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ALMA Fátima Feitosa Pedagoga
(Mossoró/RN)
Alma que te quero alma Com tua
beleza e pureza Também cercada de incertezas Medos,
louca alma, mas calma...
Seria uma alma ardente Mas adormecida
com o passar do tempo Tempo que não se ver passar...
Será sonho não realizado Fantasias
formadas e desencorajadas Vida monótona vida, caminhos
pra caminhar...
Quem dera que essa alma falasse Tocasse
no coração desejado Que com alma e desejos, sentimentos
e medos Estará também adormecido.
DELEGACIA E CABARÉ Pedro
Melo Delegado e Poeta (Mossoró/RN) Para Laércio Eugênio
Delegacia pro homem, Cabaré para
mulher, É questão de igualdade Acredite quem quiser.
Você pode contestar Foi o ET quem
falou: “Pro homem, para mulher A coisa se misturou”.
O homem tá oprimido Precisa se
resguardar Quer uma delegacia Pra poder denunciar.
Quer pensão e quer visita Para
os filhos acompanhar Chega de paternidade Chega
de discriminar.
A mulher quer seu direito De viver
em liberdade, Ela quer pagar o preço Para ter
felicidade.
Descobrir o seu caminho Fazer da
vida o que quer Pagar pra ter um amor Na cama
de um cabaré.
O AMOR OCULTO Luciano Lima
de Sousa Universitário (Mossoró/RN) lucianouncas@hotmail.com
Onde está você que eu tanto procuro? Onde
estão seus olhos que me seguem? Por algum tempo meus
olhos quiseram cegar meu coração, Mas descobriu que
na verdade era uma ilusão. Eu sei que a felicidade
mora ao teu lado, É por isso que te eu amo calado. Já
andei pelos cantos, Viajei por caminhos distantes
tentando te encontrar. Enganei-me, pois estavas perdida
em meu coração...
Como vencer um sentimento que é mais
forte do que eu? Não sei. Por isso sei que vou
te amar. Mesmo no silêncio, vou te encontrar. Hoje
somos dois, mas um dia nos tornaremos um.
Eu não sei do teu corpo, nem do teu
sorriso, Mas meu coração não duvidará quando encontrá-la. Vivendo
à procura de um sonho que poetizei, Não sei onde
te encontrar, Mas sei onde tu moras: em meu coração.
MENINOS CARVOEIROS Petrópolis,
1921
Os meninos carvoeiros Passam a
caminho da cidade. - Eh, carvoero! E vão tocando
os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos. Cada
um leva seis sacos de carvão de lenha. A aniagem
é toda remendada. Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha
que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
- Eh, carvoero! Só mesmo estas
crianças raquíticas Vão bem com estes burrinhos descadeirados. A
madrugada ingênua parece feita para eles... Pequenina,
ingênua miséria! Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais
como se brincásseis!
-Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão
encarvoado, Encarapitados nas alimárias, Apostando
corrida, Dançando, bamboleando nas cangalhas como
espantalhos desamparados.
LINGUAGEM Nida Lira Cantora
(Mossoró/RN) nidacristina@hotmail.com
Meu bem, A frase contida Deixou
escapar Segredos invadidos Através do olhar. Uma
mágica, Espelho, imagens, Uma tortura sem fim E
um arrepio que dá. Luz na pele, Um toque com o
polegar - Linguagem.
Meu bem, E esse seu olhar Tão
cheio de mistério, Tanta coisa em comum, Tanta
coisa não dita. Eu emudeço Mas preciso saber O
que esconde teu silêncio. Preciso saber O que
é preciso pra ganhar você.
Falar a tua língua, Soletrar a
tua alma, Cantar nossa história, Renascer... Viver
o amor com calma.
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