CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 


                    BANCOS RESGATARÃO
            CREDIBILIDADE DO CONSÓRCIO 
        
                                   
                Sonho de consumo que se tornou pesadelo para milhares de consumidores  lesados nos anos 70 e 80, o consórcio de veículos automotores ganha novo impulso e credibilidade com entrada no segmento dos grandes bancos que antes resistiam em disputar esse campo minado.
 
                Quase que simultaneamente, Bradesco e Itaú  --  na ordem, os dois maiores bancos privados do país  --  estão lançando suas empresas de consórcio automotivo. E estão entrando no ramo de cabeça, jogando todo o peso das instituições, a força do marketing, a existência de agências pulverizadas por todo Brasil (que vão funcionar como pontos-de-venda)  e uma substancial parcela de suas verbas publicitárias, visando alavancar rapidamente o negócio.

 
                Os bancos estão dispostos a resgatar a seriedade e a credibilidade dos consórcios, que tanto foram arranhadas. Esperam, também,  como prêmio, resgatar a lucratividade e abocanhar uma imensa massa de clientes que almejam mas não tem possibilidades de comprar um carro zero à vista, nem financiado.
 
                A fórmula do consórcio de automóveis e caminhões é simples, atraente e acessível. Forma-se  um grupo de interessados que aderem à um contrato coletivo que prevê um pagamento de uma mensalidade relativamente baixa, obtida a partir da divisão do valor atual do veículo em, digamos, cinco anos. Os participantes são convocados para uma reunião mensal onde são entregues, ao longo do período estipulado, dois carros de cada vez. Um por sorteio, um por  lance em dinheiro, feito pelos presentes  , numa espécie de leilão simplificado.
 

                
É como se fosse uma ação entre amigos, só que administrada de forma profissional por uma empresa especializada no assunto. Um bom negócio para que não tem carro e, mais ainda, para quem tem um usado e pode esperar até o seu zero ser sorteado. O que pode acontecer, dependendo da sorte do cidadão, até com apenas a primeira mensalidade paga.
 
                O processo é criativo e bem bolado. Um grupo, por exemplo, de 120 participantes em que a administradora oferece a entrega de 2 carros/mês, com valor unitário de 30 mil reais. Cada consorciado paga 500 reais de mensalidade (mais a taxa de administração, que é o lucro da empresa, e a inflação do mês ou o reajuste no preço do carro ofertado.  Ao cabo dos 60 meses todos estarão de posse dos veículos totalmente quitados. Com a real possibilidade de ter um carro zerinho na garagem, com poucas mensalidades pagas. Ou com um pequeno lance  --  que é deduzido do valor total do carro  -- dado num dia de chuva, em que poucos  participantes compareceram à reunião...
 
          
  Vários consórcios de atuação nacional ou  regional brilharam nos anos 70 e 80 com estrondoso sucesso de vendas: Garavelo; Nacional; Diamante; Remasa, só para citar alguns exemplos. Uma boa parte lesou, deu golpe mesmo nos clientes e os donos fugiram. A maioria, porém,  não agüentou e quebrou. Faliram seja por má administração ou ingenuidade na condução dos empreendimentos e deixaram os clientes à ver navios. A questão é que a fórmula apesar de simples, inteligente e factível, esbarra em alguns problemas como alta inadimplência, morte de participantes e falta de planejamento para estes casos. Esbarra, também na previsão inadequada da inflação e reajustes dos veículos não previstos de forma profissional.   
 
              Muito bem, os grandes bancos, do porte de Bradesco e Itaú, tem tudo para resgatar a credibilidade e fazer a fórmula se solidificar com sucesso e segurança para ambos os lados do balcão. Possuem estrutura, têm capital, sistemas de informatização sofisticados, profissionais de planejamento, departamentos de cobrança e jurídicos para retomadas de carros não-pagos, seguradoras próprias e, finalmente, não vão quebrar, mesmo que haja desequilíbrio financeiro em um ou outro grupo. O consórcio tem tudo para voltar a ser um sucesso. Desta vez com segurança!!

 
                 
Boa semana para todos  --  Hoje se comemora o Dia da Não-Violência. Quem sabe um "consórcio" de presidentes lúcidos não consiga demover Bush da idéia fixa da guerra, que trará inevitáveis aumentos nos carros, nos combustíveis...  --  quinta-feira (06/02) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

 

CLÁUDIO MONTEIRO

EMAIL: claudiomonteiro@natalja.com.br

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Mossoró-RN, quinta-feira, 30 de janeiro de 2003