ATUALIZADO ÀS TERÇAS, QUARTAS, QUINTAS, SEXTAS E DOMINGOS
 

Venceu o bom senso

O projeto de desmonte do PMDB, arquitetado pela cúpula do governo, esteve prestes a ser concretizado. A ação foi iniciada no Senado, com o afastamento da candidatura do senador Renan Calheiros e a eleição do senador José Sarney para a presidência do Senado. Em seguida, foi trabalhado o nome do deputado Dr. José Pinotti para a mesa, derrotando o candidato oficial do partido. Liderando a bancada do PMDB por sete anos, a queda do deputado Geddel significaria o fim de um dos símbolos do partido.

Identificado o movimento, o PMDB passou para a ofensiva. Depois de uma reunião, o presidente Michel Temmer, o senador Renan Calheiros, o líder Eunício Oliveira e o deputado Geddel Vieira visitaram o candidato a presidente, deputado João Paulo e lhe comunicaram que, a partir daquele instante,ele deixava de ser candidato único à presidência da Câmara dos Deputados. O PMDB estava  encaminhando o pedido de registro do nome do deputado Geddel Vieira para o mesmo posto, com o apoio de outras legendas partidárias. Isso provocou uma mobilização imediata do PT, convocando nova reunião com os seus deputados e tornando sem efeito o desmonte previamente articulado. Assim, alguns petistas declararam que iriam torcer o nariz, mas votariam em Geddel.

A rapidez de ação do PMDB e o recuo do PT nesse processo foram importantes para o bom relacionamento parlamentar durante a gestão do deputado João Paulo. O deputado Ulysses Guimarães desgastou-se quando passou a acumular muito poder, ocupando a presidência do PMDB, da Câmara dos Deputados, da Constituinte, entre outros. O governo precisa ser mais cauteloso e não confundir a esperança depositada pelo povo em aval para agir como trator, estraçalhando os que não aceitarem o seu projeto. É bom lembrar que Fernando Collor também reuniu força semelhante no seu início de governo.

Felizmente, venceu o bom senso. O governo foi o principal beneficiado com o resultado, que garantiu o funcionamento harmônico entre os poderes. Acordo é para ser cumprido. O Congresso Nacional não é cartório nem tem registro. O que vale é a palavra.

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de agricultura, ex-deputado federal e articulista político

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Mossoró-RN, quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003