Editorias

Política
Esporte
Economia

Polícia

   Cadernos

Cotidiano
Regional
Universo
Mais TV

   Colunas

Laíre Rosado

Emery Costa

Cid Augusto
Emerson Linhares
Neto Queiroz
Antônio Rosado
Sérgio Oliveira
Sérgio Chaves
Gomes Filho

  Temáticas

Cláudio Monteiro
Geraldo Maia
Marcos Araújo
Clotilde Tavares
Magnólia Rocha

   Cidades

Apodi
Assu
Caraúbas
Macau
Pau dos Ferros
Região Salineira

  Seções

Editorial
Charge
O Jornal
Assinatura
Expediente
Painel do Leitor
Edições Anteriores
 
 
 
 
 
 
 





 

A febre do digimail

A história oficial do Brasil – e ensinada nas escolas – existe a partir de um documento: a carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei Dom Manuel VI, em 1500. Desses 500 anos para cá, a carta ainda vem sendo utilizado pela maioria da população, mas vê sua hegemonia, pouco a pouco, ser quebrada.

Ao lado dela, bilhetes, telegramas e outras formas convencionais de comunicação vêm sendo substituídas. A reboque do avanço da tecnologia, surgiram e-mails (correspondências eletrônicas), canais de bate-papo e, há pouco mais de um ano, digimails (mensagens via telefone).

Febre entre os jovens, os digimails são o principal – e na maioria das vezes o único – meio de comunicação predominante entre essa parcela da população – claro aqueles que detêm poder aquisitivo suficiente para manter um aparelho celular.

As mensagens são as mais variadas possíveis – e às vezes as mais fúteis também.

Mesmo assim, embalados por uma suposta economia, os adolescentes não medem conseqüências – nem distâncias. Por outro lado, há quem use para manter contatos profissionais.

Por Márcio Alexandre

 

 

   

´Carinhas´ pelo celular

Nome: Laiana Ferreira. Idade: 14 anos. Ocupação: estudante. Hobby preferido: enviar mensagens via telefone. O perfil de Laiana é o mesmo de grande parte dos jovens mossoroenses que pertencem à camada mais abastada da população.

O serviço de digimail faz parte de sua vida desde que surgiu, no ano passado. "Assim que o digimail foi lançado foi uma febre alta e todo mundo queria ter acesso", lembra Laiana, que não mediu esforços para trocar de celular.

Do seu vasto círculo de amizades, quase todos têm celular e dispõem do serviço. "Na escola não é diferente", acentua. Ela diz que usa o digimail para conversar, trocar informações e "mandar carinhas", pequenos desenhos feitos no celular.

Laiana é um dos poucos usuários do sistema que o considera caro. "A gente pensa que vai sair mais barato, mas não se controla e manda mais mensagens do que deveria", confirma.

Qualquer novidade a qual ela toma conhecimento, sua primeira providência é informar ao resto "da galera". E, lógico, via telefone, mas sem fazer a tradicional ligação. "Com a mensagem é melhor", define.

 

 

Engraçadinhos enviam vírus

Mas nem tudo é maravilha entre as pessoas que utilizam o serviço de mensagem via telefone. Alguns engraçadinhos gostam de se valer do sistema para pregar peça em colegas e até mesmo em quem não conhecem. Por meio de mensagens, eles enviam vírus que podem causar danos e transtornos aos proprietários de celular.

Foi o que aconteceu com a secretária-administrativa Caroline Fernandes. Através de mensagem que lhe passaram, ela perdeu toda a agenda do seu celular. "Na verdade, ele ficou zerado, sem nada", acresce.

O emissor convenceu Caroline a liberar o vírus dizendo que ao discar determinadas teclas ela poderia escutar todas as conversas de um canal de bate-papo da cidade. "Me disseram para digitar *#7370# e quando fiz isso apagou tudo", afirma, indignada.

