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Entrevista

 

papai noel

Papai NoelRoseval Maia de Nepomuceno, o colaborador de todas as horas desta folha mais que centenária, entrevistou uma das maiores instituições do Natal esta semana.

Santa Klaus Von Krajcberg, ou simplesmente Papai Noel, concedeu-lhe entrevista exclusiva por telefone, de sua mansão com ares “disneilândicos”, na distante Lapônia.

Para o Papai Noel, a cada Natal aumenta a falta de cooperação entre os povos, diz que é fã do rei Pelé e garante que vai processar o padre que o “matou”. Noel falou ainda sobre a polêmica demissão em massa de duendes em sua fábrica de brinquedos e sua migração para Taiwan.

O Mossoroense – Papai Noel, quantas cartas o senhor recebe por ano, com pedidos de crianças de várias partes do mundo?

Papai Noel – Incontáveis. Somente o meu assessor poderia fornecer-lhe os dados, mas ele está acompanhando a nossa linha de produção em Taiwan.

OM – Quer dizer que essa história de fábrica com duendes é só história?

PN – Veja bem, com a globalização e a valorização do dólar chegamos a conclusão que sairia mais barato fabricar os brinquedos em outro lugar. Então fechamos a nossa.

OM – Sim, quer dizer que por isso os duendes estão movendo uma ação milionária contra o senhor na Justiça do Trabalho, pedindo indenização por anos de dedicação?

PN – Olhe, duendes não existem. Só quem acredita em duendes é a Xuxa... Ho, ho, ho... Você já assistiu ao filme?

OM – Logicamente o senhor não respondeu a pergunta que fiz. E os duendes como ficam nessa história

PN – Olhe, veja bem, como todo empresário do setor de brinquedos, analisei o custo-benefício e acredito como acredita um capitalista de boa cepa que a melhor saída foi transferir os negócios para outro país. Lá (em Taiwan) a mão-de-obra é barata, os impostos são mais em conta e...

OM – Espere aí Papai Noel, o senhor nunca pagou um centavo a seus duendes, sequer pagou impostos na Lapônia e por que essa história agora?

PN – Amigo, acordos internacionais acontecem. Tenho vantagens econômicas e convicções muito fortes para acreditar que essa foi a melhor saída. Hoje com o avanço da industrialização e contando que tempo é dinheiro, é melhor ter uma linha de produção feita praticamente por máquinas do que lutar com centenas de trabalhadores. Estressei-me um pouco e decidi por isso.

OM – E a indenização?

PN – Teremos uma audiência tão logo acabe o Natal. E não quero mais falar sobre o assunto.

OM – O senhor ouvir falar que tem um padre alemão querendo acabar com a sua raça?

PN – Pois é, ouvi dizer que ele me “matou” ao revelar para as crianças que eu não existo. Tanto existo que estou aqui, concedendo-lhe entrevista. Mas estou enfrentando esse tipo de problema em outras partes do mundo. Acredito que estamos perdendo o espírito natalino, os países não se integram e estamos na iminência de uma guerra sem precedentes. Além do mais, não vou discutir futebol com ele.

OM – Futebol, mas isso não ficaria no campo da religião?

PN – Para mim futebol é uma religião. Conheço o Pelé e tenho até um autógrafo dele. Conheço o Ronaldo também.

OM – Na Austrália o senhor não poderá visitar os jardins-de-infância...

PN – Tudo intriga da oposição. Estão com medo da concorrência. Uma pena que as criancinhas sejam penalizadas.

OM – Concorrência em uma escola?

PN – Amigo, estão querendo destruir minha imagem. Por certo querem colocar um substituto.

OM – E sobre o roubo da árvore de Natal, em uma estação de trem em Oslo, na Noruega, que estava decorada com quase 2 mil dólares em dinheiro...

PN – Ho, ho, ho… não fui eu.

OM – Quem o senhor mandaria para o Pólo Norte?

PN - (Pensativo) Acho que a mãe da Mamãe Noel. Ha, ha, ha, ops, ho, ho, ho. Ela é uma cobra...

OM – E para o Pólo Sul?

PN – Esse políticos que querem uma guerra. Podemos fazer melhor. Vamos salvar a África. Tem muita gente passando fome. No Brasil também. São pessoas que não pensam só em brinquedos, mas muito mais em comida. Precisam de atenção, de carinho.

OM - Qual a mágica que o senhor faz para entregar milhões de presentes na noite de Natal.

PN – Um mágico não revela seu segredos...

OM – Por que só as crianças ricas recebem brinquedos?

PN - Porque na casa delas têm chaminés e as meias estão sempre dependuradas na lareira na noite de Natal. E ainda tem um lanchinho esperto me esperando.

OM – E as renas, Papai, como estão?

PN – Não sabe ainda? Você está muito desatualizado. Troquei todas por uma Ferrari vermelha lindíssima, que vai de 0 a 100 km em menos de 10 segundos. Também mereço um presente, não acha?

OM - E Rudolph, a rena mais famosa, como fica nessa história?

PN – O bambi foi estudar balé na Rússia.

OM – Para finalizar esse papo sincero: o senhor acredita em Papai Noel?

PN – Ho, ho, ho! Você faz cada pergunta indiscreta. Você acredita no Natal?

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Mossoró-RN, domingo, 22 de dezembro de 2002