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CRISTIANO
ROJAS Repórter de Economia rojas@omossoroense.com.br
A deficiência
hídrica observada a partir do segundo semestre
de 2002 afetou sensivelmente a cultura do
caju. A situação mais marcante ficou por
conta da região de Serra do Mel, que apresentou
os maiores índices de quebra de safra.
“Produtores
acostumados a tirar por ano até 30 toneladas
de castanha chegaram a tirar apenas 5 toneladas”,
diz José Alves da Silva, presidente da Coopercaju
- Cooperativa de Beneficiadores de Castanha
de Caju Artesanais do Rio Grande do Norte.
Apesar
da safra ter sido normal em algumas vilas
de Serra do Mel; em outras a situação foi
bem diferente. “No caso da Vila Amazonas
houve perda da safra quase que total”.
Segundo
José Alves, há um temor por parte dos produtores
de que o mesmo problema se repita na safra
deste ano, ocasionando perdas consideráveis
aos produtores potiguares.
A estimativa
de produção de castanha in natura feita
pelo Ministério da Agricultura para 2003
aponta que haverá um acréscimo de 66,1%
na safra em relação ao ano anterior.
PRODUÇÃO
– A produção desta safra deverá atingir
28.000 toneladas, contra 16.855 da safra
2001/2002, que foi muito atingida pela prolongada
estiagem e pela irregularidade das chuvas,
com baixas precipitações.
Os prognósticos
apontam que a safra potiguar (2002/2003)
só não será maior em função do elevado índice
de quebra da produção em Serra do Mel. Na
região, que conta com área plantada correspondente
a 25.000 hectares, e cuja produção em anos
de chuvas normais, chega a atingir mais
de 8.000 toneladas de castanha-de-caju in
natura.
Neste ano,
devido aos fatores climáticos adversos,
a produção deverá atingir, no máximo, 5.000
toneladas, o que significará redução de
mais de 40% em relação às safras normais.
Os preços
recebidos pelos produtores, durante o mês
de dezembro/2002, oscilaram entre R$ 0,85
e R$ 1,10, o quilo. Entretanto, tendo
em vista que as indústrias de beneficiamento
mantêm estoques expressivos de castanha
in natura, a tendência é de estabilização
dos preços nos próximos meses.
Castanha
alcança incremento de 112,13%
A indústria
de beneficiamento de castanha de caju do
Rio Grande do Norte vem contabilizando altos
lucros com a venda do produto para o mercado
externo, que em janeiro passado teve um
incremento de 112,13% em relação ao mesmo
mês de 2002.
Dados da
Secretaria de Comércio Exterior (SECEX),
sobre a balança comercial potiguar, indicam
que no primeiro mês do ano foram exportados
US$ 1.558.823, contra US$ 734.850 alcançados
em janeiro de 2002.
Apesar
da safra 2002 da castanha de caju está chegando
ao fim, os exportadores estão conseguindo
enviar grandes remessas do produto beneficiado
para abastecer o mercado externo.
MERCADO
– A Cooperativa de Beneficiadores de Castanha
de Caju Artesanais do Rio Grande do Norte,
a Coopercaju, localizada em Serra do Mel,
remeteu em fevereiro cerca de 23 toneladas
do produto para a Suíça.
A Coopercaju
é formada por aproximadamente 150 associados
que beneficiam a própria castanha que plantam.
Alguns deles compram o produto in natura
de outros produtores para em seguida fazer
o benefiamento.
Os preços
da amêndoa de castanha no mercado externo
tiveram uma recuperação de 12,13% em relação
ao ano passado. Para alcançar o resultado
de vendas em janeiro foi exportado apenas
o dobro em volume de igual período do ano
passado - 444.528 quilos.
Preço
do produto tem se mantido estável
Segundo
José Alves da Silva, presidente da Coopercaju,
o preço do quilo de castanha de caju tem
se mantido na mesma cotação média obtida
no final do ano passado.
No ano
passado, as exportações de castanha atingiram
US$ 19.098.944, contra US$ 19.054.092 do
ano anterior, representando acréscimo de
0,24% no período. O Rio Grande do Norte
participou, em 2002, com 18,2% do total
da castanha-de-caju exportada pela Região
Nordeste.
Em 2002,
o preço médio foi de US$ 3.23 por quilo.
No ano de 2001 o preço médio foi de US$
4.03/kg, significando queda de 19,8%. O
principal motivo para essa baixa de preço
foi a combinação do excesso de oferta do
produto, pelos países concorrentes, com
a queda da demanda no mercado mundial.
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