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A segurança da Câmara recolheu ontem
cartas encaminhadas para nove deputados com conteúdo
suspeito: aparência de fezes. Segundo a segurança da
Casa, o conteúdo tinha cheiro forte semelhante ao de
fezes.
Os envelopes foram encaminhados para
o Laboratório Central de Brasília que deverá pedir o
auxílio da Fiocruz para fazer a análise do material.
Os envelopes foram encaminhados para
deputados de partidos diferentes: Gilmar Machado (PT-MG),
João Fontes (PDT-SE), Vadão Gomes (PP-SP), Iara Bernardes
(PT-SP), José Mentor (PT-SP), Durval Orlato (PT-SP),
Irineu Colombo (PT-PR), José Janene (PP-PR) e João Alfredo
(PSOL-CE). Algumas das cartas tinham remetentes com
nomes árabes e foram encaminhadas de São Paulo.
Segundo a segurança da Câmara, seis
envelopes chegaram ontem aos gabinetes e outros três
na semana passada. Três deputados - Janene, Mentor e
Vadão Gomes - não chegaram a ter acesso às cartas, que
foram interceptadas antes de chegarem aos gabinetes
pela segurança.
A Câmara inicialmente evitou confirmar
o episódio, mas acabou revelando o caso depois que vários
deputados confirmaram a recepção do material. Os envelopes
não continham nenhum bilhete, apenas a substância suspeita.
Em alguns, as supostas fezes estavam enroladas em papel
higiênico.
Parlamentares indignados
Parlamentares reagiram ao episódio.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comentou
o fato embora nenhum senador tenha recebido o envelope
com supostas fezes dentro até agora.
“O Congresso é um retrato da sociedade.
Você tem pessoas boas e ruins. O importante é separar
o joio do trigo. O que não pode haver é democracia sem
Congresso, sem representação da sociedade. As pessoas
que generalizam precisam primeiro pensar nisso”, disse.
Gilmar Machado (PT-MG), presidente
da Comissão de Orçamento do Congresso, um dos alvos
dos envelopes, disse que entendeu o protesto como uma
ameaça porque assinou o pedido de criação da CPI das
Sanguessugas. “Isso não me assusta, quando assinei os
requerimentos das CPIs dos Bingos e dos Correios também
sofri ameaça de morte. Isso não vai me coagir”. O deputado
disse que agora as investigações estão com a Polícia
Legislativa.
Para o deputado João Fontes (PDT-SE),
o protesto é “coisa da turma das sanguessugas” que estaria
tentando ameaçar os deputados. “É muita gente que está
envolvida”.
Fonte: Folha Online
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