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NATAL - A eleição do Conselho Municipal
da Criança e do Adolescente (Comdica) foi suspensa por
tempo indeterminado. O pleito onde seriam escolhidos,
por meio de voto direito, os novos conselheiros tutelares
das quatro zonas de Natal, não tem data prevista para
acontecer.
A determinação é do desembargador
João Rebouças, acatando pedido de quatro candidatos
reprovados na primeira fase do processo de seleção nas
avaliações, objetiva e subjetiva, sobre conhecimentos
gerais.
A suspensão da eleição foi decretada
pelo desembargador João Rebouças no sábado, 28, faltando
menos de 12 horas para o início do processo. O presidente
do Comdica, Diego Vale, explica que quatro candidatos
reprovados nas provas, objetiva e discursiva, entraram
com uma ação anulatória solicitando o cancelamento da
eleição. A ação foi requerida por Aldo Marinho da Silva,
Randenclécio de Souza Xavier, Francisca Francimeire
Sales de Aquino Motta e Franscisca Francinete de Medeiros
Pinheiro. As duas últimas já atuam como conselheiras
e entraram na disputa pela reeleição.
Para Diego Vale, a suspensão do pleito
gerou prejuízos ao Comdica, uma vez que cerca de 500
pessoas já estavam preparadas para trabalhar na eleição
e R$160 mil foram gastos na preparação do processo,
custeado pela Prefeitura de Natal. "Sem falar que
tivemos que avisar a população. Com certeza, muitas
pessoas ainda foram às seções porque não estavam sabendo
da suspensão", disse.
Impasse poderá permanecer até o
fim deste semestre
Embora não saiba de uma data precisa
para retomada do processo eleitoral no âmbito do Comdica,
Diego Vale acredita que até o final deste semestre estará
tudo solucionado. Ele disse que o Comdica está avaliando
junto à procuradoria do município, a possibilidade de
entrar com uma ação de litigância de má fé. Isso porque
os candidatos só entraram com a ação poucos dias antes
da eleição, em uma campanha que já ocorria há dois meses.
"Não entendemos porque só entraram com essa ação
agora", indaga o presidente do Comdica.
O advogado dos quatro candidatos,
Kelps Lima, explica que deu entrada na ação no último
dia 9 de abril. "Antes, em meados de março, já
havíamos entrado com um recurso administrativo. Mas
o conselho não reconheceu o erro e entramos com a ação
na justiça", disse. De acordo com ele, o problema
é que a juíza de direito substituta, Vanessa Lysandra
Nogueira, só julgou e concedeu a liminar na última sexta-feira,
27. Horas depois, na mesma sexta-feira (por volta das
18h), a juíza voltou atrás, fazendo o advogado recorrer.
De acordo com Kelps Lima, o edital
foi descumprido na hora da prova. "Pelo edital
os candidatos teriam quatro linhas para responder as
questões, mas a orientação da prova é que a resposta
poderia ter até dez linhas", disse. Segundo ele,
os candidatos também foram interrompidos após uma hora
e meia de prova, por recomendação do Ministério Público,
para que a determinação do edital prevalecesse. Kelps
Lima disse que vai aguardar a decisão da justiça.
Para a eleição que deveria ter ocorrido
no domingo, 29, estavam disponíveis 65 seções eleitorais
e 48 candidatos concorriam às vagas. A expectativa era
que 40 mil pessoas comparecessem as seções para eleger
cinco conselheiros para cada zona da cidade. Ao todo
seriam eleitos 20 conselheiros. O salário em Natal é
de R$1.200, custeado pela prefeitura.
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