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Metamorfose forçada

por Rodrigo Teixeira
TV Press

Andréa Avancini jura que não se assustou com a mutação que "A Padroeira" sofreu. Com a entrada de Roberto Talma na direção da novela, em substituição a Walter Avancini, pai da atriz, vários personagens saíram da trama, outros entraram e a história original foi para o espaço. Mas Andréa teve sorte. Sua personagem Delfina perdeu o sotaque português, mas ganhou destaque – virou filha de Dorotéia, papel de Susana Vieira, personagem criado já na gestão de Talma para modificar a novela. "Delfina se tornou mais sensual e não perdeu o humor. Acho que saí ganhando", acredita a atriz de 35 anos.

Andréa também é contratada pela Globo para dar consultoria para crianças que participam das produções da emissora. O contrato começou em "O Cravo e A Rosa" e continua em "A Padroeira". Ela é a responsável pela preparação dos atores Samuel Melo e Luis Antônio Nascimento, que vivem Cosme e Damião, e Renata Nascimento, que interpreta a cega Marcelina. "Sempre falo para eles que em uma novela tudo pode acontecer", afirma Andréa, que dá aula de dramaturgia há três anos na Casa e Companhia Arianne Dutra de Arte e Cultura, no Rio de Janeiro.

P - Com a entrada de Roberto Talma, a trama de "A Padroeira" foi alterada. Você gostou das mudanças em torno de sua personagem?

R - Olha, para mim particularmente as mudanças foram boas. A Delfina se tornou filha da personagem da Susana Vieira e ficou mais fogosa. Quer dizer, já tinha um lado que era mais para o humor e agora também vai atacar de sedutora. A Delfina nos próximos capítulos vai começar a se insinuar para os homens e se interessar pelo Braz, vivido pelo Fábio Villa-Verde. Então vou ter de trabalhar tanto com a sensualidade quanto com o humor. Acabei tendo duas personagens em uma novela só.

P - Você gostou da entrada do Talma no lugar de seu pai?

R - O Talma foi assistente do meu pai. É um grande diretor e um prazer trabalhar com ele, independentemente se ele optou por uma linha X ou Y. Sou uma atriz e tenho de ter molejo para encarar qualquer tipo de situação. Isto é uma coisa que meu pai me ensinou: tenho de embarcar na produção, vestir a camisa e me divertir trabalhando. Senão, não vale a pena.

P - Não foi frustrante ter de parar de falar com o sotaque português?

R - Prefiro encarar de outra forma. Porque escutei muitos elogios nas ruas, inclusive de portugueses, sobre o meu sotaque. Então tenho certeza que fiz bem meu trabalho e convenci como uma portuguesa. Nunca havia feito o sotaque e então provei para mim mesmo que era capaz. Mas com a virada na trama, o sotaque não fazia mais sentido.

P - Você acredita que o Avancini possa voltar a dirigir a novela "A Padroeira"?

R - Não dá para prever. Ele já saiu do hospital e está se recuperando em casa. Está cada vez melhor. Saiu um monte de coisas erradas sobre a saúde dele. Na verdade, ele teve um problema intestinal. Acharam uma bactéria rara depois de vários testes, o que foi debilitando sua saúde. Mas ele já está escrevendo algumas coisas e se animando a voltar a trabalhar.

P - Você construiu sua carreira sem se vincular muito a seu pai. Como conseguiu?

R - Nunca tive problemas com isso. E também não vou ser burra em não querer trabalhar com ele. Pelo contrário. Mas o primeiro a me chamar para fazer novela foi o falecido Paulo Ubiratan em "Cambalacho". Só fui trabalhar com meu pai mesmo na Manchete, quando fiz "Xica da Silva", "Mandacaru" e "Brida". Nunca fiquei atrelada a ele e nunca quis me desatrelar também. Aprendi o que é ser ator com ele.