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Um pedaço de esperança
Já era meados de junho, o calor insuportável e a poeira anunciavam que por mais um ano o homem nordestino teria que suportar dias difíceis.
Sentado na calçada de batente alto – própria das casas de interior – João fitava o céu, buscando um fio de nuvem qualquer que lhe trouxesse alguma esperança e tirasse de sua cabeça aquela idéia que há dias insistia em perseguir-lhe sem permissão nem agrado.
Deixar a sua terra em busca do sul era a última das alternativas, mas se não caísse chuva alguma nos próximos meses, nada mais poderia fazer senão render-se a esta tão malfadada sina.
O dia já findando, ao longe se ouvia o mugir do gado, como que pedindo socorro, na busca de alguma poça d’água na beira do riacho para saciar-lhe a sede.
João vai ao encontro de suas reses – duas no total – àquele tempo, mais pareciam dois fantasmas perambulando na imagem tórrida da caatinga – couros e ossos apenas.
Mas é chegada a hora da ordenha, são elas agora o seu único tesouro, a salvação dos dois filhos pequenos, como se fossem eles, na verdade, filhos cada um de cada uma daquelas vacas.
À boca da noite, o carão canta no pé-da-serra e ele pensa: “é uma noite boa para uma caçada”.
E se joga mata adentro, junto com o cachorro velho sempre bom de caça.
Sobem serrotes e mais serrotes e João, cansado, adormece sobre uma pedra ainda morna do calor diurno.
De tão fatigado, João adormece e sonha.
Sonha que do céu cai lentamente uma chuva fina e milagrosa, sonha banhando-se nos rios e brincando com seus moleques na sangria do açude.
Ao acordar, já alta madrugada, o cachorro deitado ao lado observa seu sono, o rosto molhado por uma fina garoa e João não acredita no que vê.
Contempla a nuvem carregada sobre sua cabeça e o trovão ao longe lhe soa como a bela das canções.
Neste instante do meio da mata se ouve seu grito: “Deus existe, meu senhor, Deus existe!”
...et cetera e coisa e tal...
Meus parabéns ao poeta Antônio Francisco e à escritora e jornalista Lúcia Rocha, os dois são certamente as maiores revelações da literatura mossoroense. Ambos lançaram seus livros na Bienal do Livro de Natal e receberam grandes elogios.
Um grupo de artistas fundou recentemente a ONG Salv’Art. O grupo pretende atuar nas áreas de cultura, meio-ambiente e cidadania oferecendo suporte técnico a quem deseje desenvolver projetos nos mencionados setores.
O Hotel Sabino Palace e a Fundação Vingt-un Rosado inauguraram no último dia 14 a primeira de uma série de bibliotecas a serem implantadas naquela rede hoteleira. A biblioteca mossoroense recebeu o nome do pesquisador Geraldo Maia.
O Chap-Chap Bar e Tapiocaria acaba de adotar mais uma iniciativa ousada. Além de estar aberto de domingo a domingo, o espaço agora também vai ter música ao vivo todos os dias. E em breve estará lançando o seu Clube da Cachaça.
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Mossoró-RN, de 2005