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ATUALIZAÇÃO ÀS QUINTAS

 

MONOPÓLIO AÉREO PREJUDICA PASSAGEIROS

Um autêntico vôo cego em que o piloto, sem nenhum campo visual, operando apenas por instrumentos, tenta modificar, em vão, a rota  que o faz colidir com milhares de objetos  voadores bem-identificados : os passageiros.  

Assim pode ser retratado, de maneira metafórica, o grave quadro de crise em que está  mergulhada a aviação civil no país. Tarifas caras; atendimento em terra, de baixa qualidade; atendimento no ar, de forma mecânica e mal-humorada, atrasos constante nos vôos; péssima administração... 

Em muitos casos os  usuários são tratados mesmo como verdadeiros objetos...

As empresas brasileiras de transporte aéreo que detêm, por força de lei, o monopólio das linhas domésticas, andam embaralhando as pernas e colocando os passageiros em maus-lençóis. Senão, vejamos:

A TRANSBRASIL, metida da cabeça aos pés em sua pior crise financeira, deixou de  operar vôos para 6 capitais, entre elas Natal. Recentemente a General Eletric (GE), fabricante de turbinas, requereu na Justiça a falência da Companhia, provocando um efeito cascata nos outros fornecedores que se apressaram em apresentar as faturas pendentes.

Não bastasse isso,  a TRANSBRASIL,  que já acumula dívidas da ordem de 800 milhões de reais,  só está conseguindo abastecer de combustível suas aeronaves, pagando à vista. Além disso, teve que dar licença remunerada para cerca de 200 aeronautas, vai demitir cerca de 1.000 funcionários em setembro; e amargou um Boeing 767  --  da sua já pequena frota de apenas 12 aviões  --  retido pela Justiça em Miami...

A VARIG, que sempre foi padrão internacional de atendimento no Brasil; que leva a bandeira brasileira em seus  vôos para o Exterior  --  reconhecidos como de bom nível, até pela concorrência  --   começa a dar sinais de esgotamento e queda da qualidade  no atendimento. Atrasos no horários dos vôos, comissários que já não atendem com a habitual cortesia e sorriso nos lábios, funcionários de terra não tão motivados e lentos como nunca foram.

Para complicar o quadro, a VARIG acaba de apresentar novo prejuízo em seu último balanço semestral. No ano passado, a empresa já tinha amargado um prejuízo da ordem de 179 milhões de reais. A RIOSUL E A NORDESTE, empresas regionais controladas pela VARIG, apesar de financeiramente mais saudáveis também enfrentam problemas e reclamações quanto ao atendimento. A NORDESTE, por exemplo, extinguiu o único vôo comercial que interligava Mossoró a Natal e de lá aos aeroportos de todo país.

A VASP, dentre elas a mais problemática, agoniza e reluta em morrer, à espera de poder ser vendida numa provável abertura do mercado para as estrangeiras. Envolvida em denúncias e dívidas com o fisco, desde que o controle acionário passou para as mãos do empresário Wagner Canhedo, já foi socorrida em mais de uma ocasião pelo governo federal. Apesar de ter apresentado, pelo menos na escrituração contábil, um lucro de cerca de 114 milhões de reais no ano de 2.000.

Quem mais sofre com a situação caótica da VASP evidentemente são os passageiros.  Com os salários constantemente atrasados, a maioria dos funcionários  -- não que o fato justifique, em hipótese alguma  --    tem atendido pessimamente os clientes em terra. No ar, é  visível a má-vontade dos comissários, alguns descambam mesmo para a grosseria ou indiferença. A alimentação oferecida durante os vôos está fraquíssima: na maioria das vezes, a ex-gloriosa Viação Aérea São Paulo,  serve um pão murcho com uma fatia de queijo e uma de presunto, quando não apresuntado. Nem é preciso falar dos atrasos e cancelamentos de vôos na VASP. Viraram rotina e em muitas vezes o cliente nem é avisado por telefone do cancelamento. Já aconteceu comigo.

A TAM a mais saudável e equilibrada do ponto de vista financeiro e de  bom atendimento ao passageiro, também anda tropeçando. Pequenos tropeços, é certo, mas não anteriormente habituais . Com a recente trágica perda de seu fundador, o carismático comandante Rolim Amaro  --  poucos dias antes da empresa completar 25 anos e comemorar junto a conquista da liderança do mercado doméstico, com 29%,  superando a Varig (28,5%) --   os funcionários parecem ainda não ter assimilado o golpe.

As falhas na TAM tem sido pequenas  --  atrasos em vôos e informações desencontradas entre o pessoal de terra  ---  se comparadas com a decadência explícita das antigas gigantes. É torcer para que a TAM, agora sob o comando do cunhado, Daniel Mandelli, (mais pragmático e menos emotivo do que  Rolim) , não perca o rumo certo, que o velho Comandante ensinou aos funcionários. O passageiro é tudo: faz o avião decolar, traz o lucro e o salário !!

No meio desse quadro crítico dos transportes aéreos, surge como esperança, seguindo os passos da TAM e de Rolim, a GOL, que se intitula Linhas Aéreas Inteligentes. Presidida por Constantino Júnior, empresário oriundo do setor de transportes rodoviários, a GOL está atendendo ainda poucos Estados, mas com tarifas competitivas (algumas 40, 50% mais baratas) e frota nova de Boeing 737-700. Vamos esperar que a GOL, que domina ainda apenas 3,4% do mercado, seja realmente Inteligente  e adote não apenas preços baixos, importantes, mas também o bom atendimento ao cliente, fundamental. É a única pela qual ainda não viajei. Não conheço o serviço. 

Agora, no meu entendimento, a solução para a melhoria do setor e a volta do respeito ao passageiro passam pela quebra do monopólio das linhas domésticas com abertura total  do mercado para as empresas internacionais. Seja para comprar ou se associar às brasileiras. Seja para operar diretamente. Só assim o consumidor terá concorrência, competitividade,disputa, bom atendimento, serviço, preços e a qualidade. Agora, as companhias aéreas brasileiras estão procurando o apoio dos sindicatos de aeroviários e de aeronautas para "defender" o mercado. Para eles, proprietários, é claro. Porque, não tenho dúvidas, com quebra do monopólio, os profissionais terão mais empregos e melhores salários.

Uma ótima semana para todos  --   Apertem os cintos porque o piloto sumiu faz tempo. E, por enquanto, não há pára-quedas à bordo --  quinta-feira (06/09) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !