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Por Márcio Bernardes
É folga ou não é?
Se na quarta (31/5) a bomba do dia
foi o corte de Edmilson, na última quinta-feira (1º/6)
toda imprensa explorou a notícia publicada pelo jornal
Blick Sport. Nele há uma reportagem com fotos de Roberto
Carlos, Emerson e Ronaldo numa discoteca de Lucerna.
Os jogadores brasileiros foram liberados
na terça-feira (30/5), após o jogo da Basiléia, com
a obrigação de dormirem no Park Hotel. Todos chegaram
no horário.
Houve certa indignação
pelo fato de Roberto Carlos ter declarado, antes do
treino de quarta, que ele havia ficado no hotel conversando
com os companheiros e que não havia saído para nenhum
lugar. Com a publicação da reportagem no jornal suíço,
o lateral e outros os jogadores que mentiram foram desmascarados.
Esse tema, que chega a
ser tratado até com certa hipocrisia, merece uma reflexão.
Os jogadores ganharam folga. Entende-se que poderiam
fazer o que quisessem. Acontece que estão às portas
de uma Copa do Mundo, com a mídia inteira atrás de notícias
e qualquer descuido pode ser fatal.
Parreira: poucos amigos
Parreira chegou
à entrevista coletiva da última quarta (31/5) com cara
de poucos amigos. A impressão que deu é que ele esperava
perguntas cabeludas. As primeiras respostas foram secas
e pouco humoradas. Com o passar do tempo foi se acalmando
e começou a alongar um pouco mais suas explicações que
estavam monossilábicas.
Ainda a França
Fabian Barthez
e outros jogadores caíram em desgraça com a torcida
francesa. Apesar de a seleção ser uma das favoritas
para ganhar a Copa, a galera tem feito muitas críticas
ao goleiro, que prontamente respondeu: “Em 98, antes
do Mundial, todos subestimavam os jogadores franceses.
E todo mundo sabe no que deu”.
Antidoping
Esses testes
antidoping realizados de surpresa a pedido da Fifa são
absolutamente comuns nas grandes competições internacionais.
Os escolhidos na equipe brasileira, Rogério Ceni, Juninho
Pernambucano, Gilberto Silva e Luizão, foram também
alvos de brincadeiras dos seus colegas. Claro que tudo
acabou encarado com naturalidade, porque não há nada
o que temer.
Chove chuva
Alguns jogadores da seleção
aproveitaram a intensidade da chuva que caía, quando
da chegada da delegação ao estádio de Weggis. Passaram
correndo pela zona mista de jornalistas e foram direto
para o vestiário.
FRASES
“Amanhã esperamos
vocês ao meio-dia e meio no Park Hotel”. Rodrigo Paiva,
assessor de imprensa da seleção brasileira atacando
o vernáculo.
“Eu sei muito bem
o que está sentindo o Edmilson. Mas não adianta nada.
O negócio é se apegar na família e em Deus. A vida continua”.
Emerson, que também foi cortado por contusão na véspera
da Copa de 2002.
“Agora vou
tomar cuidado para não tirar fotos com fãs nos dias
de folga. Desta vez me pegaram em flagrante e na boca
da botija”. Roberto Carlos, que levou na boa ter sido
desmascarado pelo jornal suíço.
“Claro que todos
nós estamos com receio de uma contusão inesperada. Ser
cortado nesta altura não é brincadeira. Por isso temos
de tomar cuidado nos treinos e amistosos”. Zé Roberto,
em momento de extrema sinceridade.
“Não pensem que
nossos laterais vão subir irresponsavelmente. Todos
nós sabemos quando e onde temos de tomar cuidados defensivos”.
Carlos Alberto Parreira, tentando acalmar aqueles que
criticam as falhas de marcação da seleção.
TOQUE FINAL
Quem está acompanhando a coluna desde
que chegamos à Europa sabe a minha opinião sobre contusões
de jogadores as vésperas de Copas do Mundo. Outro dia
falei sobre isso.
Os fatos e minha experiência comprovam
que isso é tão normal quanto o capitão da seleção erguer
a Copa da Fifa após a conquista.
Quero, no entanto, fazer uma observação
especial e diferente sobre o corte de Edmilson. Todo
mundo ficou sentido com a contusão do volante. A começar
pelos jogadores e por extensão a delegação. Os jornalistas
também constataram a realidade nua e crua, mas se curvaram
à tristeza do momento.
No último encontro de Edmilson com
a imprensa, comprovou-se que antes do craque, campeão
europeu, jogador importante para Parreira, está o ser
humano.
Religioso ele deixou claro que sofreu
muito para se recuperar da contusão e cirurgia em 2002,
e que se preparou além dos limites para jogar esta Copa.
O acaso tirou Edmilson do Mundial.
Da mesma forma que Emerson foi cortado em 2002, Ricardo
Gomes em 94 e Careca em 82. Isso para ficar apenas nesses
exemplos.
Para ele e para todos nós, confortável
é o ditado que diz: “Deus escreve certo por linhas tortas”.
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