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Paulo Locatelli

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Entrevista

XAVIER LIMA

Na última terça-feira, os cooperados da Unimed Mossoró foram às urnas para eleger a nova diretoria administrativa. Na verdade, o que acabou acontecendo foi uma reeleição, com o atual presidente Xavier Lima conseguindo se manter no cargo de diretor-presidente. Seu opositor, Joel Borba, perdeu o pleito por apenas dois votos de diferença.

Reeleito para o seu terceiro mandato, já estando no cargo há 8 anos, Xavier Lima é o nosso entrevistado de hoje do caderno Universo. Aqui, ele fala do que já foi feito, o que precisa ser feito, enfim, do serviço que a Unimed Mossoró sob sua administração pode prestar aos seus cooperados e usuários em geral. Mesmo com oito anos de administração, Xavier Lima diz que ainda há muito que fazer.

O MOSSOROENSE – Há quanto tempo você encontra-se no cargo e por que continuar?

XAVIER LIMA - Estamos terminando nosso segundo mandato e iniciando o terceiro. Em verdade, intimamente, a gente não tinha pretensão de concorrer mais uma vez ao cargo de presidente. Mas, o grupo que nos apóia dentro da cooperativa, em face das circunstâncias como ocorreu a campanha, fez quase que uma exigência para que eu fosse novamente candidato, e então nós lançamos nosso nome e saímos como vencedores.

OM – O candidato de oposição que disputou a eleição de terça-feira, Joel Borja, é o seu atual vice-presidente. Existe um racha ou um desencontro de idéias entre os cooperados da Unimed Mossoró?

XL – Eu não considero que haja um desencontro de idéias. Faz muito tempo que nosso grupo vem unido do qual Joel faz parte. Eu acredito, inclusive ele mesmo externou isso em algumas entrevistas, que há uma diferença de estilo. Obviamente, ele tinha a pretensão de sair candidato à presidência, que é um direito que ele tem como qualquer outro cooperado e a gente tem que respeitar. Então, não houve racha nem grandes divisões dentro da cooperativa, não. Na medida em que a campanha se desenvolve é que as coisas vão tomando assim a forma de dois grupos. Depois de algum tempo isso também começa a se diluir até que comece a outra campanha.

OM – Estando no poder há oito anos e tendo mais quatro pela frente, ainda existe muito a se fazer em favor do cooperado e usuários Unimed?

XL – Com certeza, tem muita coisa ainda a ser feita. Na realidade, quando eu me referi que não tinha pretensão de me lançar novamente candidato a presidente, e exatamente porque a responsabilidade é muito grande. E a gente de certa forma fica um pouco cansada com o trabalho estafante que a cooperativa exige. Eu achava que já seria o momento de outra pessoa suceder dentro de uma seqüência de continuidade de trabalho. Então, na cooperativa como em qualquer outra empresa, ela vive dentro de um processo na sociedade que está sempre em mutação, então, sempre vai ter muita coisa a se fazer dentro da cooperativa. Inclusive, com relação aos usuários, muita coisa ainda tem que se fazer.

OM – Sempre que se divulga um ranking de empresas que são denunciadas no Procon, por exemplo, a Unimed aparece. Hoje, como se situa a cooperativa de Mossoró neste contexto?

XL – Teve uma época quando a ANS foi instalada, que foi publica a lei que regulamenta os planos de saúde, houve muitas reclamações até porque não se tinha muito claro o que a legislação dizia. O próprio usuário e os próprios juízes não entendiam bem o que essa lei pretendia. Então, demandaram muitas questões, muitas reclamações, com o tempo a própria ANS foi se estruturando e disciplinando melhor o relacionamento das operadoras com seus usuários. Então, hoje o número de reclamações é muito pequeno. A principal confusão foi na definição de planos novos e antigos. Nessa mudança as pessoas acharam que os planos antigos passariam a ter o mesmo direito do plano novo. Isso só ocorreria se houvesse uma decisão do próprio usuário de mudar o plano dele, de antigo com suas próprias regras e o novo.

OM – Hoje, quando precisam se submeter a uma cirurgia mais complicada, os mossoroenses buscam sempre tratamento em Natal ou Fortaleza. Existe algum parceiro da Unimed em Mossoró disposto a prestar este tipo de serviço?

XL – Você sabe que as capitais concentram maiores tecnologias e pesquisas, então há uma tendência, na saúde, de os casos mais graves serem resolvidos nas capitais, e à medida que as cidades vão crescendo vão se estruturando para isso. Aqui em Mossoró nós sabemos que existem hospitais que estão tentando se equipar pra fazer alguns procedimentos que hoje só são feitos em Natal. Por exemplo, cirurgias cardíacas, algumas cirurgias neurológicas mais complexas. A Dix-sept Rosado é uma das que eu tenho sabido que está se estruturando pra isso. Obviamente ainda vai demorar um tempo no sentido de que isso realmente entre em funcionamento. Mas é uma expectativa boa e a gente espera que isso esteja resolvido o mais breve possível.

 

OM – Dois votos apenas de maioria na contagem final dos votos. O resultado não reflete uma cobrança dos cooperados sobre o seu trabalho, de que algo ainda falta ser feito?

XL – Nós ainda temos muito a fazer, isso é inegável. Qualquer uma das duas chapas que fosse eleita ainda teria muito o que fazer. A diferença pequena de votos deve-se primeiro para o universo relativamente pequeno de votos. Foram votar 130 eleitores. Segundo as próprias características da campanha. Na realidade isso não é uma coisa ruim, muitas vezes os eleitores votam por questões alheias à própria realidade da cooperativa. Vota por questão de amizade, parentesco e por outras questões e não simplesmente por oposição ou negação do trabalho que vem sendo feito e as eleições daqui pra frente serão sempre assim. Isso é uma coisa boa que movimenta todo o universo de associado, integrando-se cada vez mais à realidade da cooperativa e dando a eles a responsabilidade, pois estão escolhendo os seus dirigentes.

OM – Encerrando, uma mensagem e previsão do que vem de novo para cooperados e usuários?

XL – Com relação aos cooperados, é trabalhar no sentido de oferecer cada vez mais um mercado de trabalho maior, tentando ampliar o universo de usuários, tentando manter e melhorar a remuneração, uma vez que a cooperativa existe pra isso e uma integração constante e ajudando sempre as entidades médicas no sentido de uma melhor capacitação. Estas são, resumidamente, as metas em linhas gerais. Com relação aos usuários, nós também vamos continuar tentando melhorar a forma de atendimento, agilidade na prestação de serviços, ampliando os benefícios que a cooperativa possa prestar. Inclusive, que eu acho uma coisa muito importante, que é dar uma dinâmica maior ao nosso programa “Unimed qualidade de vida, promovendo a saúde”. Este é um programa que trabalha com informações e ao mesmo tempo algumas ações de controle no sentido de que o usuário tenha uma qualidade de vida melhor.

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Mossoró-RN, domingo, 23 de março de 2003