Seridó poderá se tornar pólo de desenvolvimento tecnológico
e econômico

Uso do gás natural pelos ceramistas diminuirá em 50% o desperdício de matéria-prima ASSU/SERIDÓ – Marcada por problemas ambientais, como a desertificação e clima semi-árido, a região do Seridó do Rio Grande do Norte poderá se tornar um pólo de desenvolvimento tecnológico e econômico, a partir da construção do Gasoduto Assu-Seridó, que abastecerá 28 municípios seridoenses, além de cidades paraibanas próximas.

O projeto, fruto de um estudo patrocinado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) à Agência de Desenvolvimento do Seridó (ADESE), será apresentado nesta sexta-feira, 4, na cidade de Caicó, ao governo do Estado.

Orçado em torno de R$ 100 milhões, o gasoduto terá condições de abastecer esses municípios com 400 mil metros cúbicos de gás natural por dia. Com isso, a região terá uma importante fonte de energia para atrair novas indústrias, bem como desenvolver as que já existem, a exemplo do setor ceramista e o de mineração, que já foi uma das principais alavancas econômicas do Seridó.

O Gasoduto Assu-Seridó terá uma extensão total de 310 km, partindo do Vale do Assu até o município de Jucurutu, onde terá duas ramificações: Jucurutu-Caicó e Jucurutu-Currais Novos. Em Caicó, partirá um outro ramal que abastecerá a cidade de Parelhas. Todo o gás será proveniente de um outro gasoduto já existente, o ‘Gasfor’, que leva o gás natural de Guamaré (RN) para Fortaleza(CE).

LENHA - Com a utilização do gás natural, problemas como o da desertificação irá diminuir na região Seridó, já que a extração de lenha, para ser utilizada nos fornos, é uma das principais causas do desmatamento. “Quanto a devastação, costumam culpar principalmente os ceramistas, mas a extração de lenha é uma atividade comum na região. Quem trabalha com panificação e produção de doces, atividades comuns no Seridó, também se utiliza desta fonte energética”, explica o presidente da Adese, Rômulo Macedo.

Além de preservar o meio ambiente, os ceramistas que utilizarem o gás natural como fonte energética diminuirão o desperdício de matéria-prima em até 50%, se comparado às despesas com o uso da lenha. Com o gás, fica mais fácil controlar a temperatura dos fornos, conseqüentemente diminui o tempo de queima aumentando a qualidade do produto final.

Ceramistas vão solicitar projeto sobre utilização do gás natural

Atualmente 76 cerâmicas estão instaladas na região de abrangência do projeto do Gasoduto Assu-Seridó e para que os empresários sintam-se mais interessados em utilizar o gás natural como fonte de energia, o sindicato da categoria solicitará um estudo para que o preço do produto seja diferenciado para a categoria. “Adotando o gás natural, as cerâmicas terão a obrigação de parar com o desmatamento, e conseqüentemente as agressões ao meio ambiente irão diminuir”, explicou o presidente do sindicato do setor ceramista, Pedro Terceiro de Melo.

O estudo será entregue às autoridades ambientais e se for aceito favorecerá tanto aos ceramistas, que terão energia a um custo mais baixo, quanto ao governo que terá recursos financiados para recuperar a região, através dos fundos de reflorestamento.

Com este projeto, o Rio Grande do Norte ganhará mais uma importante área para o crescimento industrial, gerando novos empregos e a oportunidade de preservar o meio ambiente através do desenvolvimento sustentável.

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 3 de abril de 2003