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A febre do digimail
A história oficial do Brasil
– e ensinada nas escolas – existe a partir de um documento: a carta
que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei Dom Manuel VI, em 1500. Desses 500
anos para cá, a carta ainda vem sendo utilizado pela maioria da
população, mas vê sua hegemonia, pouco a pouco, ser quebrada.
Ao
lado dela, bilhetes, telegramas e outras formas convencionais de
comunicação vêm sendo substituídas. A reboque do avanço da
tecnologia, surgiram e-mails (correspondências eletrônicas), canais de
bate-papo e, há pouco mais de um ano, digimails (mensagens via telefone).
Febre
entre os jovens, os digimails são o principal – e na maioria das vezes
o único – meio de comunicação predominante entre essa parcela da
população – claro aqueles que detêm poder aquisitivo suficiente para
manter um aparelho celular.
As
mensagens são as mais variadas possíveis – e às vezes as mais fúteis
também.
Mesmo
assim, embalados por uma suposta economia, os adolescentes não medem
conseqüências – nem distâncias. Por outro lado, há quem use para
manter contatos profissionais.
Por
Márcio Alexandre

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´Carinhas´ pelo celular
Nome:
Laiana Ferreira. Idade: 14 anos. Ocupação: estudante. Hobby preferido:
enviar mensagens via telefone. O perfil de Laiana é o mesmo de grande
parte dos jovens mossoroenses que pertencem à camada mais abastada da
população.
O
serviço de digimail faz parte de sua vida desde que surgiu, no ano
passado. "Assim que o digimail foi lançado foi uma febre alta e todo
mundo queria ter acesso", lembra Laiana, que não mediu esforços
para trocar de celular.
Do
seu vasto círculo de amizades, quase todos têm celular e dispõem do
serviço. "Na escola não é diferente", acentua. Ela diz que
usa o digimail para conversar, trocar informações e "mandar
carinhas", pequenos desenhos feitos no celular.
Laiana
é um dos poucos usuários do sistema que o considera caro. "A gente
pensa que vai sair mais barato, mas não se controla e manda mais
mensagens do que deveria", confirma.
Qualquer
novidade a qual ela toma conhecimento, sua primeira providência é
informar ao resto "da galera". E, lógico, via telefone, mas sem
fazer a tradicional ligação. "Com a mensagem é melhor",
define.

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Engraçadinhos enviam vírus
Mas
nem tudo é maravilha entre as pessoas que utilizam o serviço de mensagem
via telefone. Alguns engraçadinhos gostam de se valer do sistema para
pregar peça em colegas e até mesmo em quem não conhecem. Por meio de
mensagens, eles enviam vírus que podem causar danos e transtornos aos
proprietários de celular.
Foi
o que aconteceu com a secretária-administrativa Caroline Fernandes.
Através de mensagem que lhe passaram, ela perdeu toda a agenda do seu
celular. "Na verdade, ele ficou zerado, sem nada", acresce.
O
emissor convenceu Caroline a liberar o vírus dizendo que ao discar
determinadas teclas ela poderia escutar todas as conversas de um canal de
bate-papo da cidade. "Me disseram para digitar *#7370# e quando fiz
isso apagou tudo", afirma, indignada.
A
agenda eletrônica continha pelo menos 200 nomes. Desde segunda-feira
passada que ela tenta armazenar as informações novamente. Uma senhora
mão-de-obra.
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´Mensagens são divertidas´
"Além
de econômico, é divertido". Dessa forma a estudante Patrícia
Débora Lima justifica sua paixão pelo digimail. Para ela, o fato da
operadora oferecer 90 mensagens por R$ 3,00 funcionou como um chamariz.
Tanto
que nem sempre as mensagens têm alguma utilidade prática. "Às
vezes a gente utiliza somente para conversar", admite Patrícia. Na
sua opinião, trocar informações escritas via telefone é bem mais
barato que a conversa pelo mesmo aparelho.
"Estou
economizando", acredita, mesmo revelando que teve um mês em que a
conta excedeu os seus limites. "O jeito foi tentar me
controlar", diz, acrescentando que "às vezes seria necessário
fazer um interurbano, que sairia mais caro. "Mas é bom ter cuidado,
pois às vezes o custo da conta pode aumentar".

