A pobreza e os privilegiados

O Brasil está colocado entre os países de maior desigualdade social do mundo, comparável às regiões mais atrasadas do continente africano. O contraste entre ricos e pobres é espantoso. Segundo dados do IBGE em estudo feito conjuntamente com o Fundo de População da ONU, são 54 milhões de brasileiros vivendo na pobreza, ou seja, 32% da população, 49% com rendimento familiar de apenas meio salário mínimo por mês e 5 milhões de pessoas sem qualquer rendimento. Esses dados foram obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios-PNAD realizada em 2001.

Na referida pesquisa, a concentração de riqueza aparece de forma aterradora, 40% dos mais pobres participam com apenas 10% da renda nacional, ficando quase a metade da riqueza brasileira com 10% de ricos privilegiados.

Essa desigualdade social desumana é a causa e efeito das tantas mazelas que se assiste em todo o território nacional. Agravadas ainda mais nos últimos oito anos de governo neoliberal de FHC, gerador do aumento de concentração de rendas. Realidade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de encarar com firmeza e disposição, se de fato quiser fazer a esperança vencer o medo como foi dito logo após a vitória eleitoral. Os indicadores da nova administração federal são alvissareiros nesse sentido, embora não seja factível num prazo curto em razão da desfavorável conjuntura interna e internacional, numa economia engessada e dependente como foi deixada pelo governo anterior. No entanto, as bases para as mudanças deverão ser implantadas e resultarem positivamente num futuro próximo.

Se assim não for, o Programa Fome Zero lançado ontem pelo presidente Lula, em vez de emergencial passará a ser mais uma ação governamental assistencialista e, porque não dizer, demagógica se não buscar resolver definitivamente o problema da pobreza, da desigualdade e da concentração de renda que só será extirpado com uma série de medidas consistentes no âmbito da sociedade em todo o país. Espera-se que isso aconteça nesse novo governo da nação brasileira, porque do contrário será a convulsão social de conseqüências imprevisíveis.    

 

RUBENS COELHO
EMAIL: rubens_coelho@zipmail.com.br

60, é cearense de Milagres, formado em Geografia e Ciências Sociais pela PUC-SP, foi fundador do Sindicato dos Hotéis Bares e Similares de Mossoró.

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Mossoró-RN, sábado, 1º de fevereiro de 2003