A agenda eletrônica continha pelo menos 200 nomes. Desde segunda-feira passada que ela tenta armazenar as informações novamente. Uma senhora mão-de-obra.

´Mensagens são divertidas´

"Além de econômico, é divertido". Dessa forma a estudante Patrícia Débora Lima justifica sua paixão pelo digimail. Para ela, o fato da operadora oferecer 90 mensagens por R$ 3,00 funcionou como um chamariz.

Tanto que nem sempre as mensagens têm alguma utilidade prática. "Às vezes a gente utiliza somente para conversar", admite Patrícia. Na sua opinião, trocar informações escritas via telefone é bem mais barato que a conversa pelo mesmo aparelho.

"Estou economizando", acredita, mesmo revelando que teve um mês em que a conta excedeu os seus limites. "O jeito foi tentar me controlar", diz, acrescentando que "às vezes seria necessário fazer um interurbano, que sairia mais caro. "Mas é bom ter cuidado, pois às vezes o custo da conta pode aumentar".

 

Correios garante que postagem aumentou

A postagem de cartas continua em alta. A garantia é do assessor de imprensa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), no Rio Grande do Norte, jornalista Túlio Sena.

Segundo ele, a carta ainda é o meio mais usado por grande parte dos norte-rio-grandenses em geral e dos mossoroenses em particular. "O número de postagens está até aumentando", garante.

Sena revela que, em alguns casos, as cartas somente perdem espaço para os e-mails. "Sabíamos que a tecnologia provocaria mudanças na forma de se comunicar, mas não sentimos um impacto forte por causa disso", assevera.

O uso de carta, diz, supera até o de faxes. "Temos diversos tipos de cartas, como a social, a mundial e a pré-selada, cada uma com um objetivo diferente e que tende a permanecer por muito tempo".

O surgimento de digimails também não afetou o mercado de telegramas, sistema de envio de mensagens curtas e que poderia sofrer grande impacto. "O telegrama é usado em função de determinadas épocas", justifica.

Ainda de acordo com o assessor, a expectativa era que o surgimento de novos meios de informação provocasse grande impacto nos serviços dos Correios, o que acabou não acontecendo. "O pessoal usa os Correios para a compra via Internet e isso foi uma coisa que acabou favorecendo", finaliza.

Técnico busca oportunidade de trabalho via telefone

Há quem utiliza o envio de mensagens via telefone para fins úteis. O técnico em Eletromecânica Mailson Fernandes é uma dessas pessoas.

Pelo celular, Fernandes contacta empresas em busca de oportunidades de empregos. Do celular, ele passa informações para os computadores e deixa endereço e outros dados pessoais visando contatos futuros.

Há 6 meses Fernandes vem fazendo isso. Como prestador de serviços, ele já conseguiu alguns trabalhos e agora espera, com o celular, arranjar um emprego fixo.

A disponibilidade é a grande vantagem, na sua ótica. "Em casa mesmo eu faço pesquisa em jornais sobre oportunidades de emprego e depois pelo celular mando minhas informações", frisa. Vale lembrar que uma mensagem via digimail não pode ter mais que 130 dígitos.

Serviço substitui correspondências convencionais

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) garante não estar sentindo os impactos do avanço da tecnologia. Mas a grande maioria dos usuários do digimail não usa mais a carta.

"Quando é algo mais longo e mais distante, eu costumo usar o e-mail", revela Laiana Ferreira. Já Patrícia Débora de Lima afirma que nunca manda carta. "É meio ultrapassado".

Alvimar Francisco Barroso não se lembra de quando foi a última vez que empunhou uma caneta para escrever uma carta. Ele não tem computador em casa, mas resolve tudo no equipamento da empresa onde trabalha. "Pelo e-mail é mais prático", defende.

A postagem de cartas diminuiu em Mossoró. Dados repassados a O Mossoroense pela diretoria regional dos Correios no Rio Grande do Norte atestam isso.

