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ATUALIZAÇÃO AOS DOMINGOS

 

O governador e o bandido

Para não ser morto ao se entregar à polícia, o bandido chefe do seqüestro da filha de Sílvio Santos exigiu a presença do governador do Estado de São Paulo na casa do apresentador de televisão.

A presença física e a palavra do governador resolveram em quinze minutos um drama que se arrastava por infindáveis horas, com Sílvio Santos feito refém, sob a mira das armas de um assassino baleado e desesperado.

Perplexa a nação assistiu ao drama, sem jamais entender como poderia o bandido, caçado pela polícia, voltar ao local do crime de seqüestro, após matar dois policiais e ferir outro.

A lógica é elementar. A casa era conhecida e seria o último local onde a polícia iria procurar o bandido. A certeza de uma prisão segura somente mesmo lá.

Ao bandido, a Constituição Federal assegura o tratamento de acusado, e a garantia da sua incolumidade física. Portanto, estou usando uma linguagem tecnicamente inadequada, um abuso de literatice.

Ao governador, ninguém pode censurar o gesto salvador de vidas humanas. Certamente um ato de heroísmo. Ninguém duvide que o bandido mataria Sílvio Santos com a mesma naturalidade com que matou os policiais. O desespero, ainda que frio e calculista, havia se apoderado de sua alma.

Dia seguinte, Sílvio Santos vai naturalmente trabalhar, guiando seu próprio carro, sem nenhum esquema de segurança especial. A violência é uma instituição oficializada.