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Presença da Nintendo no Brasil
05/06/2009
Escrito por: Tom Marques
Editado por: Tom Marques

O presidente da Nintendo nos Estados Unidos, Reggie Fils-Aime, deu entrevista à Théo Azevedo da redação do UOL e comentou sobre a participação da empresa no mercado nacional.

Nos últimos anos, o chefe da filial americana tentou uma aproximação com o governo brasileiro para rever a carga tributária sobre os jogos. Sem sucesso, os produtos da fabricante continuam a ser vendidos através de revendas autorizadas por intermeio da Latamel, representante oficial da Nintendo na América Latina. Hoje o console Wii custa o equivalente a US$ 1.000 no Brasil, e nos Estados Unidos é encontrado por US$ 250.

Ainda com preços proibitivos para um console de baixo custo, o executivo norte-americano acredita no potencial do mercado brasileiro e diz que o país pode liderar o mercado na América Latina, posto hoje ocupado pelo México.

Confira a seguir entrevista de Reggie à Théo Azevedo do UOL:

UOL: O que a Nintendo tem em mente para o Brasil?

Reggie Fils-Aime: Em primeiro lugar, estamos comprometidos com o mercado brasileiro. Sabemos que os jogadores brasileiros amam a Nintendo, e nós também gostamos deles. É uma pena que as políticas de importação do Brasil façam o Wii custar US$ 1.000 por lá, enquanto o preço nos Estados Unidos é US$ 250.

No passado, nos aproximamos do Governo na tentativa de baixar a carga tributária, mas não funcionou. Então, precisamos achar outras maneiras de tornar nossos produtos atraentes, para trabalhar de maneira mais próxima dos revendedores e da imprensa e realmente fazer o mercado brasileiro ser tão grande quanto pode ser.

Atualmente, o México é o nosso maior mercado na América Latina. O Brasil pode ser simplesmente o dobro, com o preço e a infraestrutura certas. Estamos procurando a melhor forma de fazer este negócio no Brasil.

UOL: Quanto tempo levará para isso acontecer?

Reggie: Sabe, precisamos agarrar essa oportunidade assim que pudermos. Os consumidores ao redor do mundo estão dizendo que o Wii é um grande videogame. Por que os brasileiros não podem ter a oportunidade jogar grande games já lançados, como "Twilight Princess" e "Super Mario Galaxy", bem como títulos novos? Isso tem que acontecer o mais rápido possível.

UOL: Você disse que a aproximação com o governo brasileiro não deu certo. A Sony acaba de anunciar que vai lançar a linha PlayStation no Brasil, além de fabricar os jogos lá e, eventualmente, até o PS2. A Nintendo não poderia fazer algo similar?

Estamos avaliando todas as opções para estar no Brasil e dirigir o negócio. Não posso lhe dizer hoje o que vamos fazer exatamente, mas, no final, estaremos no Brasil cuidando do negócio.

UOL: Quando você fala em "estar no Brasil", isso poderia significar presença direta?

Reggie: Não acho que precise ser uma presença direta, com funcionários da Nintendo em um escritório. Mas precisa ser com um preço viável para o máximo possível de pessoas, trabalhando com revendedores para assegurar a apresentação correta dos produtos, se aproximando da mídia para passar as ideias corretas e também promovendo eventos. Assim, o consumidor pode tocar e experimentar na prática o que faz nossos produtos serem diferentes.

UOL: Sony e Microsoft anunciaram seus respectivos dispositivos de movimento...

Reggie: [Ele interrompe] Já vimos isso antes, não [risos]?

UOL: É, vimos sim. Bem, a Nintendo estava um passo à frente, mas agora os competidores parecem estar se aproximando. Para a Nintendo, qual é o próximo passo?

Reggie: Tenho dois comentários sobre isso: acho interessante que nossos concorrentes, três anos atrás, estavam dizendo "quem precisa de controle de movimento quando o que você precisa é de imagens bonitas na tela?". Agora sabemos o quão bem isso funcionou.

Agora eles estão tentando fazer controles de movimento de maneiras que são bastante caras, que ainda não foram comprovadas e que ainda não estão no mercado. Nós temos o MotionPlus, muito preciso, diferente e fácil de jogar. Vamos continuar fazendo este tipo de tecnologia e com esta aproximação em relação ao consumidor.

Quanto ao próximo passo, vimos isso com o Vitality Sensor e nosso pensamento é fazer mais pessoas jogarem, através do Wii Remote, "Brain Age" e "Wii Fit". Porém, ainda há muitas pessoas dizendo que os jogos não são para elas, então temos que fazer algo mais, que os tragas para os games. E uma das tecnologias é o Vitality Sensor. É uma experiência completamente diferente. Não sei se a chamo de game ou de uma experiência guiada pelo software e que permite fazer coisas que você nunca achou possível. É isso o que vamos fazer e mostrar no futuro. O Vitality Sensor chegará ao mercado em 2010.

UOL: O que você achou da E3 2009?

Reggie: Gostei desse formato. Nos últimos dois anos, a feira foi muito pequena para o tamanho desta indústria. Desta vez, o evento parece na medida certa para mim: o pavilhão de exposições tem muita emoção e há muitas pessoas jogando. Enfim, gostei do tamanho e do estilo.

UOL: Afinal, como é ser presidente da Nintendo? Você é querido pela comunidade de jogadores, pela imprensa etc. É o emprego dos sonhos?

Reggie: Eu me divirto muito. Sabe, é algo que me surpreende. Eu amo games, sempre fui fã de "Zelda" e meu primeiro videogame foi um Super Nintendo. Para mim, é maravilhoso ser um líder desta indústria. E eu adoro estar conectado às pessoas que jogam nossos games. Na verdade, não importa se eles são "fanboys" da Nintendo, Sony ou Microsoft, pois eu jogo de tudo.

Imagens: Théo Azevedo / Divulgação






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