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O FENÔMENO LULA

O presidente Lula tem se mostrado um fenômeno eleitoral. Depois de ter sua administração invadida por suspeitas administrativas, aparece nas pesquisas de opinião pública em primeiro lugar, sendo reeleito presidente da República ainda no primeiro turno. E isso tem mexido com os outros partidos que não entendem o porquê disso estar acontecendo.

Frei Betto, em seu livro Mosca Azul, diz que, no auge da crise, Lula preferiu agir a respaldar desculpas e explicações. Destituiu os envolvidos na crise e colocou alguns dos seus ministros nos altos postos partidários. Conseguiu separar sua imagem da do seu partido, sem maiores dificuldades.

Esses números têm mexido com o PMDB governista, que sonha em chegar ao Planalto numa candidatura a vice-presidente. Eles sabem, entretanto, que os candidatos a governador impedirão esse acontecimento. O partido troca um projeto nacional, praticamente assegurado, em troca da manutenção dos candidatos estaduais. Prefere a pulverização do poder, embora menor que a dimensão nacional.

Os acordos estaduais têm gerado essa dificuldade. Para vencer, em 2002, o PT fez inúmeras alianças, esquecendo as disputas antigas. Na Presidência, fortaleceu-se em muitos lugares e seus representantes não aceitam abrir mão para as outras legendas. O que pode ser uma atitude natural é visto com desconfiança pelos outros partidos, ansiosos pelo apoio para os seus candidatos. Lula sabe da importância dessas alianças, mas não pode abrir demais, tirando a força do PT nos estados. Daí a costura permanente com as lideranças trabalhando para a superação das diferenças.

Orestes Quércia é candidato a governador em São Paulo. Seu principal opositor será o senador Aloísio Mercadante, do PT, que participou do encontro, no Palácio do Planalto. Arriscou um convite ao peemedebista para que ele fosse seu candidato a vice-governador. Na conversa, falou-se na possibilidade da manutenção das candidaturas para uma aliança no segundo turno.

Lula e Quércia falaram sobre o convite para que seja do PMDB o candidato a vice-presidente. A oposição aproveitou para criticar o presidente, que estava usando o Planalto para encontros políticos, o que não é permitido pela lei eleitoral, o que é uma atitude hipócrita, pois nenhum governante, do prefeito ao presidente, retira-se do seu gabinete quando o assunto é política partidária. A opinião geral é que o PMDB não cederá ao canto da sereia. O PT continuará insistindo, esperando um dia sensibilizar o PMDB. Várias frentes foram montadas e depois de Orestes Quércia outras lideranças serão convidadas com o mesmo objetivo. Lula quer o PMDB ao seu lado.

 

 

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