No
dia 6 de julho de 2001 completou 50 anos do falecimento do jornalista
Augusto da Escóssia Nogueira, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro,
para onde fora em tratamento de saúde. Escossinha, como era conhecido
na intimidade, exerceu cargos eletivos e de nomeação na cidade de
Mossoró. Foi vice-presidente da Câmara de Intendentes no período
1937-1941, prefeito de 19 de fevereiro a 2 de agosto de 1946, suplente
de juiz federal e tesoureiro titular da prefeitura até a sua morte em
1951, aos 51 anos de idade.
Nasceu
em Mossoró a 14 de janeiro de 1900, sendo filho do jornalista João da
Escóssia Nogueira. Aliás, ser jornalista era seu destino. Além do pai
jornalista, tinha um irmão, Lauro da Escóssia também jornalista e seu
avô paterno, Jeremias da Rocha Nogueira, foi o fundador do centenário
jornal "O Mossoroense". E para não fugir à regra e à
tradição familiar, também foi jornalista. Dirigiu o jornal "O
Mossoroense" de 1930 a 1934, a cujas oficinas supervisionava
desde a morte do seu pai em 1919. Mas foi em cargos públicos que teve
maior destaque. Para falar de seu período como prefeito, recorremos ao
depoimento de Walter Wanderley, que foi seu amigo e conviveu com ele
aquela fase, depoimento esse extraído do livro "Legislativo e
Executivo de Mossoró – numa viagem mais que centenária", do
historiador Raimundo Soares de Brito:
" -
... Em determinado período, fizemos de Augusto da Escóssia prefeito de
Mossoró. Foi uma indicação feliz e que veio a solucionar as nossas
crises internas. Era um filho da terra, dos mais dignos, que iria
governá-la. Realizou uma administração progressista e útil a
Mossoró. A ninguém perseguiu, nem permitiu que o dinheiro público
fosse mal aplicado. Ajudou-nos, é claro, como homem de partido que era,
mas tudo dentro do melhor espírito público. Tomou posse do cargo, por
nomeação, a 19 de fevereiro de 1946. Manteve sempre equilibradas as
finanças municipais, dentro do rigoroso regime de economia, sem gastos
supérfluos. Preocupou-se em conservar a coisa pública, os jardins,
prédios escolares, matadouro, cemitério, arborização, pagamento em
dia do funcionalismo, limpeza da cidade. Quando deixou o cargo em 3 de
agosto de 1946, os cofres municipais possuíam setenta contos de réis
em dinheiro, importância elevada para a época".
Como
se pode perceber pelo depoimento de Walter Wanderley, no curto período
de sua administração como prefeito municipal, fez um bom governo. Mas
para falar de Escossinha como pessoa, nada melhor do que o depoimento do
jornalista Dorian Jorge Freire, também extraído do livro do
historiador Raimundo Soares de Brito, já citado:
-
"Em Escossinha, o meu pai teve um companheiro sincero,
intrinsecamente leal. Ainda o vejo no seu terno de linho branco e
imaculado. Os cabelos penteados para trás. O escudo da Ação Católica
na lapela. O cigarro. O riso e o sorriso. O bom senso agudo, calmo,
sábio a contrastar com a impetuosidade cangaceira, os rompantes
desabridos do irmão Lauro da Escóssia. A capacidade não apenas de
fazer e preservar amigos, mas de constituir uma família numerosa, e na
hora de se apresentar a Deus poder dizer, com segurança que os justos
conhecem: "Daqueles que me destes não perdi nenhum!".