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Formada em Serviço Social pela Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Patrícia Leite vem se mostrando uma
grande profissional na sua área. Atualmente, está à frente da
coordenação municipal do Programa Nacional DST/AIDS, há cerca de oito
meses. À reportagem de O Mossoroense, Patrícia fala do
trabalho que está sendo executado, forma de orientar a população para o
tratamento do vírus e prevenção, entre vários programas que vêm sendo
trabalhados junto a adolescentes, professores e até caminhoneiros.
Trabalho esse antes inexistente na cidade. Patrícia Leite é a
entrevistada de O Mossoroense deste domingo.
Por: ADRIANA ARAÚJO – Fotos:
José Freire
O MOSSOROENSE – Há exatos oito meses à frente
da coordenação municipal do Programa Nacional DST/AIDS, como vem sendo
realizado esse trabalho?
PATRÍCIA
LEITE – Bom, esse programa é
estruturado em nível nacional. Inclusive, já existe uma coordenação
nacional do Ministério da Saúde, DST/AIDS, que vem incentivando os
municípios a formarem as coordenações municipais e estaduais. Então,
foi todo um trabalho construído a partir de uma articulação em nível
nacional, que temos tido a tarefa de implementar nos municípios.
OM
– Esse trabalho já existia no município?
PL
– No Estado do Rio Grande do
Norte, sim. Já existia uma coordenação formada em nível estadual que
trabalhava algumas questões. O município vinha fazendo algumas ações
preventivas na área de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), mas
muito dispersa. E a coordenação tem justamente o papel de articular o
trabalho que já existe com aquelas instituições que faziam alguma
coisa. Então nosso trabalho, além de tudo, é de articulador.
OM
– Com esse novo trabalho que o município está adotando, há como
facilitar a conscientização das pessoas que têm o vírus ou daquelas
que estão apenas sob suspeitas de infecção?
PL
– Bom, o município, como o
primeiro do Rio Grande do Norte a cumprir este papel, oferece medicamentos
aos que já são portadores do vírus, no caso das infeções
oportunistas, tipo Ceuin, Combirom, cremes vaginais, Metronizazol, que
são medicamentos utilizados no dia-a-dia para tratar aquelas infeções
oportunistas. Os coquetéis são distribuídos no Estado pelo hospital
Rafael Fernandes. Então, nós somos o primeiro município a implementar,
oferecer aos pacientes as medicações para tratar infecções
oportunistas. Foi a partir de Mossoró que Natal passou a oferecer esses
medicamentos.
OM
– Já existe um trabalho externo sobre DST/AIDS?
PL
– Sim. Inclusive, recentemente
executamos um trabalho educativo junto aos caminhoneiros que foi tido como
grande sucesso. Atualmente estamos fazendo um trabalho educativo nas
unidades de saúde. Formamos a comissão interinstitucional DST/AIDS, que
reúne todas as instituições governamentais e não-governamentais no
município que trabalham com o tema. Então, o trabalho está sendo
implementado.
OM
– Já existe um trabalho em vista igual ao realizado com os
caminhoneiros recentemente, que inclusive foi tido como compensador para
ambos os lados?
PL
– Bom, nós estamos articulando
agora um trabalho com os profissionais do sexo, logo após o congresso
nacional, que vai ser realizado em Cuiabá. Nós vamos estar voltando para
justamente realizarmos mais uma campanha com os profissionais do sexo.
Sabemos que Mossoró é um pólo de prostituição e nós pretendemos
atacar essa clientela agora.
OM
– Trabalho parecido com esse pode ser estendido até as escolas de
Mossoró e região?
PL
– Com certeza. Nós já fazemos
um trabalho educativo junto às escolas. Estamos realizando oficinas de
prevenção aos DST/AIDS em parceria com o Senai. Essas oficinas
começaram no final do mês de julho, e treinamos 180 adolescentes do
programa Peti. Segunda-feira vamos começar a treinar e a capacitar nessa
temática os adolescentes das escolas municipais. Primeiro, capacitamos os
alunos do Peti, que são da faixa de 11 a 13 anos. Depois, vamos capacitar
alunos do primeiro grau, que estão na faixa dos 14 e 16 anos.
OM
– E na região?
PL
– Olhe, nós trabalhamos
especificamente com o município de Mossoró. Mas existe uma coordenação
estadual, cujo coordenador é o dr. Jair Figueiredo. Ele é médico. A
coordenação funciona em Natal, e vem fazendo um trabalho de
articulação com os municípios da região. Os demais trabalho ficam com
a coordenação estadual.
OM
– Qual a incidência de AIDS no município?
PL
– De janeiro até a primeira
quinzena de julho de 2000, nós temos doze casos, mas, extra-oficialmente,
já sabemos que essas estatísticas aumentam. Estamos no final de agosto e
houveram mais casos, de modo que logo no início de setembro teremos dados
concretos, quando o hospital estará nos passando os números deste ano.
