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Especial - "Os Trapalhões"
27/06/2008
Escrito por: Daniela Giovanniello
Editado por: Felipe Marcos

Se você tem 20 anos ou mais, deve se lembrar desses quatro amigos. “Os Trapalhões” eram: Dedé, Didi, Mussum e Zacarias que formavam um grupo humorístico e tinham um programa de TV na década de 60, cujo auge do sucesso veio somente nos anos 80.

O programa, de mesmo nome, entrou para o Guinness como o programa humorístico de maior duração na TV, tendo 30 anos de exibição.

"Os Trapalhões" surgiram em 1966 na extinta TV Excelsior com o nome de "Os Adoráveis Trapalhões". Eram esquetes de comédia que tinham quatro tipos de personagem: o galã Wanderley Cardoso, o nervosinho Ted Boy Marino, o diplomata Ivon Cury e o palhaço Renato Aragão, conhecido como Didi Mocó e Manfried Sant’anna, o Dedé Santana.

Obviamente, alguns integrantes saíram e novos personagens chegaram para formar “Os Trapalhões" que conhecemos: o Mussum, Antônio Carlos Bernardes Gomes e Mauro Faccio Gonçalves, o Zacarias.

Quando o programa foi exibido na TV Record, conseguia maior audiência em seu horário do que o Fantástico. Antes de ir para a Globo em 1977, os amigos iam ao ar na Tv Tupi, no início dos anos 70.

O verdadeiro sucesso

Na Globo, em 1977, o programa "Os Trapalhões" era exibido imediatamente antes do Fantástico. Eram quatro atores fixos (Dedé, Didi, Mussum e Zacarias) e alguns convidados, fora os outros fixos que não faziam parte do quarteto principal como: Jorge Lafond, Emil Rached, Carlos Kurt, Tião Macalé (que falava: "Ih! Nojento!"), Felipe Levy, Roberto Guilherme (o Sargento Pincel), entre outros.

Com esta formatação, o programa já tinha um público quase 100% infantil e foi nessa época que fizeram enorme sucesso. Tanto público quanto crítica consideravam os 4 rapazes os principais representantes da comédia infanto-juvenil do nosso país.

Nos anos 80, o programa passou a ter quadros gravados no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro, teve a direção de Gracindo Júnior e a redação ficou a cargo de Carlos Alberto da Nóbrega. Além de ter shows com a participação do público e gravações externas. Desta época até o fim do programa várias mudanças na direção aconteceram, assim como no cenário e nos esquetes que eram apresentados no programa.

O quarteto vira uma dupla

Nos anos 90, após o falecimento de Zacarias, o programa era dividido em duas partes: uma com atrações musicais e outra onde os episódios se passavam no "Trapa Hotel" onde Didi era o secretário-geral "faz tudo", Dedé era o responsável pelos esportes e lazer do lugar e Mussum era o segurança.

Junto com eles, chegou o galã da época, o cantor Conrado e a ex-paquita Andréia Sorvetão (que é esposa de Conrado até hoje). Ambos ficaram nos "Trapalhões" por quatro anos e meio.

No ano de 1992 estreou a "Vila Vintém" que contava histórias de uma rua no subúrbio, onde Didi era um morador de rua que vivia com a pequena Tininha (Alessandra Aguiar), fugida de um orfanato; Dedé era dono de uma oficina mecânica e Mussum era o mordomo de uma casa rica, fora que na rua, tinha a "Agência Trapa Tudo".

Em 1994, depois do falecimento de Mussum, o grupo se desfez e durante algum tempo a Rede Globo reprisou o programa.

Desentendimentos

Não é segredo para ninguém que sem Mussum e Zacarias, Dedé e Didi vieram a se desentender.

As famílias dos dois falecidos critica Renato Aragão (e chegaram a processá-lo pelos direitos autorais) até hoje e o acusam de não prestar auxílio aos familiares dos antigos colegas que passam necessidade.

Renato por sua vez, em um comunicado oficial explicou que sua empresa nunca deixou de cumprir suas obrigações contratuais com ambos, na forma determinada pela Justiça, em benefício de seus familiares.

