|
 CHARLES
M. PHELAN ATUALIZAÇÕES
AOS DOMINGOS
Por
um Iraque livre
Ponderei
por toda a semana sobre o que escreveria
para esta coluna. Vaguei por todas as possibilidades
do interessante, mas o pensamento convergia
num só assunto: a guerra contra o Iraque.
Sentei várias vezes na esperança de ver
as palavras procriarem na tela do meu computador.
Tudo em vão. Os sentimentos eram muitos.
Ainda são. Muitos para o espaço que tenho.
Falar ou não? Expressar o que sinto ou não?
Dilema dos mais tristes. Percebo que o antiamericanismo
que hoje permeia o grande número de pessoas
impede qualquer tipo de conversa produtiva
sobre o assunto. E por isso fiz um pacto,
unilateral é claro. Não faço comentários
nem converso sobre assuntos de guerra. Mas
o assunto parece me perseguir, não, todavia,
para uma troca intelectual de conhecimentos,
mas com o intuito exclusivo de atacar o
povo americano e políticas americanas. Alguns
bem informados dão vida a este assunto tão
controverso. Outros mal têm a capacidade
de argüir assuntos sobre eles mesmos. Apenas
criticam por criticar. Assim sendo, fui
compelido a abrir uma exceção e regurgitar
o que penso sobre o assunto.
Sou veementemente
contra a guerra. E completamente a favor
da negociação, com quem quer negociar é
claro. O povo americano não deseja mandar
seus filhos e filhas para as linhas de batalha.
Nem tampouco deseja ver crianças inocentes
de qualquer lugar morrerem. Os ditadores
destas nações já fazem um excelente trabalho
neste aspecto. Mas é preciso reagir contra
um tirano que oprime e trucida seu povo.
Mais ainda, não devemos permitir que este
mesmo tirano domine sua região e, através
do atributo mais inerente ao ser humano,
a ambição, proclame seu poder investindo
contra outras nações. Isto não. Saddam Hussein
deve ser retirado do poder e julgado em
tribunal internacional pelo que fez. Não
podemos permitir que desafie o mundo. Devemos
agir de forma resoluta para pará-lo. Amo
a liberdade que tenho neste país belo que
é o Brasil e desejo que permaneça desta
maneira. Recuso-me a aceitar ser escravo
de um ditador. Que não haja engano, permita
que Saddam Hussein cresça e arrependa-se.
Entretanto, as pessoas estão simpatizando
com o ditador. Surpreende-me tal atitude.
Há quem odeie os EUA e suas políticas e,
ainda, o acuse de ser o lobo mau desta
história. Acusam os EUA de terem interesses
no petróleo. Que inocência.
É evidente
que os EUA têm interesses. Tudo no mundo
da política, seja nacional ou internacional,
é baseado em interesses. Nas situações mais
simples do dia-a-dia há jogo de interesses.
O ser humano sempre procura o melhor para
si. A ambição e o egoísmo foram herdados
desde a criação. Desde o primeiro pecado.
Não é uma arte criada pelos Estados Unidos.
A inveja reside em nós. Em alguns hiberna.
Em outros, se faz presente como um vulcão
em erupção. Começa na infância. A partir
do primeiro momento quando desejamos um
brinquedo alheio. A cobiça dos nossos olhos,
querendo a todo custo ter o que o outro
tem. Na escola a mesma coisa. O sorriso
interno quando o colega tira nota inferior
a nossa. Isto é o ser humano: basicamente
ambicioso. Os ricos querem sempre ter mais.
Os pobres querem ter o que os ricos já têm.
É natural.
Os Estados
Unidos estão pagando um preço caro por ser
o país mais poderoso do mundo economicamente
e militarmente. Está pagando pelo próprio
sucesso. E Isso incomoda. Um dia quando
o nosso Brasil se tornar a maior potência
do mundo e cada cidadão puder gozar de luxos
inexistentes em outros lugares, o projeto
"fome zero" tornar-se uma realidade,
vários outros "Lulas" da vida
chegarem ao poder, e o mundo depositar sua
confiança e exigir de nós proteção, dinheiro
e comida, aí sim sentiremos na pele o ranço
do sucesso. Até lá só iremos criticar.
É natural. Acontece nas melhores famílias.
Por fim,
Saddam Hussein tem uma opção. Ele deve jogar
limpo e desarmar. Lamentavelmente este ser
horrendo, completamente envolto pelo egoísmo,
pela ambição e pelo mal, usará o sangue
do seu povo como objeto de simpatia internacional.
Sacrifícios hão de existir por parte dos
iraquianos. Com a eliminação de Saddam Hussein
e a instituição de um Estado democrático,
ressuscitará o espírito de um povo
tão sofrido. E os que criticam por criticar,
clarão! Viva a democracia! Viva
a um Iraque livre!
|