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 “... a saudade é o revés de um parto A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu...”  (Chico Buarque)

  LEITO

Lívio Oliveira

Escritor e poeta (Natal/RN)

 

O óleo

de castanhas,

queimadas em lata,

remonta o dia

da febre infantil.

 

A camisa branca,

colegial,

resta manchada

da dor de abril.

 

 

  TROQUE A BOMBA POR

  UM BOMBOM

Míria Helen Ferreira de Sousa

Profª do Colégio Diocesano

 

Bom dia criançada!

Como vocês estão?

Tô aqui mais meu amigo

Que se chama de Janjão.

 

Meu nome é João Batista

Vê se você não enrola

Senão ao invés de Belinha

Eu lhe chamo de carola.

 

Nós dois viemos falar

Aos meninos e meninas

Sobre algo que acontece

Sempre nas festas juninas.

 

É que o mês de junho

É um tempo de alegria

Tem quadrilha, tem forró

Tem fogueira e bandeirinha.

 

Tem cocada e milho verde

Tem pamonha e canjica

Rapaz com chapéu de palha

Moça com roupa de chita.

 

Mas para curtir esta festa

É preciso proteção

Então devemos evitar

De se divertir com balão.

 

O balão vai subindo

Colorido! Que beleza!

Mas depois que vem caindo

Chega trazendo tristeza...

 

Espalha fogo na mata

Mata até os animais

Destrói a natureza

Até a vida não ter mais.

 

E bem, pertinho da gente

Há os traques e os chumbinhos

Que parecem inofensivos

Mas também queimam os dedinhos.

 

Durante as festas de junho

Ocorrem muitos acidentes

E a culpa é do povo

Que dá bomba de presente.

 

Bomba é algo perigoso

Porque explode na mão

E dela a gente precisa

Para servir ao nosso irmão.

 

Por isso, amigos queridos

Viemos trazer um conselho

Pra você não ficar queimado

Sem poder se olhar no espelho.

 

Pra o São João ser festa bonita

Com boa comida e alto som

Escute a nossa mensagem:

Troque a bomba por um bombom.

  AO RIO MOSSORÓ

Fábio Alves Valentim

Estudante do curso de Filosofia da Uern

 

Discursa o rio Mossoró

Na lama

Inflama, inchado

De águas poluídas.

 

Rio que antes

Grande, majestoso,

Águas límpidas,

Desfilava vida.

 

Hoje o rio,

Agonizante, grita,

Chora as desgraças

De tua triste lida.

 

Intransigente homem,

Contamina o rio.

Joga detritos,

Homem riocida.

 

Rio esperança

Fala bem baixinho

Pede que alguém

Possa ajudá-lo.

 

Contudo, siga,

Não desista nunca,

Vai obstante

Frente aos obstáculos.

 

Rio Mossoró

Segue incessante,

Bravo, varonil,

Seu calvário errante.

 

Sei que no futuro

Hei de avistá-lo

Cheio de pompa

Brilho irradiante.

 

Eu então verei,

Rio Mossoró,

Toda sua beleza

Dos tempos de antes.

 

 

A MELODIA

João Eugênio Lira Cavalcante

Poeta mossoroense (7 anos)

 

Foi com a melodia

Que eu cantei a minha música,

Foi com a melodia que eu produzi o meu som,

Foi com os instrumentos que eu produzi a melodia

Para a música sair.

 

E a melodia que eu produzi –

A minha primeira música –

Foi a melodia que saiu do violão

E das minhas cordas vocais.

 

 

 

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