No "Criança Esperança" de 2004, Renato Aragão e Dedé Santana encenaram uma reconciliação. Muitos críticos disseram que foi uma jogada de marketing, em um momento preciso para ambos.
No ano seguinte (2005) Dedé se juntou com Beto Carreiro e criou "O Comando Maluco" que durou até 2008 e foi exibido pelo SBT até a morte de Beto Carrero.

Nos dias de hoje

Depois de quase 15 anos de afastamento profissional, Dedé participou de "A Turma do Didi" (programa dirigido e estrelado por Renato Aragão) ano passado, retomando a parceria Dedé/ Didi.

A Rede Globo resistiu mas nunca recusou a possibilidade de ambos trabalharem juntos novamente.

Para os fãs, a participação de Dedé no programa do Didi marca um real acordo entre eles, uma real reconciliação e eles dizem que apesar de tantos anos sem fazerem programa juntos, a amizade permanece a mesma. Didi declarou: "Reviver o passado é muito duro para nos dois. Não podemos fazer nenhuma referência, foi uma época de ouro, agora é outro trabalho, novos tempos", explicando o porquê de ambos(ele e Dedé) não reviverem o antigo "Os Trapalhões".

A volta de Dedé ao programa parece ter feito bem a "Turma do Didi" que fim de semana passado obteve 15,5 pontos de audiência, a maior deste ano.

Confira a lista dos filmes dos "Trapalhões":

1965 - "Na Onda do Iê-Iê-Iê" (de Aurélio Teixeira)
1966 - "Adorável Trapalhão" (de J.B. Tanko)
1967 - "Dois na Lona"  (de Carlos Alberto de Souza Barros)
1968 - "A Ilha dos Paqueras" (de Fauzi Mansur)
1969 - "Bonga, o Vagabundo" (de Victor Lima)
1972 - "Ali Babá e os 40 ladrões" (de Victor Lima)
1973 - "Aladim e a Lâmpada Maravilhosa" (de J.B. Tanko)
1973 - "Robin Hood, o Trapalhão da Floresta" (de J.B. Tanko)
1974 - "O Trapalhão na Ilha do Tesouro" (de J.B. Tanko)
1975 - "Simbad, o Marujo Trapalhão" (de J.B. Tanko)
1976 - "O Trapalhão no Planalto dos Macacos" (de J.B. Tanko)
1977 - "O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão" (de J.B. Tanko)
1978 - "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas" (de Adriano Stuart)
1979 - "O Cinderelo Trapalhão" (de Adriano Stuart)
1979 - "O Rei e os Trapalhões" (de Adriano Stuart)
1980 - "Os Três Mosqueteiros Trapalhões" (de Adriano Stuart)
1980 - "O Incrível Monstro Trapalhão" (de Adriano Stuart)
1981 - "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (de Sílvio Tendler)
1981 - "Os Saltimbancos Trapalhões" (de J.B. Tanko)
1982 - "Os Vagabundos Trapalhões"  (de J.B. Tanko)
1982 - "Os Trapalhões na Serra Pelada" (de J.B. Tanko)
1983 - "O Cangaceiro Trapalhão" (de Daniel Filho)
1983 - "O Trapalhão na Arca de Noé" (de Del Rangel)
1983 - "Atrapalhando a Suate"(de Victor Lustosa e Dedé Santana)
1984 - "Os Trapalhões e o Mágico de Oroz"(de Victor Lustosa e Dedé Santana)
1984 - "A Filha dos Trapalhões" (de Dedé Santana)
1985 - "Os Trapalhões no Reino da Fantasia" (de Dedé Santana)
1986 - "Os Trapalhões no Rabo do Cometa" (de Dedé Santana)
1986 - "Os Trapalhões e o Rei do Futebol" (de Carlos Manga)
1987 - "Os Trapalhões no Auto da Compadecida" (de Roberto Farias)
1987 - "Os Fantasmas Trapalhões" (de J.B. Tanko)
1988 - "Os Heróis Trapalhões - Uma Aventura na Selva" (de José Alvarenga Júnior)
1988 - "O Casamento dos Trapalhões" (de José Alvarenga Júnior)
1989 - "A Princesa Xuxa e os Trapalhões" (de José Alvarenga Júnior)
1989 - "Os Trapalhões na Terra dos Monstros" (de José Alvarenga Júnior)
1990 - "Uma Escola Atrapalhada" (de Del Rangel)
1990 - "O Mistério de Robin Hood" (de José Alvarenga Júnior)
1991 - "Os Trapalhões e a Árvore da Juventude" (de José Alvarenga Júnior)