Mas vêm crescendo. O número de pessoas contaminadas aumentou bastante na
cidade.
OM
– Qual a maior incidência registrada, entre mulheres, homens ou
adolescentes?
PL
– Entre as mulheres. Inclusive,
nós recebemos uma visita de uma equipe do Ministério da Saúde e o que
chamou a atenção do pessoal do Ministério foi exatamente essa
estatística. O número entre os homossexuais está acentuado. Mas a
grande incidência está nos hetorexuais. E entre estes, o mais afetado
está sendo a mulher.
OM
– Há casos registrados no município com mulheres gestantes?
PL
– Existe um número, mas bem
reduzido. Nós temos na faixa de quatro transmissões do vírus HIV.
Então, quatro casos até agora notificados. As mulheres que são
soro-positivo já recebem um tratamento e toda uma medicação quando é
detectado a soro-positividade, para que justamente na hora do parto a mãe
não transmita o vírus para o bebê.
OM
– Como está sendo a procura dessas pessoas, ou até mesmo aquelas
desconfiadas, pelo hospital do município em busca de tratamento?
PL
– A gente está querendo
difundir, ampliar, intensificar o trabalho de prevenção. É meta da
gerência de saúde. Temos recebido apoio inclusive da gerente Dora
Burlamarque e da secretária da cidadania, dra. Isaura Amélia, para que
possamos construir em Mossoró o Centro de Testagem e Aconselhamento.
Esperamos, com a formação desse núcleo, intensificar as testagens, ou
seja, motivar a comunidade a se testar para saber se tem o vírus ou não,
e a partir daí fazer um trabalho de aconselhamento com as pessoas que
fizeram exame e que atestaram a soro-positividade ou que receberam
resultados negativos. Pois os que deram positivos serão encaminhados para
fazer o tratamento e os negativos serão alertados para o trabalho de
prevenção com o uso de preservativos.
OM
– Há previsão para o início desse trabalho?
PL
– Quando recebemos a comissão
do Ministério da Saúde, nós fomos mostrar o espaço onde pretendemos
construir o C.T.A, que vai ficar no centro clínico do Bom Jardim. No
município vai funcionar o laboratório. E além do laboratório, nós
queremos fazer esse centro para aconselhar as pessoas. Então, a equipe do
Ministério se mostrou favorável. Nós já estamos com a arquiteta
fazendo toda a planta do local e vamos mandar para o Ministério para
recebemos realmente o parecer oficial.
OM
– Há conhecimento por parte da população do que seja DST/AIDS?
PL
– Olha, ainda encontramos muito
desconhecimento por parte da população. É por isso que a gente tem
intensificado o trabalho educativo, o trabalho de palestras, treinamento
de profissionais de saúde e adolescentes. Nós já treinamos professores
da rede municipal, agentes comunitários, médicos, enfermeiros e agora os
adolescentes.
OM
– O que as pessoas que suspeitam ter contraído o vírus devem fazer? Ou
a quem procurar?
PL
- Essas pessoas ainda procuram o
Rafael Fernandes. Mas, de setembro em diante, elas podem recorrer também
ao centro clínico do Bom Jardim para que possam fazer testes. Nós vamos
ter três laboratórios que vão estar fazendo o teste gratuito. Um é o
laboratório do Hospital Rafael Fernandes, que vai começar a funcionar. O
segundo é um laboratório do município, que vai funcionar no centro
clínico do Bom Jardim, e o laboratório do Estado. Então, vamos ter
agora uma condição bem maior das pessoas se testarem. E todas aquelas
que tem uma vida sexual ativa e queiram fazer teste, basta recorrerem a um
desses órgãos.
OM
– Com três laboratórios disponíveis no município, e com todo o
trabalho que vem sendo estendido, a expectativa da coordenação é
diminuir esse índice alarmante?
PL
– Com certeza. A nossa
expectativa é que se possa diminuir o índice de pessoas contaminadas e
dar uma condição de vida melhor àquelas pessoas que já estão
contaminadas pelo vírus.
OM
– Qual a avaliação que a senhora faz da coordenação do programa
DST/AIDS, do qual está à frente há oito meses?
PL
– Olha, a avaliação que posso
fazer é superpositiva. Eu queria ressaltar que, como o projeto é em
nível nacional, cada município tem sua especificidade. E aqui no
município de Mossoró está sendo possível implementar essas ações da
compreensão e apoio que a gente vem tendo da gerente-executiva de Saúde,
Dora Burlamarque. Nada adiantaria se não estivéssemos juntos. Está
sendo muito positivo para nós, pois estamos conseguindo solidificar o
trabalho que já existia através do Hospital Rafael Fernandes. Com isso,
podemos elaborar um melhor trabalho junto à população para que ela
tenha certeza que o vírus está crescendo em Mossoró.
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