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Meirelles diz que taxa real de juros é alta, mas está caindo

BRASÍLIA - Os juros reais "são altos no Brasil, de fato, mas têm caído", disse o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Segundo ele, a faixa atual, em torno de 13% ao ano, equivale à metade do patamar praticado entre 1999 e 2003.

Ele disse, ainda, que em 2004 e 2005, a taxa real de juro caiu a dois terços do período 1999-2003.

Meirelles concluiu a tranqüila sessão de prestação de contas do Banco Central sobre o segundo semestre de 2004, a seis comissões do Congresso.

Apesar da expectativa de que parlamentares pudessem aproveitar a ocasião para questioná-lo sobre o processo que apura denúncias de crime eleitoral e fiscal, que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), a CPI dos Correios esvaziou a sessão e Meirelles não teve que responder a questões políticas.

Entre as respostas sobre temas econômicos, o presidente do BC disse ser contra a ampliação do número de membro do Conselho Monetário Nacional (CMN), hoje de apenas três integrantes. "Tentar replicar a representação da sociedade no CMN é algo sem precedentes", disse Meirelles. Ele argumentou, ainda, que haveria dificuldades na decisão sobre os setores que teriam assento no Conselho.

O presidente da autoridade monetária também negou que o BC tenha excesso de poderes, como, por exemplo, de elevar a taxa de juros. Conforme Meirelles, o Banco Central é obrigado a seguir uma rígida disciplina e tem como limitação as metas de inflação. Ele citou que o presidente do BC da Itália, por exemplo, tem mandato vitalício.

A um parlamentar que questionou o aumento da dívida pública com os gastos provocados pela elevação da taxa básica de juros, Meirelles respondeu que seria prejudicial impor limite para a taxa de juros que o BC pode fixar. "Isso daria uma sinalização de que o Banco Central não tem todas as condições para combater a inflação".

O presidente do BC também disse que ele e a diretoria "mais do que ninguém, temos consciência do custo" dos juros elevados. E acrescentou que, por uma questão de opção, o BC tem usado a taxa de juros e não os depósitos compulsórios dos bancos como instrumento de política monetária.

Segundo ele, o compulsório sobre depósito à vista no BC soma R$ 65,75 bilhões e sobre depósito a prazo em títulos públicos totaliza R$ 29,46 bilhões.

Economia deve voltar a crescer no segundo semestre, espera BC

BRASÍLIA - Se depender do otimismo do Banco Central (BC), a economia volta a crescer a partir do segundo semestre, embora em torno de 3,4% - abaixo dos 4,9% de 2004.  "Temos à frente menos inflação e aceleração do crescimento " , disse o diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua.

No Relatório de Inflação de junho, Bevilaqua e sua equipe reduziram de 6,9% para 2,3% a taxa esperada de formação bruta de capital fixo para este ano.

Ele explicou que a reavaliação teve por base novos dados do IBGE para a evolução da atividade econômica em 2004, e preliminares sobre o primeiro trimestre de 2005, que mostraram o segundo período de queda consecutiva dos investimentos.

Mesmo assim, ele se mantém otimista: “O segundo trimestre de 2005 já foi melhor que o primeiro e teremos um ritmo mais forte do crescimento no segundo semestre deste ano”, afirmou. Com a inflação em queda, o diretor do BC prevê recuperação dos investimentos.

"No quadro econômico, o que tem para vir à frente, certamente é melhor do que vimos pelo retrovisor" , disse Bevilaqua.

Ele disse ainda que haverá uma troca de importância, em relação ao que ocorreu em 2004: a produção para a demanda externa voltará a ser mais forte do que o consumo interno, para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

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