Perfil

Nome: Antônio Renato Aragão (Didi)

Natural de Sobral, ex-oficial do exército brasileiro, formou-se em direito no Ceará e depois de ganhar um concurso tornou-se ator. Mudou-se para o Rio de Janeiro e foi contratado pela TV Tupi. Trabalhou na antiga TV Excelsior onde criou "Adoráveis Trapalhões" e na volta p/ Tupi consagrou-se em "Os Trapalhões" junto com Dedé, Mussum e Zacarias.

Renato tem uma produtora a "Renato Aragão Produções Artísticas Ltda." que realiza filmes, programas de TV, vídeos, shows entre outros.

Em 1991, tornou-se representante especial do UNICEF e embaixador do mesmo órgão, em prol da infância brasileira.

É casado com a fotógrafa Lílian Taranto e tem uma filha, além de outros 4 do primeiro casamento.

Renato Aragão é muito religioso e provou isso quando escalou o Cristo Redentor (no Rio) para beijar a mão da estátua e fez uma caminhada de São Paulo a Aparecida, levando uma imagem de Nossa Senhora nas mãos para pagar uma promessa.

Todos os anos apresenta o "Criança Esperança" que tem a participação e shows de vários artistas para arrecadar fundos para ajudar crianças carentes.

Tirando os filmes com os "Trapalhões", Didi fez alguns outros:

1997 - "O Noviço Rebelde"
1998 - "Simão, o Fantasma Trapalhão" 
1999 - "O Trapalhão e a Luz Azul"
2003 - "Didi, O Cupido Trapalhão"
2004 - "Didi Quer Ser Criança" 
2006 - "Didi, O Caçador de Tesouros"
2006 - "O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili" 
2008 - "O Guerreiro Didi e a Ninja Lili" 

Nome: Manfried Sant'Anna (Dedé)

Nasceu em Niterói e foi criado entre artistas de circo. Trabalhou com Didi na TV Tupi antes de ser um "trapalhão". Alcançou o sucesso com o programa e após a morte de Mussum e Zacarias, desfez a parceria com Renato Aragão. Eles se reconciliaram 15 anos depois em um "Criança Esperança" e no ano seguinte, em 2005, Dedé voltou às telinhas em "Dedé e o Comando Maluco" com Beto Carrero. De acordo com o Ibope, o programa de Dedé já chegou a vencer "A Turma do Didi" de seu antigo parceiro, mas, com o falecimento de Beto Carreiro, foi cancelado o programa de Dedé. 15 anos depois, Dedé voltou a Rede Globo e voltou as boas com Didi no programa do amigo e foi recebido com muita alegria e festa por toda equipe do programa.

Nome: Antônio Carlos Bernardes Gomes (Mussum)

Teve origem humilde, estudou em colégio interno, foi membro das forças armadas e junto com amigos fundou "Os Originais do Samba" que ficou famoso graças as roupas coloridas e coreografias. Durante uma apresentação deles, o diretor dos "Trapalhões" na época viu Mussum e o convidou para participar do humorístico.

Mussum tinha verdadeira paixão pela Estação Primeira da Mangueira e era diretor de harmonia da ala das baianas.

Uma característica marcante dele nos "Trapalhões" era a maneira de falar, adicionando as terminações "is" ou "évis" nas palavras: forévis, cacildis, coraçãozis. Fora o inseparável "mé” (gíria popular para cachaça).

Mussum faleceu depois de não resistir a um transplante de coração em 1994.

Nome: Mauro Faccio Gonçalves (Zacarias)

Natural de Sete Lagoas (MG) desde pequeno gostava de teatro e música. Queria ser arquiteto, mas a falta de dinheiro não permitiu. Trabalhou em um programa de rádio e ficou conhecido por ter a habilidade de trocar de vozes e imitar animais perfeitamente bem.

Foi o mais tímido dos "Trapalhões" e o personagem mais infantil deles. Usava peruca, tinha uma risada bem característica e dizia que Zacarias era o nome de um galo que ele teve quando criança. Zacarias faleceu em 1990 devido à insuficiência respiratória.

fotos: divulgação

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