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Museu está desativado há 3 anos e a história de Mossoró fica esquecida
Bruno Barreto
Da Redação
Há 3 anos, o Museu Lauro da Escóssia está desativado, todo o seu acervo está guardado em caixotes aguardando a vinda de um museólogo, que deverá vir nas próximas semanas.
O projeto composto pelas entidades culturais para a nova exposição já está pronto há dois anos, ele prevê a criação do museu dividido por temas como cangaço e a produção do algodão.
O que revolta os freqüentadores do museu é que o projeto foi feito antes da Biblioteca. "Dinheiro para reformar a biblioteca e fazer festa tem, agora para o museu de uma cidade que se anuncia como a capital cultural do Estado, não tem", comenta um freqüentador do museu que estava presente à visita deste jornal ao local.
Basta visitar o local para saber que o material que ali se encontra está precisando ser reformado, entre eles o requerimento para a retirada do título de eleitor da mossoroense Celina Guimarães, primeira brasileira a votar.
Outra demora referente ao museu são os exemplares de O Mossoroense, do período de 1872 e 1949, que foram enviados à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro para a microfilmagem e apesar de estarem prontos ainda não voltaram.
O presidente da Fundação Municipal de Cultura, Gonzaga Chimbinho, explicou o motivo para o atraso para a realização da reabertura do museu, que estava prevista para o final do ano passado. "Toda a parte física já foi reformada, o que influiu para a demora foi a orientação do museólogo para se fazer uma climatização na parte superior do prédio e colocar um elevador para deficientes", justifica.
O presidente reconheceu que houve um atraso para a reabertura do museu e apontou a mudança de administração como fator que contribuiu para isso. "Nesse período houve uma mudança de administração, mas a prefeita Fafá Rosado está empenhada em solucionar o problema", comenta.
Gonzaga Chimbinho disse que o Instituto Paloma (RJ) levou uma relação sobre o acervo e vai apresentar uma proposta conceitual ao museólogo Hélio Oliveira, que vai definir a solução. Ele virá a Mossoró na próxima semana para fazer novas observações.
Sobre o atraso, o presidente da FMC garantiu que ele não está relacionado à falta de verbas. "As verbas estavam alocadas no orçamento de 2004 e foram repassadas para o de 2005", disse.
Sobre o requerimento de retirada do título de eleitor de Celina Guimarães, Gonzaga Chimbinho falou que a restauração do material está dependendo de um retorno do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.
Quanto ao acervo geral, o professor Gonzaga afirmou que está tudo restaurado e o material encaixotado.
No que se refere ao material de O Mossoroense que se encontra no Rio de Janeiro, Gonzaga Chimbinho informou que ele retorna à cidade no início de julho. "A Biblioteca Nacional pediu para enviar o material no início de julho por causa de uma reforma feita no local", justifica.
EXPOSIÇÃO - Como paliativo para o atraso na reinauguração do museu estão sendo realizadas exposições com fotos sobre o cangaço e outra do fotógrafo Manuelito que aconteceu há algumas semanas.
Construção do Museu do Cangaço é rejeitada
A possibilidade de construção do Museu do Cangaço tem revoltado estudiosos como o secretário da Associação Brasileira de Estudos do Cangaço (ABEC), Geraldo Maia, que preferem que o acervo sobre o tema se mantenha no Museu Lauro da Escóssia. "Temos um museu pronto com muita importância para o cangaço, porque foi lá que cangaceiros como Asa Branca e Jararaca ficaram presos, quando aquele prédio era a Cadeia Pública", explica Geraldo.
O estudioso lamenta que mesmo tendo um projeto já pronto para a reforma do museu com a reserva de um espaço justamente para isso. "Já teríamos um museu do cangaço dentro do Lauro da Escóssia, porque o carro-chefe de lá é o cangaço e sem isso aquele local fica esvaziado, toda vez que se faz referência a Mossoró se destaca a resistência a Lampião", acrescenta.
O presidente da FMC, Gonzaga Chimbinho, revela que a construção do Museu do Cangaço, no Largo da Resistência, onde ocorreu a batalha, só começará em comum acordo com a ABEC. Ele garante também o novo museu pode ser feito com um novo acervo. "Não vamos fazer nada sem antes discutir com os segmentos, não é obrigado que se aproveite o acervo do Museu Municipal", afirma.
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Mossoró-RN, de 2005