da época da ditadura), os custos de produção de eletrodomésticos diminuíram bastante e televisões foram produzidas em grande escala.

Os primeiros programas infantis eram apresentados por palhaços que animavam uma platéia, geralmente ao vivo. Logo, aquisições de desenhos animados foram surgindo e já no fim dos anos 60, “Pica-pau”, “Tom e Jerry” e trabalhos dos estúdios Disney eram exibidos na íntegra.

A invasão dos desenhos japoneses foi um pouco estranhada pelos brasileiros. As crianças não estavam acostumadas com os personagens expressivos e de olhos grandes e demorou para que houvesse uma aceitação total. Mesmo assim, os executivos de grandes emissoras como a TV Tupi (primeiro canal de televisão no Brasil), procuraram pelo recente fenômeno das animações japonesas e resolveram trazer essas produções ao Brasil.

Recapitulando...

“Homem de Aço”

Nome no Brasil: “Gigantor - Homem de Aço”
Nome no Japão: “Tetsujin 28 go”
Data de estréia no ocidente: 1966
Criador: Mitsuteru Yokoyama

A TV Tupi foi aparentemente a primeira emissora a iniciar trazendo desenhos do oriente. O Homem de Aço (não é o Super-Homem) já fazia um relativo sucesso nos Estados Unidos e partindo da idéia de americanização, ele foi importado para o Brasil. A trajetória e o número de episódios exibidos no nosso país são incertos uma vez que não há uma informação concisa (já que a TV Tupi se extinguiu em 1980) se a versão trazida para cá foi a japonesa ou a americana. No Japão, a série teve 96 episódios (divididos em duas temporadas) mais uma versão colorida, de 51 capítulos.

Depois do ‘boom’ de Astroboy nas televisões de todo o mundo, “Gigantor” foi o anime mais exportado da época e rendeu um bom sucesso nas telas brasileiras. Ele conta a história de Shotaro Kaneda (ou Jimmy Sparks), que pode enfrentar o crime com a ajuda de um enorme robô, controlado por controle remoto. A série era futurista para a época e se passava em um avançado ano 2000, em uma ilha remota.

Com animação em branco e preto e produzida pelos estúdios TCJ Animation Center (extinto), seu sucesso é remanescente e uma nova versão entrou em produção no Japão em 2004.

“Oitavo Homem”
Nome no Brasil: “O Oitavo Homem”
Nome no Japão: “Eito Man”
Data de estréia no ocidente: 1966
Data de estréia no Japão: 1963
Criação: Kazumasa Hirai/ Jiro Kuwata

Exibido pela Rede Globo no Brasil, a série se tornou animação no Japão após o estrondoso sucesso do mangá de Kazumasa Hirai e Jiro Kuwata, em 1963. Mais do que isso foi considerado um dos animes mais complexos e misteriosos da época, acarretando milhares de fãs. Ainda hoje, é possível encontrar sites americanos, brasileiros ou japoneses feitos por fãs sobre as aventuras do herói.

A animação de “O Oitavo Homem” ainda vem com uma lenda: a dublagem americana supostamente teria sido feita sem qualquer tipo de tradução. O suposto tradutor simplesmente assistia as cenas e colocava os diálogos do modo que quisesse ou que achava ser o certo. Acreditar nessa hipótese, porém, é meio inválido, já que o roteiro americano é muito parecido com o original japonês.

A qualidade da animação é variada, mudando de episódio para episódio. Enquanto alguns roteiros eram extremamente elaborados (quase que todos retirados do mangá), outros eram mais bobos e infantis.

“O Oitavo Homem” conta a história de um robô com mente humana provinda de um detetive morto em um assassinato por uma quadrilha de gângsteres. Por causa desse novo corpo, ele é capaz de fazer várias coisas como correr em supervelocidade, força incomum, visão infravermelha, entre outros poderes especiais.

Como todo bom herói, o “Oitavo Homem” é cheio de inimigos e enfrenta o mal, principalmente mafiosos e gângsteres. Nos Estados unidos e Japão, os episódios de “Eito Man” podem ser adquiridos em DVD (e até algumas versões em VHS). O sucesso dessa série foi tanto, que os criadores do americano “Robocop” se inspiraram claramente no personagem japonês para construir sua trama.

“Visitantes do Espaço”
Nome no Brasil: “Três Espaciais”
Nome no Japão: “W3 - Wonder 3”
Data de estréia no ocidente: 1969
Data de estréia no Japão: 1965
Criação: Osamu Tezuka

Sob as ordens do Controle Galáctico, uma nave espacial pousa na terra trazendo três extraterrestres. Eles são os visitantes do espaço (três maravilhosos, na versão em japonês) e estão na Terra para saber se o planeta dos humanos é ou não uma ameaça ao resto da galáxia (devendo ser destruída se caso confirmassem a hipótese).

