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DEPUTA,
DEPUTADO!
Os episódios
de irresponsabilidade com o dinheiro público
que arranharam a Câmara dos Deputados
na última semana; a eleição do folclórico
deputado Severino Cavalcanti (PP/PE) --
assumido defensor de salários astronômicos
para si e seus pares -- e os 25 anos de
fundação da agremiação devem servir de profunda
reflexão para a sociedade como um todo e
deveriam servir para o Partido dos Trabalhadores
em particular. Deveriam servir na medida
que a cúpula e o próprio presidente da República
(que inspirou a criação do PT) estão completamente
distanciados dos ideais, do programa e dos
militantes que ainda heróica e bravamente
resistem e lutam para que o PT resgate seus
compromissos históricos de transformar o
Brasil num país socialmente mais justo.
As letras
PT estão grafadas em negrito no título do
artigo justamente para ressaltar que o partido
ao assumir o poder federal se entregou a
tal ponto ao fisiologismo, ao troca-troca
que permitiu que o quadro político-institucional
chegasse ao ponto vergonhoso que chegou.
Onde boa parte dos deputados envereda pelo
caminho fácil da prostituição, maculando
a imagem de outra parte de deputados sérios
e honestos. O PT tem culpa no cartório.
O
PT de hoje está tão desfigurado, ou foi
tão desfigurado em pouco mais de 2 anos
de Palácio do Planalto, que é apenas uma
caricatura do que foi desde sua fundação
até pouco antes da eleição de Lula. Mais
precisamente quando o PT lançou, aos mercados
financeiros, na reta final da campanha,
a famosa carta que acalmou o FMI, os banqueiros
internacionais e garantiu a eleição de Lula.
Digo que o PT está desfigurado de cátedra.
Há muitos anos não tenho filiação partidária,
desde que entendi que ela poderia prejudicar
minha independência como jornalista
profissional, mas antes, ainda jovem, militei
e ajudei a fundar o PT no seu berço de origem
em São Paulo, vendendo de porta em porta
camisetas e estrelinhas para angariar fundos
para um partido diferente que surgia
para representar os trabalhadores e aqueles
que, como eu, tinham deixado de acreditar
que só a luta armada poderia transformar
o Brasil.
E
foi pregando que só a participação política
dos cidadãos poderia socializar as riquezas
de um Brasil rico com um povo pobre, que
o PT cresceu tanto e conquistou tanto
respeito e elegeu tantos representantes
em todos os níveis dos legislativos e dos
executivos. E como oposição o PT se mostrou
imbatível na luta pelo respeito à ética
e na representação das classes mais desfavorecidas.
Porém, a partir do momento que conquistou
o poder foi esfacelando rapidamente o que
era justamente seu maior capital e mudou
do vinho para água. Uma água turva e
pantanosa produzida a partir da mistura
fisiológica de tantos adversários que desembocou
na excrescência da eleição de uma "excelência"
chamada Severino Cavalcanti. Que rapidamente
-- rei morto, rei posto -- já foi
agraciado pelo Planalto com a nomeação do
filho para delegado do Ministério da Agricultura
em Pernambuco e deve emplacar um deputado
do PP, indicado por ele a dedo, para ministro
das Comunicações. Tudo sem vetos e com as
bênçãos do PT.
E se o
PT atual fosse o PT de menos de 3
anos atrás não haveria um candidato dissidente
dentro do próprio partido à presidência
da Câmara e não haveria a derrota que houve
para um retrocesso no processo democrático.
E riscos para a democracia não são oriundos
apenas dos quartéis, mas também de instituições
frágeis e vulneráveis.
Vulnerável
como o PT permitiu que se transformasse
a Mesa, as comissões internas e a presidência
da Câmara dos Deputados. Presidência que
além de ser o segundo na linha de sucessão
do presidente da República, controla um
orçamento de mais de 2,4 bilhões de reais
por ano, maior do que 8 estados da federação
e de que todos os orçamentos das mais de
5 mil cidades brasileiras. Só superado,
pasmem, pelo orçamento das três maiores
capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo
Horizonte...
E no momento
que o presidente Severino Cavalcanti, acrescentou,
na última quarta-feira (16) mais 103 milhões
de reais ao já absurdo orçamento da Câmara
Federal -- quando elevou por
ato da Mesa Diretora a verba de gabinete
dos deputados de 35 mil para 44 mil reais
por mês -- ele não estava apenas
se locupletando e compensando os deputados
por não ter conseguido realizar sua promessa
de campanha de aumentar o também já destoante
salário dos deputados de 12,5 para 20,5
mil reais/mês. Ele, Severino, implementou
parte do projeto que tramita na Casa apresentado
pelo seu antecessor, deputado petista João
Paulo (cotado para ministro e para disputar
o governo de SP) que além de
aumentar a verba de gabinete de 35 para
44 mil reais/mês ainda prevê elevar o número
de assessores de cada deputado de 20 para
25. Francamente...
Ave
PT, Ave PT!!!
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