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Operação
criminosa
Não adianta
botar panos quentes. O prefeito de Grossos,
Dehon Caenga, e o motorista dele, Márcio
Sander Martins, foram assassinados por agentes
da Delegacia Especializada de Defesa da
Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov).
Por engano, é verdade, mas as evidências
e os depoimentos de pessoas que testemunharam
o episódio revelam que, em nenhum momento,
os policiais envolvidos no caso agiram com
intenção de identificar e prender supostos
bandidos.
Os agentes
civis atiraram para matar. E mataram. Dois
cidadãos inocentes estão mortos, seus corpos
sepultados, suas famílias desesperadas.
Outros dois homens encontram-se feridos,
um deles em estado grave, com uma bala alojada
no crânio. O povo do município de Grossos
vive a revolta, a dúvida, o medo. O Rio
Grande do Norte enfrenta a insegurança e
a vergonha. A mídia, entre cautelosa e atordoada,
rotula a matança em Santa Maria de "ação
desastrosa da polícia".
Desastrosa,
nada: criminosa! Os sujeitos montaram a
barreira com viaturas sem identificação,
à noite, em plena BR-304. Qualquer viajante
os confundiria com malfeitores. Dehon Caenga
tentava escapar do que lhe pareceu um grupo
de assaltantes. Morreram, ele e o motorista,
porque os tais agentes, ansiosos por eliminar
os puxadores duma Mitsubish L-200, não perceberam
que o carro no qual quatro homens aflitos
tentavam fugir do perigo iminente era uma
Toyota Hilux.
O subsecretário
da Segurança Pública e da Defesa Social,
Maurílio Pinto de Medeiros, reconhece que
"As vítimas ficaram em dúvida se a
barreira realmente era de policiais. Qualquer
um poderia pensar que eram bandidos e tentaria
fugir". E o ouvidor da secretaria,
doutor Marcos Dionísio Caldas, observa:
"Por que uma operação que visava parar
um veículo não priorizou tiros nos pneus?
Nenhum pneu foi alvejado, mas a caminhonete
ficou como uma tábua de pirulitos".
Mesmo que
tivessem acertado os ladrões da L-200, o
episódio não deixaria de ser criminoso,
embora os comentários posteriores fossem
sobre o heroísmo dos policiais da Rota-304.
O papel da polícia é proteger a sociedade
e não espalhar terror. Os agentes seguiram
aquele conselho tão levado a sério pelas
tropas americanas no Iraque: atirar primeiro,
fazer perguntas depois. O problema é que,
em qualquer situação, a resposta é sempre
escrita com sangue dos inocentes.
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