Assim que chegam, o trio suga três animais através de um grande aspirador embutido na nave e resolvem usar a aparência deles para disfarçar suas identidades. Capitã Boko (Bonnie), a líder da equipe, se transforma em um coelho enquanto Lieutenant Zero se transforma em um pato e Corporal Ronnie se transforma em um cavalo.

Cada um tem um tipo de personalidade e na Terra vivem diversas aventuras. O garoto Shinichi Hoshi é o único que sabe do segredo do trio e sempre chama o irmão mais velho, que faz parte de uma organização secreta, quando entra em perigo.

Os visitantes do espaço passam relatórios freqüentes ao seus superiores informando dados da Terra e seus habitantes. No decorrer dos episódios, a Liga Galáctica vota por destruir a terra, mas o bom coração de Shinichi faz com que eles mudem de idéia (recebendo até mesmo a ajuda do trio).

A concepção de “Visitantes do Espaço” veio da mente brilhante de Osamu Tezuka e rendeu 52 episódios, divididos em apenas uma temporada. Com exibição pela TV Tupi (versão americana), o anime fez um relativo sucesso nas manhãs da emissora e foi trazido ao país no fim dos anos 60.

“Tarô Kid “
Nome no Brasil: “Tarô Kid”
Nome no Japão: “Skyers 5”
Data de estréia no ocidente: --
Data de estréia no Japão: --

Numa época em que os animes tinham muitos episódios, “Tarô Kid” não passou dos 39 e sua repercussão foi pouca em relação a fenômenos como os desenhos de Osamu Tezuka ou o “Oitavo Homem”.

Tratava-se de um anime de espionagem e suas aventuras lembravam muito as do pioneiro James Bond. A história era sobre 4 agentes secretos que representavam naipes do baralho e eram liderados por um inteligente professor. Tarô Kid era o Ás de espadas, Sayuri o Ás de Copas, Sansão o Ás de Ouros e Poka, o Ás de Paus.

Como o próprio nome diz, Tarô Kid era o protagonista das aventuras e além de um veículo todo equipado, também tinha uma base secreta. Além disso, ele não usava armas normais e sim cartas do baralho. Seus inimigos: pessoas que queriam dominar o mundo, não necessariamente vilões fixos.

“Tarô Kid” foi a primeira animação japonesa a ser exibida na Rede Record e tem produção da TCJ (Dentsu).

Nome no Brasil: “Samurai Kid”
Nome no Japão: “Shonen Ninja Kaze No Fujimaru”
Data de estréia no ocidente: --
Data de estréia no Japão: --

Uma das maiores curiosidades desse anime é que apesar dele ter sido criado por Sanpei Shirato, a animação é de Hayo Miyazaki, que mais tarde viria a se tornar o gênio do cinema japonês (dono de filmes como “Princesa Mononoke”, “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Animado”).

Foi uma das primeiras animações japonesas a serem transmitidas no Brasil com uma história um pouco mais complexa do que as habituais e apesar disso, o número de telespectadores das aventuras do pequeno ninja era absurda.

Fujimaru é um pequeno garoto com poderes sob o elemento Vento e foi levado dos braços de sua mãe por uma águia quando ainda era pequenino. Depois do seqüestro, a águia é morta por Sasuke, o ninja que mais tarde viria a se tornar mestre de Fujimaru nas artes marciais.

Crescido e experiente em lutas, Fujimaru parte na busca pela sua mãe perdida (que também o procura desde que ele foi raptado) e encontra diversos aliados, além de alguns inimigos que buscam o manuscrito do Livro de Ryuen, em posse do pequeno ninja. Durante os episódios, ninguém sabe o porquê dos inimigos se interessarem tanto por este item até que Fujimaru reencontra sua mãe e o grande segredo sobre ele é revelado.

“Samurai Kid” foi produzido pela Toei e está no coração dos fãs até hoje (sites brasileiros espalhados pela Internet são encontrados aos montes), sendo exibido tanto pela TV Tupi quanto pela Rede Globo em épocas diferentes.

fotos: divulgação


Gigantor entra em ação em cena do anime, ainda em branco e preto

Shotaro Kaneda e o Homem de Aço em desenho de divulgação

Pequena união de cenas da animação de "O Oitavo Homem"

Trecho da abertura japonesa de "O Oitavo Homem"

Os personagens de "Visitantes do Espaço" ou "Três Espaciais" entram em cena

Shinichi Hoshi e dois dos visitantes do espaço disfarçados: Capitão Boko (o coelho) e Corporal Ronnie (o cavalo)

"Tarô Kid" ou "Skyers 5": traços semelhantes a Speedy Racer

Personagens de Tarô Kid em cena do anime

O ninja Fujimaru

Trecho de "Samurai Kid", exibido pela Rede Globo

Fujimaru a cores
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