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Asseio verbal

Lembro que já cantei num soneto a minha aversão a essas palavras estrangeiras ou americanizadas que tanto misturam ao nosso idioma, à nossa rude e enxovalhada língua. Mas, vira e mexe, muita coisa ainda vejo que embarga o meu pensamento e minha garganta.

Uma demonstração dessa fraqueza ou "pobreza de espírito" está nos ambientes comerciais. Todo boteco, toda birosca, motel, casa de pasto ou meretrício tem que exibir, como forma de fortalecer o "marquetingue", um nome internacionalizado.

Vejamos, por exemplo, a mais nova e melhor equipada livraria de Mossoró, a A.S. Book Shop, que, para um estabelecimento que se diz preocupado e comprometido com a literatura potiguar, com a valorização daquelas coisas que entendemos por nossas, não deu um dos exemplos mais salutares fazendo uso desse tipo de estrangeirice.

Não pretendo aqui sugerir a mudança do nome dessa livraria, distante de mim tal intuito, mas creio que seus proprietários poderiam ter imaginado algo mais de acordo com os propósitos "bairristas" da referida casa.

Pois, fico triste com tanta rejeição à nossa última flor do Lácio, inculta e bela. Como no soneto do mestre Bilac. Parece que todos, neste ciclone da robótica e do interneticismo, resolveram cuspir no prato que comem. Falta-nos patriotismo, vergonha, asseio verbal.

O poeta Jomar Rêgo pretende reunir num futuro livro os poemas patrióticos que vem publicando nesta mesma página. O título da obra será "O Amor da Pátria", cujo principal objetivo, segundo Jomar, é o rearmamento nacionalista do povo brasileiro. Três nomes de Mossoró foram aprovados para compor o Conselho Estadual de Folclore: Kidelmir Dantas, Cid Augusto e Paulo Gastão. O congresso brasileiro promovido pela Comissão Norte-rio-grandense de Folclore impressionou visitantes de todo o País. "Uma morena cor de saudade." Quase um decassílabo, na crônica Um Amor à Distância, do poeta-cronista-prosador José Nicodemos. Aí, sim, a grande diferença da "poesia do enter" que tanto nos fala Crispiniano Neto. Em breve o cantor mossoroense Reynaldo Bessa estará em Mossoró divulgando seu novo CD: "Angico".

Explicando

Por respeito aos nossos leitores e ao cantador de coco Concriz (destaque do espaço Autores e Obras), publicamos hoje, com as devidas correções e desculpas, o texto que não apresentamos no último domingo em virtude de uma falha na comunicação entre este colunista e um diagramador de nossa equipe.

Comenda

Gutenberg Costa, que lançou na última terça-feira em Mossoró o seu dicionário de apelidos, criou a Comenda Papa-Jerimum, destinada a um seleto grupo de intelectuais e amigos. Além disso, durante o lançamento da referida obra, foi distribuído àqueles que adquiriram o livro o Diploma Papa-Jerimum. Coisas da mente criativa e dinâmica do nosso "Gutenba".

 Livros

Chega-nos da lavoura da Coleção Mossoroense uma penca de livros enviados pelo infatigável professor Vingt-un. São os títulos "Seccas Contra a Seca", de Phelipe Guerra e Theophilo Guerra, "A visão do Nordeste na perspectiva de José Augusto Trindade", de Lauro Pires Xavier, "Saudade de Veríssimo" e "Memória Vária", do próprio Vingt-un, além de um catálogo com publicações da Coleção.

 

   



Concriz

Nascido aos 5 de maio de 1954, na pequena cidade de Timbaúba dos Mocós, no Estado de Pernambuco e residente em Mossoró há mais de 25 anos, muito pouca gente sabe informar quem é a pessoa de José Antônio da Silva. Por outro lado, quase todo mundo conhece ou já ouviu falar no antológico embolador de coco, um dos mais representativos do Nordeste brasileiro, conhecido por Concriz.

"Eu comecei na arte de embolar coco com 13 anos de idade. Em pouco tempo foram surgindo as palavras de incentivo para que eu seguisse o ofício. Daí fui ganhando confiança e o reconhecimento dos amigos mais experientes. Foi quando me orientaram a usar um nome artístico. Porque, segundo diziam, ninguém lembraria do nome José Antônio da Silva. Então veio a sugestão do cognome "Concriz", que é nome de um pássaro cantador", explica o poeta do coco.

Concriz formou dupla durante oito anos com o também famoso João Preá, nascido em Sapé da Paraíba, hoje conhecido nas rodas de cantorias como João Lourenço da Viola, que no próximo dia 30 vai estar cantando no Clube Aceu, ao lado do violeiro Nilo Pereira.

Além de João Preá, Concriz já trabalhou com nomes importantes da poesia popular como Cachimbinho, Beija-Flor, Vem-Vem, Manuel Batista, Antônio Caju, Dedé da Mulatinha Juriti, Geraldo Mousinho, entre outros. Hoje o parceiro de Concriz é o cantador de coco conhecido por Pirralho, que foi o primeiro parceiro de Concriz, também natural da cidade pernambucana de Timbaúba dos Mocós.

Concriz é responsável pela organização do primeiro (e até o momento o único) Festival de Coquistas que se ouviu falar no Nordeste brasileiro.

Autor de vários folhetos de poesia popular tendo gravado com João Preá um LP intitulado "Coco Viola e Pandeiro", recentemente Concriz editou mais dois títulos no gênero do folheto: "Jorge Amado foi embora Foi Deus quem mandou buscar" e "Jararaca arrependido Porque matou um menino".

SERVIÇO:

Esses e outros folhetos podem ser adquiridos com o próprio autor durante toda a manhã, de segunda a sexta-feira, numa banquinha que o poeta monta na rua Meira e Sá, no centro da cidade, vizinho à Casa do Plástico, onde vende, além dos versos que vai declamando ao som de um pandeiro, uma série de miudezas como pomadas e vidrinhos com óleos de cânfora e outros ungüentos.

Os interessados em contratar o poeta Concriz para alguma apresentação da arte do coco pode fazê-lo também pelo telefone 312-3556.