Se for para reformar para pior é
melhor ficar como está

A palavra de ordem agora é reformas já. Todos estão falando em reformar, só não sabemos como se darão. No entanto, pelas declarações de algumas autoridades governamentais credenciadas, para a população os planos reformistas não são alvissareiros para seus interesses. Não se vislumbram melhorias em seu benefício.

Tomemos, por exemplo, a reforma previdenciária. Os agentes governamentais alardeiam a sua iminente quebradeira caso não se mude o sistema. Mais uma vez pegam os funcionários públicos como bode expiatório para o rombo existente Esquecem que enquanto o trabalhador da empresa privada contribui com 7% do seu salário para a previdência, o funcionário público o faz com 11% para ter direito à aposentadoria integral. Que anos e mais anos de recessão fizeram diminuir o número de contribuintes para a seguridade social. São milhões de desempregados e subempregados vivendo na informalidade. Além do que, o governo não arrecada parte do CPMF, contribuição sobre o lucro e ainda por cima, a União não repassa o que deve a previdência. E existem também as distorções dos poucos marajás que ganham aposentadorias astronômicas, a sonegação e as fraudes costumeiras no sistema. Se essas questões fossem solucionadas, não haveria déficit na previdência, pelo contrário seria superavitária, Waldir Pires quando ministro da Previdência, comprovou esse fato. Tocar nos verdadeiros privilégios, porém, está fora de cogitação.

Então, qualquer reforma que venha mexer nos direitos da massa de humildes barnabés, é um escárnio, uma injustiça sem precedentes com o funcionalismo público com o único objetivo, beneficiar os grandes grupos financeiros privados ávidos pela lucrativa indústria da aposentadoria complementar e também satisfazer o Fundo Monetário Internacional(FMI). Não existe outra justificativa.   

 

RUBENS COELHO
EMAIL: rubens_coelho@zipmail.com.br

60, é cearense de Milagres, formado em Geografia e Ciências Sociais pela PUC-SP, foi fundador do Sindicato dos Hotéis Bares e Similares de Mossoró.

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Mossoró-RN, sábado, 1º de março de 2003