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Correios garante que postagem aumentou
A
postagem de cartas continua em alta. A garantia é do assessor de imprensa
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), no Rio Grande do
Norte, jornalista Túlio Sena.
Segundo
ele, a carta ainda é o meio mais usado por grande parte dos
norte-rio-grandenses em geral e dos mossoroenses em particular. "O
número de postagens está até aumentando", garante.
Sena
revela que, em alguns casos, as cartas somente perdem espaço para os
e-mails. "Sabíamos que a tecnologia provocaria mudanças na forma de
se comunicar, mas não sentimos um impacto forte por causa disso",
assevera.
O
uso de carta, diz, supera até o de faxes. "Temos diversos tipos de
cartas, como a social, a mundial e a pré-selada, cada uma com um objetivo
diferente e que tende a permanecer por muito tempo".
O
surgimento de digimails também não afetou o mercado de telegramas,
sistema de envio de mensagens curtas e que poderia sofrer grande impacto.
"O telegrama é usado em função de determinadas épocas",
justifica.
Ainda
de acordo com o assessor, a expectativa era que o surgimento de novos
meios de informação provocasse grande impacto nos serviços dos
Correios, o que acabou não acontecendo. "O pessoal usa os Correios
para a compra via Internet e isso foi uma coisa que acabou
favorecendo", finaliza.
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Técnico busca oportunidade de trabalho via telefone
Há quem utiliza o envio de mensagens via telefone para fins
úteis. O técnico em Eletromecânica Mailson Fernandes é uma dessas
pessoas.
Pelo celular, Fernandes contacta empresas em busca de
oportunidades de empregos. Do celular, ele passa informações para os
computadores e deixa endereço e outros dados pessoais visando
contatos futuros.
Há 6 meses Fernandes vem fazendo isso. Como prestador de
serviços, ele já conseguiu alguns trabalhos e agora espera, com o
celular, arranjar um emprego fixo.
A disponibilidade é a grande vantagem, na sua ótica.
"Em casa mesmo eu faço pesquisa em jornais sobre oportunidades
de emprego e depois pelo celular mando minhas informações",
frisa. Vale lembrar que uma mensagem via digimail não pode ter mais
que 130 dígitos.
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Serviço substitui correspondências convencionais
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT)
garante não estar sentindo os impactos do avanço da tecnologia. Mas
a grande maioria dos usuários do digimail não usa mais a carta.
"Quando é algo mais longo e mais distante, eu
costumo usar o e-mail", revela Laiana Ferreira. Já Patrícia
Débora de Lima afirma que nunca manda carta. "É meio
ultrapassado".
Alvimar Francisco Barroso não se lembra de quando foi
a última vez que empunhou uma caneta para escrever uma carta. Ele
não tem computador em casa, mas resolve tudo no equipamento da
empresa onde trabalha. "Pelo e-mail é mais prático",
defende.
A postagem de cartas diminuiu em Mossoró. Dados
repassados a O Mossoroense pela diretoria regional dos Correios no Rio
Grande do Norte atestam isso.
Nos últimos 6 meses do ano passado foram postadas
1.966.290 cartas. Nos primeiros 8 meses de 2001, o total de cartas
postadas foi de 1.736.140, média de 10035 por dia, a de julho a
dezembro de 2001, o mês com menor média diária de cartas foi
outubro, com 13.550 cartas/dia e um total de 284.550 missivas
enviadas.
Os outros meses registraram os seguintes números.
Julho: 373.200 cartas (média diária de 15.550); agosto: 358.110
(média dia de 15.570); setembro: 421.960 (19.180/dia); novembro:
362.000 (18.100/dia) e dezembro: 504.580 (24.980/dia).
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Usuários enviam 6 milhões de short message por mês
A BCP está comemorando um ano de lançamento do
serviço DigiM@il, com tecnologia SMS (Short Message Service/
mensagens curtas de texto), contabilizando uma média de seis milhões
de mensagens por mês (200 mil/dia), entre os 700 mil assinantes do
serviço.
A operadora celular aposta na continuidade da expansão
do serviço SMS no Brasil, em 2001, avaliando a forte demanda pelos
clientes dos modelos pós e pré-pagos.
"Percebe-se que o usuário procura aparelhos
modernos, com recursos como SMS e WAP (Wireless Aplication Protocol)
mas, na prática, os clientes têm preferido o short message por
estarem preocupados em usar uma forma de comunicação mais rápida e
barata", analisa o gerente da filial da BCP do Rio Grande do
Norte, Luiz Carlos Baginski. Para o executivo, o perfil do usuário
brasileiro segue uma tendência já comprovada em outras regiões do
mundo. "Ganhamos com a venda do serviço telefônico e, para
nós, é fundamental acompanhar as reais necessidades de uso do
cliente", destaca.
Com o DigiM@il, o usuário do celular BCP tem um
endereço de e-mail exclusivo, permitindo o envio e recebimento de
e-mails em seu próprio celular. Além disso, o cliente pode enviar e
receber mensagens de texto para qualquer outro celular BCP, onde quer
que esteja. A habilitação do serviço depende do tipo de aparelho
utilizado. Hoje o cliente BCP recebe short messages em todos os
Estados do Brasil. Isto se deve aos contratos de roaming realizados
com outras operadoras do Brasil.
A BCP possui vários kits de serviços inteligentes que
oferecem mensagens curtas de texto. O Kit BCP Info custa R$ 3,00 e
inclui uma franquia de 60 mensagens. Após a utilização da franquia,
são cobradas mensagens excedentes no valor de R$ 0,12. Com o kit, o
cliente passa a receber mensagens de texto via DigiMemo, notícias
diversas (incluindo horóscopo), além de poder contar com uma conta
particular de e-mail oferecida pela facilidade do Web Mail BCP.
O Kit BCP Mail, além de todos os serviços do Kit BCP
Info, também oferece o DigiMemo Plus. Com ele o celular BCP vira um
e-mail, onde o cliente envia e recebe mensagens. O serviço também
notifica o cliente quando chegam mensagens na sua conta de Web Mail.
Já o DigiMemo Plus permite que o usuário receba e-mails no celular,
de até 160 caracteres, escritos diretamente de programas do tipo MS
Outlook, Exchange, Netscape, etc. Pelos recursos, serão cobrados R$
5,00, com direito a 90 mensagens de franquia. Cada informação
excedente custa R$ 0,11.
Já no Kit BCP, o cliente pode receber 120 mensagens
pagando R$ 7,00 e se exceder o seu limite é cobrado R$ 0,10 por cada
nova mensagem. Com o serviço a pessoa pode se cadastrar no Portal
BCPOnline (www.bcponline.com.br) e receber diversos tipos de
notícias, ter direito a um Web Mail, Aviso de e-mail e o Lembrador
BCP, que funciona como uma agenda de compromissos conectada on-line no
celular. No kit, ainda, é incluído o DigiM@il, que permite o envio e
recebimento de e-mails e mensagens de texto de até 160 caracteres
diretamente do celular BCP (esse recurso depende do modelo dos
aparelhos dos clientes, que devem ter capacidade para enviar
mensagens).
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