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Seduzir
ou encantar serpentes
A transmissão do cargo de presidente
da República, de FHC para Lula, chamou a
atenção pela cordialidade acontecida entre
adversários políticos. E esse clima teve
continuidade na posses dos ministros, saudados
pelos do governo anterior e respondendo
com palavras educadas e até de reconhecimento.
O ministro da Saúde, por exemplo, elogiou
o trabalho executado pela equipe de José
Serra, candidato derrotado, e disse que
continuaria os programas por ele deixados,
ampliando-os em alguns casos.
Ninguém jamais duvidou da inteligência
do presidente que se foi e da sua habilidade
com as palavras. E a jogada de final de
governo foi irretocável. Abrindo as portas
da sua adminsitração à equipe de transição,
terminou por anular uma oposição que se
faria de imediato, com a eleição de Lula
para presidente. Determinou que toda decisão
administrativa passasse pelo crivo do PT,
partido mais diretamente responsável pela
eleição do atual presidente. Com essa atitude,
conseguiu ser elogiado até mesmo pela oposição.
É possível que a atitude dos novos ministros
tenha a ver com a do ex-presidente. Sabendo
da importância de aprovar reformas como
as da Previdência, tributária e política,
o desarmamento de espírito servirá para
desaquecer os ânimos dos partidos que lhe
serão oposição. Deu certo com FHC, poderá
ser o mesmo com Lula. Essas reformas não
andaram, até hoje, por conta do próprio
PT, que hoje quer essa aprovação. Ser governo,
é claro, é diferente de ser oposição. Oposição
denuncia, briga, faz barulho. Governo procura
o entendimento, explica-se e persegue a
paz.
Costuma-se dizer que FHC é um sedutor.
Lula já recebeu o epíteto de encantador
de serpentes. Seduzir ou encantar serpentes
são habilidades semelhantes quando transferidas
para a política. Os ministros de Lula entenderam
o recado e o próprio PT sedimenta o caminho
político com plumas, para diminuir a virulência
das serpentes.
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