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BANCOS
RESGATARÃO CREDIBILIDADE DO CONSÓRCIO Sonho de consumo que se tornou
pesadelo para milhares de consumidores lesados nos anos 70 e 80, o consórcio de
veículos automotores ganha novo impulso e credibilidade com entrada no segmento
dos grandes bancos que antes resistiam em disputar esse campo
minado. Quase que simultaneamente, Bradesco e Itaú --
na ordem, os dois maiores bancos privados do país -- estão lançando suas
empresas de consórcio automotivo. E estão entrando no ramo de cabeça, jogando
todo o peso das instituições, a força do marketing, a existência de agências
pulverizadas por todo Brasil (que vão funcionar como pontos-de-venda) e uma
substancial parcela de suas verbas publicitárias, visando alavancar rapidamente
o negócio.
Os bancos estão dispostos a resgatar a seriedade e a credibilidade dos
consórcios, que tanto foram arranhadas. Esperam, também, como prêmio, resgatar
a lucratividade e abocanhar uma imensa massa de clientes que almejam mas não tem
possibilidades de comprar um carro zero à vista, nem
financiado. A fórmula do consórcio de automóveis e
caminhões é simples, atraente e acessível. Forma-se um grupo de interessados
que aderem à um contrato coletivo que prevê um pagamento de uma mensalidade
relativamente baixa, obtida a partir da divisão do valor atual do veículo em,
digamos, cinco anos. Os participantes são convocados para uma reunião mensal
onde são entregues, ao longo do período estipulado, dois carros de cada vez. Um
por sorteio, um por lance em dinheiro, feito pelos presentes , numa espécie de
leilão simplificado. É como se fosse uma ação entre amigos, só que administrada de
forma profissional por uma empresa especializada no assunto. Um bom negócio para
que não tem carro e, mais ainda, para quem tem um usado e pode esperar até o seu
zero ser sorteado. O que pode acontecer, dependendo da sorte do cidadão, até com
apenas a primeira mensalidade paga. O processo é
criativo e bem bolado. Um grupo, por exemplo, de 120 participantes em que a
administradora oferece a entrega de 2 carros/mês, com valor unitário de 30 mil
reais. Cada consorciado paga 500 reais de mensalidade (mais a taxa de
administração, que é o lucro da empresa, e a inflação do mês ou o reajuste no
preço do carro ofertado. Ao cabo dos 60 meses todos estarão de posse dos
veículos totalmente quitados. Com a real possibilidade de ter um carro zerinho
na garagem, com poucas mensalidades pagas. Ou com um pequeno lance -- que é
deduzido do valor total do carro -- dado num dia de chuva, em que poucos
participantes compareceram à reunião... Vários consórcios de atuação nacional
ou regional brilharam nos anos 70 e 80 com estrondoso sucesso de vendas:
Garavelo; Nacional; Diamante; Remasa, só para citar alguns exemplos. Uma boa
parte lesou, deu golpe mesmo nos clientes e os donos fugiram. A maioria, porém,
não agüentou e quebrou. Faliram seja por má administração ou ingenuidade na
condução dos empreendimentos e deixaram os clientes à ver navios. A questão é que a fórmula apesar de
simples, inteligente e factível, esbarra em alguns problemas como alta
inadimplência, morte de participantes e falta de planejamento para estes casos.
Esbarra, também na previsão inadequada da inflação e reajustes dos veículos não
previstos de forma profissional. Muito bem, os grandes bancos, do porte de
Bradesco e Itaú, tem tudo para resgatar a credibilidade e fazer a fórmula se
solidificar com sucesso e segurança para ambos os lados do balcão. Possuem
estrutura, têm capital, sistemas de informatização sofisticados, profissionais
de planejamento, departamentos de cobrança e jurídicos para retomadas de carros
não-pagos, seguradoras próprias e, finalmente, não vão quebrar, mesmo que haja
desequilíbrio financeiro em um ou outro grupo. O consórcio tem tudo para voltar
a ser um sucesso. Desta vez com segurança!!
Boa semana para todos
-- Hoje se comemora o Dia da Não-Violência. Quem sabe um "consórcio" de
presidentes lúcidos não consiga demover Bush da idéia fixa da guerra, que trará
inevitáveis aumentos nos carros, nos combustíveis... -- quinta-feira (06/02) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu
dia-a-dia!
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