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Juliana Silveira

Tom de cinderela

Juliana Silveira quase desistiu quando soube que teria de cantar em “Floribella”. Durante o primeiro teste para a novela da Band, ainda insistiu: “Vocês têm certeza de que querem que eu cante?”. Diante da resposta positiva, “atacou” “Coração de Papelão”, antigo sucesso infantil nas vozes de Jairzinho e Simony, do extinto Balão Mágico. Vencida a seleção, a primeira tarefa de Juliana foi justamente gravar o CD com a trilha sonora da novela, que chegou este mês às lojas. E a atriz até hoje não acredita no resultado. “Fiquei encantada com a minha voz. Quando ouvi pela primeira vez, falei: ‘Não é possível, não sou eu!’”, conta, orgulhosa.

O trabalho do CD foi feito durante o mês de janeiro, antes do início das gravações da novela. Juliana confessa que estava meio “travada” nos primeiros dias, mas não demorou a se soltar. “Foram dois dias só me ambientando. Depois, gravei tudo em quatro dias. Sou tímida, mas, quando me solto, ninguém me segura”, avisa, entre risos. Depois desta “prova de fogo”, a atriz vê com muita tranqüilidade o trabalho de protagonista de “Floribella”, que requer cerca de 12 horas diárias de dedicação, de segunda-feira a sábado. Até a falta de tempo para a vida pessoal vira motivo de piada. “Ainda bem que casei antes, segurei o marido. Agora é o momento de ele ser compreensivo”, teoriza Juliana, casada há cinco meses com o empresário Rodolfo Medina.

Ser protagonista não é exatamente uma novidade na carreira de Juliana. Em 2003, ela assumiu Júlia, a personagem central de “Malhação”, da Globo. Lá, o ritmo de gravações também era intenso. Mas Juliana não tinha de cantar e dançar. “Estou cansada, rouca, sem voz, mas feliz”, garante a atriz, de 25 anos. Boa parte dessa satisfação, a atriz credita à receptividade na nova emissora. Desde que estreou na carreira artística, como assistente de palco de Angélica, ainda na extinta Manchete, Juliana fazia pequenas participações na Globo, até conquistar o posto de protagonista do “folheteen”. Um mês depois de vencido o contrato com a emissora, em dezembro do ano passado, ela já estava na Band. “É uma equipe menor e eu gosto disso. Parece uma grande família, está todo mundo vestindo a camisa”, derrama-se.

Até agora, os resultados são promissores. A novela, adaptada da argentina “Floricienta” por Patrícia Moretzsohn, vem alcançando médias de quatro pontos no Ibope e a emissora já fala em produzir uma segunda temporada, a exemplo do que atualmente acontece na Argentina. Juliana não esconde a torcida. “Tomara que dê certo!”, anseia. Enquanto isso, ela se diverte com as trapalhadas de Flor, que, segundo sua própria avaliação, tem muitas características suas. “Sou tão desastrada quanto ela. Vivo tropeçando, esbarro em tudo que é canto, fico toda roxa”, enumera, entre risos.

Para compor a “Cinderela” moderna, Juliana garante que não teve de fazer muito esforço. Misturou referências cinematográficas como o clássico “A Noviça Rebelde” e o trabalho de Jennifer Garner em “De Repente 30”. “Ela tem 20 anos e um lado infantil, mas que não é bobo. Tem um astral diferente, acho que é bem a cara do filme”, justifica a atriz, que fez questão de não assistir à versão original da novela. “Queria fazer a Flor do Brasil”, ressalta. Animada com o trabalho, Juliana encantou-se à primeira vista com a personagem, com seu figurino alegre e colorido e com o astral da novela, que não passa um capítulo sem exibir um clipe musical, geralmente associado aos sonhos de Flor. “Tenho um lado romântico, como ela, e também costumo fazer piada com as situações. No final, a gente tem sempre de rir, não adianta chorar”, conclui.

Herança valiosa

Desde que começou a interpretar Flor, Juliana Silveira tem se lembrado bastante de seus tempos de assistente de palco de Angélica, na extinta TV Manchete. A atriz tem certeza de que sua primeira experiência profissional foi o que a impediu de “amarelar” diante da energia sem fim da personagem, que a faz cantar e dançar diariamente e a colocou no palco, diante de uma platéia lotada, durante a apresentação da novela para a imprensa e anunciantes em São Paulo. “É uma coisa bem diferente segurar uma platéia. Quando eu era angeliquete, fazia isso, pegava o microfone e interagia com o público enquanto a Angélica trocava de roupa”, lembra.

Até o final do ano, Juliana certamente vai ter outras oportunidades de testar sua desenvoltura frente a uma platéia ao vivo. A Band prevê montar um show de “Floribella”, assim como já acontece com “Floricienta” na Argentina. “Não vejo a hora de isso acontecer. A adrenalina do palco é fantástica”, comemora Juliana, que já imagina todo o espetáculo. “Acho que vai ser uma coisa meio Broadway, com dança, música, interpretação... Vai ter de tudo”, aposta. Enquanto a emissora não coloca o show de pé, a atriz exercita os dotes artísticos com a multifacetada Flor, que já tem uma boneca e seu inseparável tênis colorido no mercado e deve emprestar sua imagem a uma série de outros produtos até o fim da novela. “Costumo brincar dizendo que a Flor é atriz, modelo, apresentadora e cantora. É um ótimo exercício, porque são muitas coisas ao mesmo tempo”, valoriza Juliana.

Instantâneas

# No CD de “Floribella”, Juliana Silveira canta em vários estilos, indo da música romântica ao rap. “É uma música gostosa de ouvir, com uma batida boa, tipo música-chiclete, que pega mesmo”, tenta definir a atriz.

# Juliana Silveira ficou satisfeita por não ter de se mudar do Rio de Janeiro em função das gravações da novela, realizadas no Pólo de Cine e Vídeo, na Zona Oeste da cidade.

# Juliana Silveira nasceu em Santos, São Paulo, no dia 12 de março de 1980.

# Antes de protagonizar “Malhação”, Juliana Silveira fez pequenos papéis em “Pecado Capital” e “Laços de Família”, além de participar de alguns episódios do programa “Você Decide” e da série “Brava Gente”, todos na Globo.

# Juliana Silveira se casou com o empresário Rodolfo Medina no Carnaval de 2005, durante uma viagem a Las Vegas, nos Estados Unidos.

 

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