CHARLES M. PHELAN
ATUALIZAÇÕES AOS DOMINGOS 

O mundo do dinheiro

 Ninguém consegue viver sem ele, e poucos podem sustentar o vício. Entretenimento! Esta é a palavra! Nos Estados Unidos, este mercado gera bilhões de dólares. É provável que gere até mais que certos países. Muitos dos meus centavos contribuíram para essa quantia. Faz-se necessário dizer que, embora haja diversão para todos os gostos, os preços são limitantes para a maioria. Entretanto, sou daqueles que acreditam que pelo menos uma vez na vida, uma única vez, só umazinha, deve-se gastar além dos limites do bolso. Confesso que, em nome do entretenimento e da minha sanidade, usufruí desse benefício mais vezes do que meu raso bolso permitira. As opções eram muitas, mas sempre tive uma queda por Atlantic City. Há um glamour todo especial que torna o lugar difícil de resistir. Ali repousa um perigo inexistente em outros tipos de entretenimento.

Lá, apenas duas palavras fazem sentido: dinheiro e sorte. Lembro-me como se fosse hoje o último dia que pisei ali. Foi no verão de 97. Eu, duas amigas, e uma limusine. Alugamos este veículo espetacular, por uma noite, por US$1200 dólares. Após quatro horas de viagem até o cassino, chegamos em estilo no Trump Tower, para uma noite de puro divertimento e adrenalina. Além da empolgação natural que o lugar suscita, há realmente um desejo de sair dali com malas de dinheiro. O cassino é contagiante.

Os sons das moedas caindo nas bandejas de aço dos caça-níqueis ainda ecoam na minha mente. Jamais ouvi barulho tão fascinante. As luzes, as pessoas, as belas moças propositalmente vestidas para provocar os pensamentos mais indiscretos de cada cliente, o cheiro do zinco e o felpo dos tapetes persas que confortam os pés dos que têm dinheiro e dos que desejam ter, estimulam os sonhos de riqueza de todos, e os meus mais ainda. Tudo feito em nome do entretenimento, para que o cliente prolongue sua estada e, conseqüentemente, deixe até a cueca, se possível, para os cofres gordos do cassino. O pior é que a "casa" nunca perde, mas fica implícito o recado de que "hoje pode ser o seu dia de sorte".

Uma inocência profunda parece nos dominar nestes momentos. Voltamos aos tempos de criança, onde qualquer promessa por um  "brinquedo" nos corrompe. Nos cassinos a promessa é dinheiro. Dólares, muitos dólares! Não pensamos em outra coisa senão money. É aqui onde repousa o perigo.   

 

CHARLES M. PHELAN
EMAIL: charlesmp99.hotmail.com

34, nasceu no Estado de Nova Iorque (EUA), hoje reside em Natal, onde estuda Direito e é professor de inglês
 

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Mossoró-RN, domingo, 5 de janeiro de 2003