CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 

          DICAS PARA SAIR DO BURACO

Há cerca de dois meses eu escrevi aqui n'O Mossoroense um artigo dando dicas de como não ficar inadimplente. Mas e se você, ou alguém da família, já está inadimplente, com o nome negativo no SPC, no Serasa ou nos cartórios de protestos? Enfim, está no buraco financeiro, o que fazer? Eu preparei algumas dicas e orientações, acompanhe:

Comece por dominar a tentação consumista deste final e começo de ano. Não compre nenhum presente. Um bilhete franco, humilde contando a realidade, falando do seu amor e desejando coisas positivas, significará muito mais para um bom filho, namorada(o), ou esposa(o) do que uma lembrança material, que pode ser dada num futuro próximo.

Não emita cheques pré-datados, o que apenas aumenta a bola-de-neve. Se o cartão de crédito ainda não estiver cancelado ou com o limite estourado, deixe-o em casa junto com o talão de cheques para evitar recaídas. Troque a grande rede pelo pequeno supermercado do bairro ou vila. Você tem que pagar à vista, mas consegue preços 15%, 20%, 30% mais baratos. Além do que, a maioria das marcas de enlatados, massas, grãos, leite em pó, produtos de limpeza e higiene pessoal são as mesmas tanto num como no outro estabelecimento.

Economia em casa com luz, água, telefone fixo, Internet e até celular, são itens que se você atingir uma meta de 25% de redução já dá uma brutal diferença no final do mês. Some-se a isso os desperdícios com pasta dental, sabonete, papel higiênico, cremes, shampoos, condicionadores, detergentes. Estima-se que cerca de 10% desses produtos acabem indo para o lixo junto com as embalagens, só pela preguiça das pessoas em espremer o tubo ou colocar um  pouquinho de água para aproveitar o que fica grudado nas partes internas dos frascos.  Chame a família para uma conversa franca e séria. Todos têm que colaborar na contenção de despesas: gato, cachorro. filhos e empregada. Esta última, merece uma conversa em particular. Você já parou para reparar na quantidade de comida que vai, todo o dia, para o lixo na sua casa? Sobras do almoço dão uma saudável e suculenta sopa para a noite...

Suspenda a compra de eletrodomésticos, roupas e sapatos. Se for urgente, mande consertar, reformar ou compre um usado. Não tenha vergonha, o fato não vai lhe diminuir. Na Europa e nos Estados Unidos é comum encontrar as famílias comprando em bazares beneficentes  e brechós.

Tomada estas providências que economizam e estancam o que está indo "pelo ralo", é hora de analisar de qual fonte mais  você pode tirar ou fazer dinheiro. Não recorra a agiotas, além dos tradicionais juros escorchantes eles estão cobrando 15%, 20% ao mês por conta da disparada da inflação. Você vai tapar vários buraquinhos e arrumar um buracão maior. A sua dívida vai crescer brutalmente e a maioria desses agiotas age com violência se você atrasar. São comuns ameaça de morte e agressões ao devedor e família. O  melhor mesmo é vender um bem, como carro ou terreno, sobretudo se for para saldar de vez todo seus débitos e acabar com a angústia.

Obtido o dinheiro - mesmo que não for o total - é a vez de iniciar os pagamentos. Dê prioridade para pagar os amigos e parentes. Lembre-se que eles também têm contas para quitar. Até porque, não saldar dívidas com um banco ou grande empresa, não vai levá-los à falência; mas pode "quebrar" amigos e familiares que o socorreram e podem voltar a fazê-lo, com juros baixos, numa nova urgência. Parta depois para negociar, caso a caso, com lojas, bancos e cartões de crédito, pedindo sempre um abatimento nos juros, multas, encargos financeiros e honorários advocatícios que são cobrados. Não se esqueça também de pedir uma carta dando total quitação do débito. Eles são obrigados a dar baixa de seu nome no Serasa e SPC mas, de posse do documento, você pode agilizar o processo.

Ótimo Natal para vocês - equilíbrio financeiro é fundamental para o equilíbrio mental - quinta-feira (26/12) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

 

CLÁUDIO MONTEIRO

EMAIL: claudiomonteiro@natalja.com.br

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Mossoró-RN, quinta-feira, 19 de dezembro de 2002