CÁSSIO RODRIGO
 


LEGÍTIMAS, SÓ AS HAVAIANAS

Não apenas as pequenas empresas superam as grandes crises. A Havainas, desde o seu lançamento em 1962, atravessou, talvez, a maior de suas dificuldades. Sinônimo de sandália, ela chegou aos anos 90 com uma péssima imagem. Seu principal público consumidor, a classe média, a trocou por produtos mais sofisticados. Alguns até debochavam: usá-la virou atestado de pobreza. Em 1994, ano em que as marcas mais baratas de sandálias começaram a surgir e despertar a atenção dos consumidores, a Alpargatas, empresa que a produz, decidiu dar a volta por cima. O primeiro passo para reconstruir a imagem das Havaianas foi o lançamento de uma linha com um nome sugestivo: Top-monocrática; com um solado mais alto e o nome gravado em relevo. Através de ações que uniram publicidade e relações públicas, a sandália evoluiu de confortável pé-de-chinelo para artefato de moda. Com a ajuda de modelos famosas como Naomi Campbell, Kate Moss e a brasileira Gisele Bündchen, a Havaianas deslanchou. Nunca mais deixou de investir em mídia e, atualmente, sua verba publicitária cresceu para 12% do faturamento (728 milhões de reais em 2002). Craques do futebol (Bebeto, Raí), atores (Malu Mader, Patrícia Pillar, Marcos Palmeira) e modelos (Luana Piovani, Fernanda Lima) protagonizaram situações divertidas em comerciais de rádio e TV e anúncios de revistas. Quando a Alpargatas foi reforçar o estoque nas lojas de calçados freqüentadas pela classe média, deparou com um obstáculo. Como parte dos salários dos vendedores provém de comissões, eles preferiam vender um tênis da Nike de 150 reais a oferecer uma Havaianas da moda, que custa menos de 10 reais. Então a Alpargatas começou a agir: espalhou displays nos caixas e caprichou na embalagem, a fim de estimular as compras por impulso. Atacadistas foram convocados para massificar a distribuição em 150.000 pontos-de-venda pelo Brasil afora. Além disso, uma equipe de designers foi realizar pesquisas de cores na Europa para selecionar as que melhor combinavam com os trajes de banho. As coleções passaram a ser renovadas a cada ano. Atraídos pela variedade de cores, os jovens consumidores passaram a comprar dois ou três pares, em vez de um. A estratégia usada foi a extensão de linha, combinando com temas. Com isso, as vendas dobraram em uma década e hoje é distribuída em 47 países.

POUPANÇA PARA OS INATIVOS

O presidente Lula está oferecendo uma alternativa que é bem menos intransigente do que a proposta de contribuição para os servidores inativos. É um modelo em que, mensalmente, se descontaria um valor x da aposentadoria do servidor e, quando o mesmo vier a falecer, essa quantia seria liberada para a família do servidor. Esse modelo, nos moldes do FGTS, foi defendido por Lula numa reunião que teve essa semana com representantes do PMDB. A idéia é cobrar contribuição apenas para o pagamento de futuras pensões às famílias dos servidores.

CLASSE C

Cresce no país o número de pessoas que escolhem produtos pelo preço e adoram novidades. São famílias com renda mensal de até 900 reais que formam um grande mercado que consome 35% da produção industrial. Fazem parte dessa classe os seguintes produtos: maionese, iogurte, molhos de tomate, leite condensado etc. Ao todo, são 10,5 milhões de famílias que representam o maior potencial de consumo do país de bens não duráveis, como alimentos, produtos de limpeza e de higiene.

IMÓVEIS NA MIRA DA RECEITA

A Receita Federal vai cadastrar todas as operações de compra, venda e aluguel de imóveis. A partir deste ano, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e administradoras de imóveis terão de apresentar a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB). A primeira declaração, com base nas informações de 2002, terá de ser entregue até o dia 30 de abril. A partir do ano que vem, o prazo final para apresentação da Dimob será o último dia útil de março. O objetivo é identificar sonegadores. A pessoa física que não tiver renda declarada suficiente para comprar o imóvel poderá sofrer investigação.

EM NOME DA LEI

Todo ser humano é passível de críticas, porém, são injustas as críticas que parte da imprensa vem tecendo ao juiz Reynaldo Odilo. É bom lembrar que apesar da precária estrutura judiciária em nosso país, o Juizado Especial de Mossoró, que tem à frente os juízes Armando Ponte e Reynaldo Odilo, desenvolve excelente trabalho em favor da comunidade mossoroense. Ambos somente atuam em nome da lei.

REAJUSTE DE 8% NO PREÇO DA GASOLINA EM 2003?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) prevê que em 2003 o preço da gasolina vendida ao consumidor deverá ter um preço 8% maior neste ano do que ao longo de 2002. Duvida-se muito, pois apenas este ano a gasolina já subiu em média 8,12%, sem contar que a previsão anterior de aumento para este ano era de apenas 0,2%.

TRIBUNA LIVRE:

- Segundo o IBGE, o desemprego aumentou em janeiro. Atingiu 11,2% da PEA (População Economicamente Ativa), contra 10,5% de dezembro;

- A Perdigão, uma das maiores processadoras de carne de aves no país, caiu 95% em 2002 em relação a 2001, atingindo 8,2 milhões de reais;

- A operadora de celular Oi, após seis meses de lançamento, já contabiliza um saldo de 1,4 milhão de clientes e um faturamento de 550 milhões de reais.
 

 

CÁSSIO RODRIGO
EMAIL: cassiorodrigo@omossoroense.com.br


 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003