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Compromissos
com o Nordeste
A idéia
do governo federal em visitar os Estados
assolados pela seca não é novidade. Desde
o tempo do império já se falava em empenhar
as jóias da coroa para que os nordestinos
não morressem de fome. Encerrada a viagem,
a situação não modificou. As jóias permaneceram
na coroa e a seca continuou a castigar toda
uma população que, ainda hoje, sente os
efeitos da estiagem, embora em condições
menos dramáticas que há tempos remotos.
Durante
muitos governos republicanos o episódio
se repetiu. Formaram-se comissões de parlamentares
que, juntos aos representantes do Executivo,
percorreram, várias vezes, o mesmo percurso
seguido anteriormente. No final, relatórios
foram apresentados, discursos inflamados
proferidos, providências anunciadas, sem
que se conseguisse o resultado procurado
de forma mais imediata.
Vários
Estados nordestinos, entre os quais o Rio
Grande do Norte, conseguiram construir mecanismos
que permitissem a convivência com a estiagem
prolongada. As barragens Armando Ribeiro
Gonçalves, o açude de Santa Cruz e a barragem
Jessé Freire, junto às adutoras, levando
água a dezenas de municípios se constituem
no programa mais importante nesse sentido.
O carro-pipa ainda não chegou a ser aposentado,
mas os governos que se sucederem darão prosseguimento
ao programa e, em pouco tempo, isso também
acontecerá.
A presença
dos representantes do governo federal, começando
pelo Piauí tem outro aspecto a ser valorizado.
Ela não acontece em período de estiagem,
como forma de diminuir a pressão do povo
contra seus administradores. Ela significa
uma decisão política para uma ação diferenciada
do atual governo em relação aos Estados
nordestinos. E começa pelo Estado que tem
a menor renda per capita do país, US$ 760,00.
Para iniciar
uma mudança na estrutura do quadro atual,
as autoridades estão conscientes que a garantia
da água é uma condição indispensável para
a população nordestina. Entretanto, essa
ação terá que ser complementada por investimentos
maciços na educação e na saúde. A presença
dos representantes do governo, repetimos,
é simbólica. Mesmo assim, demonstra que
o atual governo pretende assumir o compromisso
de resgatar a dignidade do povo nordestino,
inclusive com o retorno da Sudene, extinta
de maneira pouco convincente pelo governo
anterior.
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