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"EMPRESÁRIOS"
MODERNOS, argh!
Tenho observado
que ultimamente todo mundo quer ser identificado
como empresário. A todo momento os jornais
e a televisão retratam as pessoas apondo
logo abaixo uma legenda enorme: "empresário".
Não sei se estou na contramão da história,
ou se sou um saudosista, mas para mim empresário
é a pessoa que verdadeiramente empreende.
Eu sou do tempo que o empresário era aquele
agente econômico que, percebendo oportunidades
de lucro, reunia fatores de produção numa
empresa. Dava duro, cumpria extensa jornada
de trabalho, mourejava do nascer ao pôr-do-sol.
Desse meu tempo escasseiam os exemplos,
podendo eu citar de pronto Vilmar Pereira,
um obstinado umarizalense que aqui se instalou
e fez história. Por méritos próprios, Vilmar
Pereira construiu patrimônio e deu crescimento
a Mossoró, empregando pessoas e recursos
na geração de renda para muitas famílias.
Dá gosto e orgulho ao mossoroense ver as
placas da Vipetro pelas ruas de Natal, em
obras para a Potigás. Lá do Gavião - como
chamavam Umarizal, veio também Zé Dias da
Ótica. Por aqui ele firmou-se no ramo ótico,
criando várias empresas. Com mais de 70
anos de idade, diariamente Zé Dias ainda
dá expediente. Tem Tibério Rosado, que com
todos esses problemas da Transal e o caos
urbano que se transformou Mossoró na era
pós-mototáxi, ainda está lutando para sobreviver.
Tem Soutinho e Fernando Rosado no sal, tem
Souzinha (Parque Elétrico) e Rutênio na
construção civil... São muitos os exemplos.
E nenhum desses anda se ufanando por aí
que é empresário.
Mas, aqui,
em Natal e no sul do país, surgiu o "empresário"
virtual, um novo modelo de empreendedor
que é um deboche para com os empresários
tradicionais. O seu negócio é desconhecido,
ou pouquíssimo conhecido. Esses capitalistas
modernos vivem do ócio, sempre bronzeados,
promovendo festas caríssimas, envolvidos
com belas modelos ou meninas de programa.
Esse tal de Alexandre Accioly é um dessa
espécie. Para eles, acordar só às dez horas,
e ainda assim para tomar um gole de café,
lê alguns e-mails, colocar um CD, fazer
exercício numa miniacademia montada no quarto,
pôr os pés para cima e as mãos atrás da
cabeça e só ao meio-dia é que pode começar
a organizar como será seu dia de "trabalho".
É esta
a descrição perfeita de um "empresário"
moderno segundo a teoria do ócio criativo
do sociólogo italiano Domenico de Masi.
Para ele, na sociedade pós-industrial atual,
o homem é apenas mais um elemento produtivo,
não há distribuição igualitária do poder,
do saber e do trabalho e uma verdadeira
obsessão consumista faz do homem um autômato
sem tempo para desenvolver-se como um todo.
O sociólogo diz que o trabalho mata a criatividade
e convida a todos a não fazer nada. No meu
tempo, o lazer era uma compensação pelas
horas trabalhadas, hoje é uma obrigação
para quem quer ter "qualidade de vida".
Conheço uns amigos que falam tanto em qualidade
de vida que até esquecem de que o trabalho
também faz parte da vida. Um deles promove
churrascos diariamente (ops! quase dedurava
o amigo), e me disse que está com ergofobia,
que em grego significaria pavor ao trabalho.
Ah, já
ia esquecendo. O empresário moderno também
é espalhafatoso. Tem Rolex ou Patek Philippe
no braço, carro importado e apartamento
espetacular. O problema é a instabilidade
com que conduz seus negócios. Ou se endivida
e quebra logo, ou dá um trambique grande
e quebra alguém. Honra e ética são incompatíveis
com os seus tratos comerciais. Bom, esses
requisitos não são levados mais em consideração,
afinal nesses tempos modernos e de guerra
contra o Iraque quem tem honra, moral e
ética são alguns loucos saudosistas, mumíticos,
cheirando naftalina. Ó tempos, Ó sinais!
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