Nos últimos 6 meses do ano passado foram postadas 1.966.290 cartas. Nos primeiros 8 meses de 2001, o total de cartas postadas foi de 1.736.140, média de 10035 por dia, a de julho a dezembro de 2001, o mês com menor média diária de cartas foi outubro, com 13.550 cartas/dia e um total de 284.550 missivas enviadas.

Os outros meses registraram os seguintes números. Julho: 373.200 cartas (média diária de 15.550); agosto: 358.110 (média dia de 15.570); setembro: 421.960 (19.180/dia); novembro: 362.000 (18.100/dia) e dezembro: 504.580 (24.980/dia).

Usuários enviam 6 milhões de short message por mês

A BCP está comemorando um ano de lançamento do serviço DigiM@il, com tecnologia SMS (Short Message Service/ mensagens curtas de texto), contabilizando uma média de seis milhões de mensagens por mês (200 mil/dia), entre os 700 mil assinantes do serviço.

A operadora celular aposta na continuidade da expansão do serviço SMS no Brasil, em 2001, avaliando a forte demanda pelos clientes dos modelos pós e pré-pagos.

"Percebe-se que o usuário procura aparelhos modernos, com recursos como SMS e WAP (Wireless Aplication Protocol) mas, na prática, os clientes têm preferido o short message por estarem preocupados em usar uma forma de comunicação mais rápida e barata", analisa o gerente da filial da BCP do Rio Grande do Norte, Luiz Carlos Baginski. Para o executivo, o perfil do usuário brasileiro segue uma tendência já comprovada em outras regiões do mundo. "Ganhamos com a venda do serviço telefônico e, para nós, é fundamental acompanhar as reais necessidades de uso do cliente", destaca.

Com o DigiM@il, o usuário do celular BCP tem um endereço de e-mail exclusivo, permitindo o envio e recebimento de e-mails em seu próprio celular. Além disso, o cliente pode enviar e receber mensagens de texto para qualquer outro celular BCP, onde quer que esteja. A habilitação do serviço depende do tipo de aparelho utilizado. Hoje o cliente BCP recebe short messages em todos os Estados do Brasil. Isto se deve aos contratos de roaming realizados com outras operadoras do Brasil.

A BCP possui vários kits de serviços inteligentes que oferecem mensagens curtas de texto. O Kit BCP Info custa R$ 3,00 e inclui uma franquia de 60 mensagens. Após a utilização da franquia, são cobradas mensagens excedentes no valor de R$ 0,12. Com o kit, o cliente passa a receber mensagens de texto via DigiMemo, notícias diversas (incluindo horóscopo), além de poder contar com uma conta particular de e-mail oferecida pela facilidade do Web Mail BCP.

O Kit BCP Mail, além de todos os serviços do Kit BCP Info, também oferece o DigiMemo Plus. Com ele o celular BCP vira um e-mail, onde o cliente envia e recebe mensagens. O serviço também notifica o cliente quando chegam mensagens na sua conta de Web Mail. Já o DigiMemo Plus permite que o usuário receba e-mails no celular, de até 160 caracteres, escritos diretamente de programas do tipo MS Outlook, Exchange, Netscape, etc. Pelos recursos, serão cobrados R$ 5,00, com direito a 90 mensagens de franquia. Cada informação excedente custa R$ 0,11.

Já no Kit BCP, o cliente pode receber 120 mensagens pagando R$ 7,00 e se exceder o seu limite é cobrado R$ 0,10 por cada nova mensagem. Com o serviço a pessoa pode se cadastrar no Portal BCPOnline (www.bcponline.com.br) e receber diversos tipos de notícias, ter direito a um Web Mail, Aviso de e-mail e o Lembrador BCP, que funciona como uma agenda de compromissos conectada on-line no celular. No kit, ainda, é incluído o DigiM@il, que permite o envio e recebimento de e-mails e mensagens de texto de até 160 caracteres diretamente do celular BCP (esse recurso depende do modelo dos aparelhos dos clientes, que devem ter capacidade para enviar mensagens).