Mossoró-RN, domingo 28 maio de 2006

ALMA
Fátima Feitosa
Pedagoga (Mossoró/RN)

Alma que te quero alma
Com tua beleza e pureza
Também cercada de incertezas
Medos, louca alma, mas calma...

Seria uma alma ardente
Mas adormecida com o passar do tempo
Tempo que não se ver passar...

Será sonho não realizado
Fantasias formadas e desencorajadas
Vida monótona vida, caminhos pra caminhar...

Quem dera que essa alma falasse
Tocasse no coração desejado
Que com alma e desejos, sentimentos e medos
Estará também adormecido.

DELEGACIA E CABARÉ
Pedro Melo
Delegado e Poeta (Mossoró/RN) Para Laércio Eugênio

Delegacia pro homem,
Cabaré para mulher,
É questão de igualdade
Acredite quem quiser.

Você pode contestar
Foi o ET quem falou:
“Pro homem, para mulher
A coisa se misturou”.

O homem tá oprimido
Precisa se resguardar
Quer uma delegacia
Pra poder denunciar.

Quer pensão e quer visita
Para os filhos acompanhar
Chega de paternidade
Chega de discriminar.

A mulher quer seu direito
De viver em liberdade,
Ela quer pagar o preço
Para ter felicidade.

Descobrir o seu caminho
Fazer da vida o que quer
Pagar pra ter um amor
Na cama de um cabaré.

O AMOR OCULTO
Luciano Lima de Sousa
Universitário (Mossoró/RN)
lucianouncas@hotmail.com

Onde está você que eu tanto procuro?
Onde estão seus olhos que me seguem?
Por algum tempo meus olhos quiseram cegar meu coração,
Mas descobriu que na verdade era uma ilusão.
Eu sei que a felicidade mora ao teu lado,
É por isso que te eu amo calado.
Já andei pelos cantos,
Viajei por caminhos distantes tentando te encontrar.
Enganei-me, pois estavas perdida em meu coração...

Como vencer um sentimento que é mais forte do que eu?
Não sei.
Por isso sei que vou te amar.
Mesmo no silêncio, vou te encontrar.
Hoje somos dois, mas um dia nos tornaremos um. 

Eu não sei do teu corpo, nem do teu sorriso,
Mas meu coração não duvidará quando encontrá-la.
Vivendo à procura de um sonho que poetizei,
Não sei onde te encontrar,
Mas sei onde tu moras: em meu coração.

MENINOS CARVOEIROS
Petrópolis, 1921

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
- Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.

Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.

(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe,
dobrando-se com um gemido.)

- Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!

-Eh, carvoero!

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.

LINGUAGEM
Nida Lira
Cantora (Mossoró/RN)
nidacristina@hotmail.com

Meu bem,
A frase contida
Deixou escapar
Segredos invadidos
Através do olhar.
Uma mágica,
Espelho, imagens,
Uma tortura sem fim
E um arrepio que dá.
Luz na pele,
Um toque com o polegar -
Linguagem.

Meu bem,
E esse seu olhar
Tão cheio de mistério,
Tanta coisa em comum,
Tanta coisa não dita.
Eu emudeço
Mas preciso saber
O que esconde teu silêncio.
Preciso saber
O que é preciso pra ganhar você.

Falar a tua língua,
Soletrar a tua alma,
Cantar nossa história,
Renascer...
Viver o amor com calma.

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